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Especial República de Curitiba

15 May 2017

O Estopim Coletivo realizou uma cobertura jornalística do depoimento do ex-presidente Lula ao Juiz Sérgio Moro no âmbito da operação Lava jato, que ocorreu em 10 de maio, em Curitiba. Nesse post, reunimos uma reportagem, uma galeria de fotos e um compilado das postagens feitas na redes sociais do Estopim durante a cobertura. Colaboraram: Nícolas David, Ramiro Furquim, Raquel Wandelli, Rafaela Bernardino e Maria Luiza Sousa.

 

| LULA x MORO, MAS EM CURITIBA |

 

 

O trabalho de cobertura em Curitiba, a cidade onde ocorreu o depoimento de Lula ao Juiz Sérgio Moro na operação Lava-jato, em 10 de maio, foi dificílimo. Peguei um ônibus de Florianópolis para lá a meia-noite, depois de saber sobre a confirmação da morte do pai de um importante amigo, G. Pawlick, co-criador desta bagaça toda que é o Estopim.

 

Perguntei a ele se deveria estar ao seu lado na despedida a seu pai, ou cobrir jornalisticamente os desdobramentos do encontro entre Sérgio Moro e Lula. Sem titubear, o amigo disse para manter a viagem e, lá fomos, eu e o fotógrafo Ramiro Furquim.

 

Em Curitiba, às 12h, a militância do PT havia desembarcado com gente de todo país em cerca de 120 ônibus. Enquanto isso, a torcida organizada de Moro reunira vendedores de camisetas que não tinham troco, fantoches que erguiam bandeiras da monarquia sem necessariamente saber o que aquilo significava e gente como seu Waldemar.


Vendedor ambulante, Waldemar é um brasileiro de 64 anos e mostra bastante sobre os acontecimentos insanos desta Curitiba, neste fatídico 10 de maio. Ele vendia super-moros, bandilmas e lula moluscos, mini-pixulecos de balão inflável que custavam R$ 20,00.

 

Waldemar acredita que Sérgio Moro está tentando salvar o país e que Lula não deve ser absolvido. Por outro lado, admite: "não é que eu seja contra o homem, quando ele era presidente todo mundo comprava carro, né?!

 

Disposto a faturar, estendeu numa cerquinha seu arsenal de camisetas com estampas em apoio a Moro nas proximidades do Museu do Olho, magnífica obra arquitetada por Oscar Niemeyer.

 

Pertinho do monumento, a torcida organizada de Moro marcou sua concentração, mas sem considerar que Niemeyer era um notório comunista. A torcida de Moro odeia a foice e o martelo, aliás, a torcida de Moro odeia.

 

Na lanchonete "Come-come", pertinho da Praça Santos Andrade, onde a torcida de Lula organizou sua concentração, sete valentões de academia desceram a porrada em três militantes que apoiam Lula.

 

A torcida de Moro é lamentável. Uma desastrosa reunião de cidadãos muito engraçados, que criavam brigas entre si para atrair a imprensa. A cena nos chamava a atenção, afinal, até a Polícia Militar "intervinha". Os PM'm agiam na mais santa paciência. Nada de spray de pimentas. Zero bofetada na cara. Fico pensando o que não faria o Cabo César por lá.

 

As perguntas de Moro a Lula acabaram por volta das 19h. Foi mais um ataque entre estes personagens no campo institucional, onde habitam as "garantias de direitos" e a "lei. Nas ruas de Curitiba, o apoio a Moro foi tímido. Lula veio como o time visitante e lotou o estádio na casa do adversário.

 

Na torcida do ex-presidente, Carlos Vicieri Predetti, que mora há quase três anos no acampamento Mandela, na cidade paranaense de Tumarana, com os três filhos e a esposa. Ele trabalhou por 20 anos como frentista em Joinville. Após ser dispensado dos serviços, sua vida tomou outro rumo.

 

"Aqui sou conhecido como Catarina, tenho muitas saudades de lá", relatou com olhos lacrimejados e um sorriso contido.

 

"Agora as coisas estão meio sofridas, meio difíceis. Mas torço pela absolvição de Lula para que ele volte a ser presidente e lute por igualdade no direito à terra".

 

A julgar pelo tamanha da torcida aqui em Curitiba, Moro nem merecia passar por este massacre nas ruas. E olha que este confronto se deu em sua república, a de Curitiba. Fico imaginando aqui à toa, como seria essa disputa com Lula no comando de campo?

 

Texto: Nícolas Horácio

| GALERIA DE FOTOS POR RAQUEL WANDELLI |

 

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| DURANTE O DIA NAS REDES SOCIAIS DO ESTOPIM |

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Foto do texto:

Ramiro Furquim / Estopim Coletivo

 

Publicadas nas redes sociais:

Nícolas David / Estopim Coletivo

 

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