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Rapidinha na Zona com Roberto Requião

27 Nov 2017

Na seção Rapidinhas na Zona, o entrevistado responde questões jornalísticas com uma pitada de humor. Nesta rapidinha, o Senador Roberto Requião (PMDB-PR)

 

 

Senador da República pelo PMDB do Paraná, Roberto Requião esteve em Florianópolis nesta segunda-feira, 27 de novembro, para lançar a Frente Parlamentar Mista em Defesa da Soberania Nacional e para dar uma aula, na UFSC, sobre a Lei Cancellier, que combate o abuso de autoridade.

 

Apesar de pertencer ao partido do presidente Michel Temer, Requião é um opositor do atual governo. Com situação indefinida sobre as eleições em 2018, ele falou, entre outras questões, sobre o lançamento da Frente Ampla e a sua situação interna no PMDB.

 

➤  Qual a sua situação dentro do PMDB? O senhor foi contrário ao impeachment e faz oposição a Michel Temer. Pretende deixar o partido?

 

Eu fui contrário a um golpe parlamentar e sou um adepto do estado brasileiro, de um Estado-Nação. Sou presidente do PMDB do Paraná e filiado número 1 do partido no meu estado.

 

➤  Não cogita, portanto, sair do PMDB?

 

Não vejo porque sair. Acho que têm que sair os outros que estão fazendo uma política que não é a do partido. A política do partido está no Documento Nacionalista Desenvolvimentista chamado Esperança e Mudança.

 

➤  O senhor sofre pressões internas em função dos seus posicionamentos?

 

Não. Que pressão eu posso sofrer? Não negocio cargo, emprego e nem emenda.

 

➤  Quais os principais pontos que a lei Cancellier pretende mexer no que diz respeito ao abuso de autoridade?

 

É um projeto inteiro que eu fui relator e ela vai conter o abuso de autoridade de qualquer agente público. Fiscais municipais, de renda, estaduais, federais, parlamentares, juízes, promotores, policiais. Tem que acabar com essa história do “você sabe com quem tá falando”.

 

A lei é pra ser cumprida, mas que fique bem claro: sou a favor das investigações que eliminem a corrupção e os corruptos, mas tem que ser dentro da lei. Um menino faz um concurso público e, no dia seguinte, não pode sair por aí prendendo gente sem base legal, como fizeram com o Cancellier.

 

Foram cento e tantos policiais vestidos de ninja com metralhadoras e fuzis pesados para fazer um espetáculo para mídia e puseram preso com revista íntima um sujeito que não tinha nada a ver com o fato que supostamente estavam investigando. Irresponsabilidade total, com a lei, eles seriam banidos do serviço.

 

➤  Em relação a Frente Parlamentar em Defesa da Soberania Nacional, que foi lançada hoje em Santa Catarina. Existe alguma articulação para unir os políticos e partidos aqui envolvidos em 2018?

 

Espero que tenhamos uma frente política única dos verdadeiros nacionalistas e progressistas do Brasil para superar esse processo todo que vivemos e que esta eleição culmine com um referendo revogatório. E aqueles que estão comprando, sabendo que compram de um governo que não tem autorização do povo para vender empresas públicas e concessões, que sejam tratados como receptadores de mercadoria roubada.

 

➤ Se o Lula convidar o senhor para ser vice na sua chapa à presidência em 2018, o que o senhor faria?

 

Não. Não existe essa hipótese. Sou do PMDB hoje.

 

➤ O senhor pleiteia algum cargo nas eleições de 2018?

 

Meu mandato termina em 2018. Nao sei o que vou fazer ainda. Aliás, eu já estou fazendo. Estou tentando levantar essa grande discussão sobre o que acontece no Brasil.

 

➤  Algum bastidor interessante do Senado? O que anda ocorrendo por lá?

 

Não está acontecendo nada. Estão entregando o Brasil, ganhando emendas, nomeando ministros e cargos em estatais. Uma vergonha total.

 

➤ O pré-candidato à presidência pelo PSOL, Nildo Ouriques, disse que o senado deveria ser extinto. O senhor concorda?

 

Não vejo dessa forma. O Senado tem sua importância. Teoricamente teria que dar estabilidade a economia do Brasil. Tem um número menor de membros e consegue discutir melhor a política. Acho que nós temos que mexer é na economia. Essa coisa de dizer que o Senado tem que ser extinto não resolve nada na economia brasileira e nem nas políticas sociais. Acho que é tomar a rama pela floresta.

 

➤ Para encerrar, há algum recado que o senhor gostaria de deixar aos leitores do Estopim?

 

Mobilização. Temos que entender o que está acontecendo. É ocupação de escola, de fábrica e protestos pra ir montando uma consciência popular de defesa do interesse nacional. O interesse nacional é o interesse dos trabalhadores e da democracia. Como eu terminei aqui: nós queremos uma revolução, mas na democracia, o voto é a arma do soldado cidadão.

 

 

Foto:

Luca Gebara | Jornal dos Trabalhadores

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