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O mandato de Maria da Graça

A rua onde se localiza a Câmara de Vereadores de Florianópolis ganhou o simbólico nome de uma figura feminina que deu a vida por sua luta: Anita Garibaldi. Depois de duas Legislaturas sem representação feminina na Câmara, Maria da Graça, do PMDB, foi aprovada nas urnas e se tornou a única mulher a exercer um mandato na capital. Neste contexto, quando recusou o convite para se tornar presidente da Comissão dos Direitos da Mulher, a vereadora dividiu opiniões, mas se manteve firme às críticas.

 

“Existe comissão para homens aqui? Não, não existe. Para que uma Comissão dos Direitos da Mulher? A mulher é uma coitadinha? É isso que querem que as mulheres pensem, que elas são coitadinhas, pobrezinhas, frágeis que precisam de um homem? Eu sou contra isso”, defende Maria da Graça.

 

Apesar disso, as brasileiras continuam sofrendo violência de gênero. Nosso país possui a quinta maior taxa de feminicídio em todo mundo e, segundo a ONU, quatro em cada 10 mulheres são mortas pelo ex-companheiro. O crime de feminicídio se configura quando uma mulher morre por violência praticada unicamente pela condição de ser mulher. Maria da Graça defende seu ponto de vista dizendo que a violência não é um problema social que atinge somente as mulheres.

 

“Não tem nada errado com as mulheres, os homens também estão sendo mortos e machucados. Isso é uma uma crise da vida humana, que parece não ter mais valor” afirma a vereadora. Na sequência, ela opina sobre o feminismo:

 

 

“Está na mente, na nossa cabeça. Se as pessoas acreditam, então elas têm que se conduzir conforme a cabeça feminista, tem que acreditar que é capaz como eu. A minha trajetória de vida foi assim, sempre fiz tudo o que eu quis, nunca tive nenhum problema com os homens”.

 

Para os seres vivos, compaixão. Para a vida, força

 

A principal bandeira do mandato de Maria da Graça, definitivamente, não é a representação feminina. Seu foco são os animais. O sentimento que move este amor, segundo ela, é a compaixão. Preocupada com a sensação de individualidade crescente no ser humano, Graça acredita que apenas quando enxergarmos o outro como igual é que conquistaremos a paz.

 

“Do latim compassion, compaixão significa sofrer no lugar do outro, com o outro, e isso aí é muito difícil, esse sentimento a gente encontra na proteção animal”.

 

A vereadora tem o sonho de ter uma fundação quando deixar a carreira na política. Mesmo descansando, pretende levantar sua bandeira. “E esse é o mundo que eu vivo. E são as pessoas com as quais eu gosto de estar, as que têm compaixão pelos seres vivos”.

 

Começou quando era pequena. O leiteiro que todos os dias vinha com sua carroça para trazer o leite, na partida, sem pena, chicoteava o cavalo. Maria da Graça, nesses momentos, chorava a dor do animal e teve os primeiros indícios da causa que levaria para a vida.

 

A carreira política

 

Numa época em que os animais eram tratados com indiferença e violência, a vereadora de Florianópolis enxergou na política um meio de acabar com o martírio que presenciava diariamente na ONG Sociedade Amigo dos Animais.

 

“Eu passei muitos anos lutando fora da política sem conseguir quase nada. Os animais ficavam só embaixo da mesa, esperando as migalhinhas que caiam. Decidi lutar em pé de igualdade. Me candidatei apoiada pelos que acreditavam que os animais merecem respeito e têm direito à vida. E aí cheguei aqui”, relata em gratidão aos militantes que até hoje a apoiam no mandato.

 

Em 2005, em parceria com o então prefeito de Florianópolis, Dário Berger, foi criada a diretoria do Bem-Estar animal, entidade que defende os direitos animais, Graça foi eleita diretora. Com o trabalho na organização, o prefeito a chamou para concorrer a vereadora no mesmo ano. Pela bandeira que levantava, Graça aceitou, mas, nesta primeira tentativa, não foi eleita.

 

Permaneceu trabalhando no Bem-Estar animal até 2012, quando, novamente, foi chamada para concorrer à vereança. Foi eleita suplente e exerceu o mandato durante 11 meses na Câmara.

 

“Eu fiz tudo isso, foi uma coisa extraordinária", conta a vereadora observando o cartaz fixado na parede de seu gabinete onde todas suas ações concretizadas naquele período estão listadas. 

 

"Essa foi a razão pela qual eu me candidatei de novo, porque eu vi como dá pra gente fazer coisas boas. É só querer. Tem que estar focada, ter um ideal. Não é um trabalho para aparecer, nem estar aqui na Câmara para fazer demagogia e politicagem”.

 

A vereadora diz também que não importa em qual partido atua. “O PMDB foi a sigla que deu a oportunidade aos animais, em toda a história de Florianópolis. Eu não estou no PMDB por ideologia, se tivesse um partido animal, participaria”. Maria da Graça veio ao Legislativo com uma bandeira da qual não abre mão. Com firmeza, diz tentar o equilíbrio com os colegas para alcançar seus objetivos.

 

“Eu não brigo, não disputo com ninguém, eu escuto todo mundo. E também exijo que me escutem. Estou aqui por um ideal, então eu preciso de todos os vereadores para aprovar os meus projetos”, fala com convicção e emenda: “Tenho a postura conciliadora, mas firme”.

 

Graça diz tentar colocar Florianópolis como uma cidade a parte do Brasil, devido ao desolamento com o contexto político atual. “As ideologias não são apenas para o próprio benefício, são do povo”, analisa.

 

Sobre o impeachment da ex-presidenta Dilma Rousseff, a vereadora acredita que foi apenas uma parte do todo. Segundo ela, alguma cabeça teria que rolar. Prefere não acusar por acreditar que poucas pessoas sabem da história por completo e surpreende com uma postura:

 

“Fora Temer? Fora temer!” declara a peemedebista.

 

 

Fotos:

Em Plenário: Hélio Costa.
 

Com o bichano: Equipe de assessoria do mandato.

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