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Uma análise da facada em Bolsonaro

13 Sep 2018

"E a faca, tá bem?" Perguntou a moça para os amigos no Facebook. "Agora que tá esfaqueado, o que eu posso fazer?" Poderia ter perguntado o museu Nacional do Rio de Janeiro. Estes são apenas dois exemplos dos memes gerados pela facada em Bolsonaro, acontecimento histórico que lembrou o atentado contra Carlos Lacerda na rua Tonelero, episódio capaz de intensificar a crise política que levaria Getúlio Vargas ao suicídio dias depois, em agosto de 1954.

 

Mesmo que a gente não suporte o Jair, de qualquer forma, a facada em Bolsonaro foi uma atitude imprópria. Ela não somente acertou o candidato do PSL na barriga, como o aproximou ainda mais de seus fãs e o que é pior: quase atingiu o Brasil inteiro.

 

Temíamos um corte ainda mais profundo, que poderia fazê-lo cair nas graças dos indecisos e dos eleitores deslulados que escolhem candidatos e não partidos ou ideias. É incrível, mas é possível que alguns não enxerguem a diferença abismal entre o projeto de Lula e dos petistas em relação ao de Bolsonaro e dos conservadores entre os quais se incluem os militares, a família tradicional brasileira e, lamentavelmente, a minha mãe.

 

A facada em Bolsonaro pode ter acertado o Brasil

 

É verdade que o Jair, o Messias e a sua esquadra propagam, todos os dias, a violência de que foram vítima. Também é verdade que a facada em Bolsonaro não fez um corte profundo, que não vimos sangue e… Não, deixa pra lá.

 

Felizmente, ao que tudo indica, a faca está bem, mas deve cair em desuso. Há quem diga que está meio sem fio. Adélio deve ficar na história como um Climério, o atirador que feriu Lacerda e matou o Major Vaz da Aeronáutica na crise de 1954.

 

O candidato do PSL, por sua vez, voltou ao seu estado instável de sempre. Está cometendo as mesmas babaquices e se sente mais tranquilo do que nunca, afinal, tem motivos para não sair do atestado que pegou no SUS e justificar ausência nos debates televisivos. Além disso, não subiu tanto assim nas pesquisas de intenção de voto - também pudera, tá no teto da baga e já subiu demais. Não é, não?

 

Uma nova eleição estranha na história do Brasil

 

Todas esses acontecimentos deixam as eleições de 2018 com temperos novos, mas em relação a outros períodos históricos, é o Brasil sendo o Brasil. Não será a primeira vez que escolheremos o presidente em uma eleição atípica, mas é a primeira vez nos anos 2000 que foi possível tirar o líder das pesquisas da disputa.

 

É também a primeira eleição depois de golpe parlamentar praticado com a desfaçatez de quem promovia a justiça e liquidava a corrupção. Era o óbvio ululante afirmar que se tratava de uma decisão política. Teve gente que precisou ouvir o Jucá conversando com o Machado para entender que a “sangria estava sendo estancada”, que era “um grande acordo, com o STF com tudo”.


A facada em Bolsonaro não machucou tanto assim nosso adversário. O Jair inclusive deixou a UTI. Agora, quem corre o maior risco é o Brasil. O inominável - é interessante demais essa mania de não falar seu nome - lidera as pesquisas sem Lula no páreo e, segundo as pesquisas, Ciro, Marina Silva, Haddad e Alckmin brigam para enfrentá-lo no segundo turno. Deus não ouviu Eduardo Cunha e não teve mesmo misericórdia desse país.

 

 

Foto: internet né filho?!

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