• Estopim Coletivo Facebook
  • Estopim Coletivo Instagram
Please reload

Renovação política?

11 Jul 2017

 

Em junho, e num pedacinho de julho, o Estopim realizou a série especial de entrevistas Renovação Política, projeto que em diversos momentos nos frustrou e indignou. O problema não foi a escassez de novas lideranças, mas o fato de alguns quadros aparentemente novos reproduzirem as técnicas daqueles que queremos fora: os velhos, ricos e brancos que assaltam o poder. É difícil, portanto, apresentá-los como símbolo de renovo. Em alguns casos, impossível.

 

A verdade é que corremos um grande risco afirmando na capa do site que nomes ausentes das listas delatoras podem significar renovação na política. Um conselheiro importante questionou: seria mais assertivo utilizar este título com um ponto de interrogação no final. Sim. O conselheiro estava assustadoramente certo.

 

Na concepção da série Renovação Política, queríamos encontrar e ouvir lideranças que se apresentam como novas. Decidimos aplicar o mesmo roteiro de perguntas, a fim de sermos minimamente isonômicos. Fizemos o esforço de compreender e revelar personagens políticos que pretendem figurar nos santinhos daquelas eleições previstas, sabe-se lá até quando, para 2018.

 

Queríamos saber também se as tais lideranças têm vínculos reais com seus partidos políticos e até se os partidos ainda defendem ideologias. Será que eles atraem novos filiados por meio de bandeiras?

 

Outro desafio proposto na série era o de apurar o posicionamento das jovens e novas lideranças diante de temas sensíveis, como a violência contra as mulheres e o debate sobre a legalização da maconha, tema este que perpassa discussões ainda mais urgentes dos nossos dias.

 

A execução da ideia, entretanto, é uma história de falhas e frustrações. Um dos exemplos é o vereador de Florianópolis Rafael Daux do PMDB. No exercício do primeiro mandato, com a juventude evidenciada nos cabelos, Rafael é um falso sinal de renovação na política. Convidado a participar da série, ensaboou o contato até esgotar nossa paciência, provavelmente porque avaliou que seria melhor assim. Sua escolha encheu-nos de alívio, afinal, é alguém notoriamente despreparado para o exercício desta função, causaria indigestão se apresentado como renovação.

 

A certa altura, depois de conversar com as lideranças espontâneas definidas pela redação, provocamos os partidos buscando nomes que preenchessem nosso compromisso inicial de ouvir, no mínimo, um representante dos partidos que possuem mandato na Câmara de Vereadores de Florianópolis, na Assembleia Legislativa de Santa Catarina e na bancada catarinense na Câmara Federal. Neste momento, quantas vezes suamos frio.

 

No total, realizamos 11 entrevistas. Não conseguimos ouvir todos aqueles que poderiam falar de acordo com as regras pré-determinadas. O indicado pelo PSDB reservou horário para nos conceder entrevista e faltamos. Depois comprometeu-se a enviar as respostas por email, mas extrapolou o deadline. Fazemos aí um mea culpa. O secretário do PSC não indicou representante. Os representantes do DEM e do PRB não responderam nosso convite e o PR e o PTB não responderam nosso contato e não indicaram representantes.

 

No exato dia do encerramento da série - quase nada atrasado - até mesmo o diretor de arte reclamou da capa que ele mesmo havia feito, alegando que o conceito das ilustrações condizia muito pouco com as fuças e conteúdo dos entrevistados. Sabendo desses riscos - irresponsáveis e esperançosos, insistimos na ideia de garimpar lideranças políticas que possam rejuvenescer os santinhos nas eleições de 2018. Tínhamos na manga a ideia deste editorial para lavar a alma no encerramento desta série. Afinal, não sabemos você, mas nós não ficamos completamente satisfeitos.

 

A Patota

 

 

 

Ilustração:

G. Pawlick / Estopim Coletivo

Foto:

Nícolas David

Share on Facebook
Share on Twitter
Please reload

Gostou da leitura?

Assine a revista Estopim Coletivo

e financie a produção de conteúdo independente

sobre política e cultura.

Please reload