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Treme a democracia

25 Jan 2018

A Lava Jato é um processo jurídico sem precedentes na história brasileira, porém, alguns "espirros d'água" dessa operação prestam um mau serviço, principalmente para a democracia brasileira.

 

A Lava Jato conseguiu colocar na cadeia verdadeiros chefes de quadrilha, como Eduardo Cunha, e empresários com pós-doc em falcatrua. No entanto, dia após dia, ano após ano, processos que ocorrem no âmbito dessa operação provocam arbitrariedades e injustiça.

 

A mais recente mostra é a condenação de Lula, um veredicto de amplas dimensões, ou o que se pode chamar de acontecimento histórico. Mudando ou não a vida das pessoas de imediato, quando os livros de história falarem do presidente mais popular do período democrático, serão obrigados a registrar que o mesmo foi condenado a prisão em 2018, quando pretendia lançar sua candidatura para retornar a presidência nas eleições de outubro do mesmo ano.

 

Inocente???

 

É impossível defender a total inocência do ex-presidente em relação a corrupção praticada nos oito anos em que esteve a frente do governo. O PT pode até não ter inventado a corrupção, mas se serviu dela e os partidos da sua base também.

 

Ainda assim, a ação do triplex do Guarujá, que condenou em 2ª instância o ex-presidente Lula, é frágil até mesmo para o Reinaldo Azevedo.

 

Meu Deus! Se o Reinaldo Azevedo, que acorda chamando o Lula de petralha, acha o processo frágil, por que diabos nós, reles mortais, haveríamos de confiar nesta decisão?

 

De qualquer forma, os desmandos jurídicos prosseguem e é bom lembrar que um dos principais prejuízos da Lava Jato foi oferecer as condições para a consumação do impeachment de Dilma, tirando o Partido Trabalhadores do governo. Agora, os desdobramentos de parte da operação estão muito perto de inviabilizar o retorno previsível de Lula ao poder caso ele consiga confirmar sua candidatura.

 

Decisões

 

Se não conseguir colocar seu nome nas urnas e for preso, Lula cumprirá outro papel: ungir um companheiro de esquerda nas eleições de 2018. Fora das urnas, como estava em 2010 e 2014, a influência de Lula costuma funcionar. Foi ele quem pariu Dilma, por exemplo. Agora, entretanto, muitos são os pré-candidatos que figuram ao lado do ex-presidente em seus comícios, como Manuela D'avila (PCdoB) e Guilherme Boulos (MTST), sondado para ser candidato pelo PSOL. Esses dois, onde quer que andam e se manifestam, dedicam lealdade a Lula. Fica a pergunta: a quem ele retribuirá o apoio caso fique inelegível?

 

O discurso

 

Na véspera de seu julgamento em Porto Alegre, Lula começou seu discurso para 70 mil apoiadores e a imprensa brasileira e do mundo, ignorando o processo e falando como quem apresenta programa de governo.

 

Dois pontos chamaram atenção: a soberania brasileira atrelada a capacidade de liderar a integração entre os países da América Latina e a dificuldade para os jornalistas atuarem no Brasil em função das linhas editoriais dos principais veículos de imprensa do país. Um diagnóstico que dialoga com a necessidade de regulação da nossa imprensa.

 

Será que o ex-presidente estava jogando para a plateia, ou acenando com possibilidades reais?

 

Merísio e Mariani

 

Um passarinho verde me contou… Ah meu, dane-se a expressão popular! Na verdade, um prestigiado jornalista político da cidade deixou claro em um texto de sua coluna, dia desses, que Gelson Merísio (PSD) e Mauro Mariani (PMDB) não serão aliados nas eleições de 2018 para o governo de Santa Catarina. Na minha opinião, ato falho! Enterro pré-anunciado de uma campanha pronta, com singles em sertanejo embalando as carreatas e bandeiraços. As bases iam adorar! No interior, sucesso garantido!

 

Os conselheiros políticos de Merísio e Mariani deveriam convencer os dois a aceitarem o potencial de dupla sertaneja que possuem e deixar de lado a ambição pessoal de ocupar o cargo máximo na Casa d’Agronômica. Poderiam inclusive dividir a estadia no casarão do governo, uma semana para cada um. Não importa. Agora, é hora de definir a turma da assessoria e projetar a vitória logo no primeiro turno.

 

Ao povo catarinense, nenhuma garantia de um bom governo, aliás, seria mais do mesmo, só não queria perder a piada mesmo.

 

 

Foto:

Bianca Taranti / Estopim Coletivo

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