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O que é pior: o trânsito parado, ou a relação libidinosa do governo e da elite?

5 Jul 2017

O mês de junho fechou com chave de ouro em diversas capitais do país onde movimentos sociais e centrais sindicais se mobilizaram contra o avanço das reformas temerárias do atual governo. Nesse post, uma reportagem sobre o dia de greve em Florianópolis, discutindo a importância das atividades na nossa capital e a unidade do movimento, e a cobertura do ato publicada nas redes sociais do Estopim.

 

| O que é pior: o trânsito parado, ou a relação libidinosa do governo e da elite? |


Esquerda articula e participa de manifestações em conjunto em Florianópolis, mas diverge sobre condução dos atos  

 

Florianópolis é uma capital bastante afastada do centro do poder político do país. No entanto, possui um movimento social e de esquerda bastante ativo, que há anos ocupa as ruas e soma voz contra um Cunha aqui, um Temer ali, uma retirada de direitos acolá. Mas, apesar da frequente ocupação das ruas, o movimento não cresce em adeptos e a capital catarinense está longe de ser vista como progressista.

 

Sem conseguir gerar compreensão entre as camadas da população que defende, os movimentos sociais, ainda assim, organizam novas manifestações. A população, por sua vez, se indigna com os efeitos do trânsito parado que eventualmente impede sua circulação pela cidade e critica quem adere a greve. Enquanto esse pensamento prevalece, a ação repressora da Polícia Militar tem respaldo e o governo mantém a política vigente: retirada de direitos e massacre aos mais pobres.

 

Em Florianópolis, a banalização da violência policial é uma realidade crescente. Na greve geral de 30 de junho, durante intervenção no acesso a ponte Pedro Ivo logo pela manhã, a repressão foi a alternativa para dispersar a ação popular. Um integrante da Rede de Resistências e Lutas Populares e do Movimento Passe Livre, que preferiu não se identificar, foi atingido por um tiro de bala de borracha na boca e precisou levar quatro pontos para cobrir o ferimento. Além dele, outros três sofreram lesão depois da ação da PM.

 

“Estou aqui contra as ‘reformas’ trabalhista e da previdência. Também contra toda perda de direitos causada pelo avanço neoliberal. Inclusive, considero Temer elemento secundário”, relata o manifestante. Ele conta ainda que já foi agredido em outros atos por bala de borracha e por golpes de cacetete. Apesar disso, não cogita a possibilidade de abandonar os movimentos de rua e a militância.

 

Segundo o presidente do PT de Florianópolis, Carlos Eduardo, os movimentos de rua aqui na capital e a adesão das pessoas são indispensáveis, porque as decisões que ocorrem em Brasília têm reflexo no país inteiro.

 

“O Brasil tem imenso território e as medidas que estão sendo adotadas pelo governo ilegítimo, que tem como objetivo transferir o ônus da crise aos trabalhadores empregados e desempregados, desarticular a soberania do país e entregar nossas riquezas aos oligopólios internacionais, impor a vergonhosa condição de país subdesenvolvido, tais medidas, apesar de decididas em Brasília, afetam principalmente as camadas populares de todo o país, inclusive aqui em Florianópolis”, ressalta Carlos Eduardo.

 

Unidade não prevalece nos atos de rua em Florianópolis

 

Não é uma novidade. Muito antes da consolidação do golpe contra Dilma Rousseff, a esquerda se une em manifestações nas ruas de Florianópolis para defender direitos e questionar os rumos da política no país e seus impactos em toda população. Esta unidade, entretanto, tem seus limites e o ato da última sexta-feira, 30 de junho, dia de Greve Geral, deixou mostras disso.

 

São situações que revelam disparidades de visões e ideais de mundo quando o assunto é política e organização social e, por conseguinte, na forma como os atos devem ser conduzidos. Uns preferem o acordo do trajeto com a Polícia Militar, outros, entendem que é preciso agir de forma mais radicalizar para atingir outros efeitos.

 

Quando deixa o ideário político adormecido, diferentes grupos de esquerda constroem movimentos de rua em conjunto e na organização da última Greve Geral não foi diferente. Entendendo a importância da ocupação das ruas, centrais sindicais, movimentos sociais e frentes de lutas se dividiram nas estratégias de divulgação da greve, tentando contato direto com a população em ações, como panfletagem em portas de fábricas, em institutos de educação, nos terminais de ônibus, nos bairros da cidade e concedendo entrevistas à imprensa.

 

No meio do ato na última sexta, entretanto, um terço dos manifestantes que conduziam o ato na dianteira seguiu em direção a Mauro Ramos, enquanto os demais seguiram o percurso em direção à Praça XV. O racha durou aproximadamente dez minutos, até que os dois grupos se uniram novamente para seguir o ato.

 

 

Na interpretação do presidente municipal do PT, Carlos Eduardo, o caso da última sexta-feira não configura um racha, pois o grupo que pretendia seguir outro trajeto retornou. Cadu diz ainda que atos, greves, e manifestações são organizados por várias entidades e movimentos e a unidade requer um exercício extraordinário de diálogo e compreensão de unidade na ação.

 

“O que acontece às vezes é que temos uma diversidade muito grande de pessoas e até mesmo coletivos, que buscam o mesmo objetivo, porém, com interpretações diferentes de métodos de organização. Mesmo acordado na coordenação que a trajetória era a caminhada pelo centro da cidade, uma parte não muito expressiva, entretanto com muita energia e vontade de estar na luta, perfilados à frente da caminhada, expressando sua intencionalidade de mudar o trajeto, não obtiveram o respaldo do grande público e após negociações juntaram-se novamente na caminhada.” avalia Cadu.

 

Presença cativa nas recentes manifestações da cidade, o carro de som tem a finalidade de organizar o ato, dar identidade, auxiliar o conjunto das pessoas em trajetos, e em casos de risco a segurança, e expressar o intuito da manifestação à população em geral. Entretanto, tem sido alvo de considerações nem tão graciosas e pivô de divergências entre manifestantes. Enquanto uns entendem como um importante instrumento estratégico e de difusão de ideias, outros se desagradam de algumas visões ali difundidas.

 

“Acho que o carro de som não é e nem deve ser o “x” da questão, o que estamos enfrentando é o derretimento em passos largos do Estado Democrático de Direitos e a perda cada vez maior da dignidade das pessoas que têm apenas como opção de sobrevivência a venda da sua força de trabalho. Um carro de som está muito além de ser um problema; apesar disso, este precisa ter uma finalidade bastante producente. Quando o carro de som não garantir tais finalidades, aí sim a organização precisa rever a metodologia do caminhão, o que não quer dizer que ele não tenha que estar presente”, defende Cadu.

 

O presidente municipal do PT faz uma avaliação positiva do dia de greve. Para ele, apesar da greve do dia 28 de abril ter sido maior, a preparação desta foi mais consistente. Cadu acredita que o alto índice de desemprego intimida os trabalhadores que receiam sofrer alguma forma de chantagem dos patrões se aderissem a greve.

Galeria de fotos da Greve Geral do dia 30 de junho, por Bianca Taranti,

no Facebook do Estopim

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Fotos do texto:
Bianca Taranti / Estopim Coletivo

Fotos das redes sociais

Bianca Taranti / Estopim Coletivo

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