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Renovação política entrevista Arão Josino

5 Jun 2017

 

Neste mês de junho, mapeamos, selecionamos e queremos apresentar ao eleitor de Florianópolis jovens e novas lideranças políticas que devem figurar nos santinhos das eleições previstas, até o momento, para 2018. Alguns dos personagens que entrevistamos já disputaram e até conquistaram a preferência do eleitor nas urnas, outros não obtiveram êxito na empreitada, mas acumularam capital político e não escondem suas ambições.

 

Ao longo do mês, exibiremos entrevistas com eles e elas, fazendo a todos o mesmo roteiro de perguntas. No intuito de ouvir representantes das mais diversas ideologias, além dos nomes que a redação do Estopim convidou, pediremos indicações a todos os partidos que possuem representação na Câmara de Vereadores de Florianópolis, na Assembleia Legislativa de Santa Catarina e na Câmara dos Deputados.

 

Este recorte inicial prevê 15 entrevistas, mas não abrange a totalidade dos partidos existentes no país, até porque toda vez que você vai dormir, nasce um partido novo no Brasil. Tentando não sufocar os partidos menores, caso possuam uma liderança jovem e a sigla não tenha representação em nenhum dos espaços de poder acima citados, é possível participar da série ainda assim. Para isso, basta formalizar um pedido a nossa redação pelo e-mail: estopim.online@gmail.com

 

A série especial de entrevistas Renovação Política tem como gancho o anseio da população por caras novas e apresenta alternativas a partir da capital do nosso estado. Fora coronéis! Fora homens brancos, velhos e ricos!

 

Em continuidade a Série Renovação Política, Arão Josino, do PSD.

 

| A ENTREVISTA |

 

➤ Como despertou seu interesse por política?

 

Sou natural de Ascurra, uma cidadezinha de 7 mil habitantes lá no vale do Itajaí. Sou filho de professores da rede estadual de ensino. Eles nunca foram políticos, mas sempre foram muito politizados e incentivaram o debate político e o diálogo.

 

Minha mãe vinha de uma ideologia e meu pai de outra e, no entanto, na mesa, eles sempre nos incentivaram a dialogar e debater com eles. Minha mãe vinha do PP e meu pai do PMDB. Em cidade pequena, no interior, são lugares opostos. Eles incentivavam que tivéssemos posição, mas sem nos obrigar a seguir determinada linha ideológica.

 

Sempre gostei de discutir e acompanhar política. Aos 13 anos fui morar em Blumenau e participei durante um ano do programa Vereador Mirim. Foi uma grande experiência. Fui eleito no final de 2005 e fui vereador em 2006. Nessa experiência conheci a verdadeira essência da política, porque longe dos conchavos e dos acordões partidários, foi possível simular e ver qual a verdadeira função do legislativo municipal.

 

Meu caminho político sempre foi pautado no sentido de que o papel do governo e do agente político é cuidar, em primeiro lugar, dos mais pobres. Acho que na sociedade que vivemos, temos que lutar cada vez mais pela redução da desigualdade social.

 

Hoje temos quase 7 milhões de habitantes em Santa Catarina e, no ano passado, 295 mil catarinenses ainda viviam com menos de R$ 77 por mês. Por mais que o estado tenha os melhores índices sociais do Brasil, ainda temos problemas na área social e é papel do governo trabalhar para garantir oportunidade para essa população.

 

➤ Como conheceu o partido que está vinculado atualmente?

 

No final da gestão de vereador mirim, em dezembro de 2006, na minha última sessão na Câmara Mirim, recebi convite de alguns partidos políticos para me filiar. Acabei escolhendo, à época, não um partido, mas um grupo político.

 

Lá em Blumenau a juventude do Democratas era uma juventude muito organizada, tinha uma militância estudantil muito forte. Geralmente o primeiro partido, quando se é muito jovem, escolhemos por afinidade a um grupo ou às bandeiras que apresentam, mas de forma muito localizada, não de uma forma global.

 

Conheci um grupo de jovens que me chamou atenção e acabei me envolvendo. Fui Democratas e, depois, nosso grupo político fundou o PSD e acabei migrando para o novo partido.

 

➤ Você se considera alinhado à ideologia do seu partido?

 

Me considero alinhado às diretrizes do PSD, isso não tenho dúvida. O partido é uma coisa e as pessoas que compõem o partido são outra. Tenho minhas restrições a alguns posicionamentos das nossas lideranças nacionais.

 

No entanto, as diretrizes do partido, que é seguir a ideologia de centro, que é trabalhar principalmente questões, como a liberdade individual, a redução da desigualdade social, trabalhar a frente dos municípios, tenho uma afinidade muito grande com tudo isso.

 

Na sociedade em que vivemos hoje, o diálogo e o bom senso precisam estar acima de tudo. Tenho muito respeito, tanto pela linha ideológica da esquerda, quanto da direita. Não vejo problema em sentar com as duas linhas para construir política. Acho que a direita tem seus lados positivos, assim como a esquerda também. Dá sim para fazer política no centro, conversando com todas as linhas ideológicas, é isso que o PSD propõe no Brasil.

 

➤ O que o faz ter certeza que está com o grupo certo? Seu partido tem uma causa que também é a sua?

 

Hoje, em Santa Catarina, tenho certeza que estou no grupo certo. O governador Raimundo Colombo, que é nossa principal liderança, tem sido referência enquanto gestor em nosso estado e uma referência nacional inclusive.

 

Santa Catarina está com as contas em dia e não aumentou impostos mesmo no momento de uma grave crise econômica. Estamos com investimentos em todas as regiões do estado. Temos o Fundam, que é o Fundo de Apoio aos Municípios, que prova na prática a visão do PSD em relação ao apoio aos municípios.

 

Eu defendo muito a bandeira de que o recurso público seja descentralizado para que o município faça os investimentos. É no município que a vida das pessoas acontece. É o prefeito que sabe quais são as prioridades. Quando o governador criou o Fundam, passou recursos aos cofres de todos os municípios catarinenses, indiferente a linha partidária, indiferente se é amigo ou inimigo político, e garantiu que todos os municípios pudessem fazer investimentos.

 

 

➤ Quais críticas você tem aos políticos expoentes do seu partido?

 

Primeiramente, Fora Temer! Minha crítica é para as nossas lideranças nacionais, que insistem em fazer parte da base de apoio do governo Michel Temer. O atual presidente não tem legitimidade, não tem credibilidade, não tem apoio popular para continuar governando nosso país.

 

Sou totalmente contrário ao posicionamento de algumas lideranças nacionais que insistem em fazer parte do governo dele.

 

Aqui em Santa Catarina a gente discute muito pouco isso, porque nosso foco é governar nosso estado. Isso o governador Raimundo Colombo sempre deixou muito claro dentro do partido. Conduzimos Santa Catarina e deixamos as questões do país para o diretório nacional.

 

➤ Você já possui experiência em eleições? Considera o atual sistema corroído por práticas espúrias?

 

Nunca participei como candidato, só na coordenação de algumas campanhas. Participei da campanha de reeleição do governador Raimundo Colombo, em 2014, da primeira campanha em que a Adeliana se elegeu prefeita de São José, em 2012; da campanha de Marcelo Schrube para Deputado Federal, em 2010, e para vereador em 2008.

 

O sistema político eleitoral está construído para não funcionar. Ele não permite uma grande renovação e faz com que as campanhas sejam muito caras. A questão da arrecadação é um grave problema e isso está muito explícito nos dias de hoje, quando a gente acompanha tudo que tem acompanhado. Precisamos passar por uma grande reforma no sistema político eleitoral.

 

Sempre digo: para aqueles que estão no poder, o sistema funciona, agora, para nós que somos jovens, acreditamos na nova política e queremos disputar uma eleição de forma honesta e correta, apresentando propostas e ideias, hoje, o sistema político eleitoral não funciona.

 

➤ Cogita ou tem convicção de que será candidato nas eleições de 2018? Se a resposta for sim, qual cargo? Se a resposta for não, por quê?

 

O Brasil precisa de uma grande reforma. Tenho convicção disso. O serviço público hoje é ineficiente. Uma pesquisa recente do Instituto Brasileiro de Planejamento e Tributação (IBPT) apresentou uma análise de 30 países e ficamos em último colocado. Somos o país que menos dá retorno aos impostos pagos pela população.

 

Eles fizeram uma análise da arrecadação e do Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) e fizeram um comparativo. Nós estamos atrás da Argentina e do uruguai por exemplo. É fato que o Brasil precisa de reformas estruturantes.

 

Nós temos que discutir a questão previdenciária, não como se discutiu, mas temos que discutir de fato com as bases. A gente tem que falar sobre reforma trabalhista, sobre reforma política, sobre o novo pacto federativo. Tudo isso é muito importante para que o país cresça de forma sustentável.

 

Ao mesmo tempo, tenho clareza que as mudanças que o país precisa, obrigatoriamente, têm que passar pelo Congresso. Precisam ser debatidas e votadas pelos deputados federais e senadores. O sistema brasileiro é feito de uma forma que você só muda de dentro para fora. Essa é a realidade atual.

 

Diante desse cenário, tendo convicção de que o Brasil precisa de uma grande reforma e que a mudança se faz de dentro para fora, seria irresponsabilidade da minha parte não me colocar à disposição para disputar uma eleição.

 

Tenho vontade, sim. Acho que depois de dez anos lidando diariamente com a política catarinense, me sinto preparado para disputar uma eleição e meu nome está à disposição do partido. Não é uma decisão do Arão, é uma decisão partidária, de um grupo.

 

Acho que uma candidatura tem que acontecer de forma natural e não goela abaixo, mas se for pra ser, estou pronto para disputar a eleição e, no cenário atual, gostaria de ser candidato a deputado federal, porque vejo como fundamental trabalhar em reformas no Brasil. O Congresso, mais especificamente a Câmara federal, é o lugar.

 

Agora, vamos listar alguns temas e sobre cada um deles, gostaria que você falasse a primeira palavra que vem a mente:

 

Política antidrogas

Prioridade

 

Violência contra as mulheres

Machismo

 

Legalização da maconha

Ainda não tenho opinião formada

 

Racismo

Somos todos iguais

 

Mobilidade

Falta de planejamento

 

Corrupção

O mal da sociedade

 

 

Fotos:

Arquivo pessoal Arão Josino

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