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Renovação Política entrevista Paulinha

7 Jul 2017

Neste mês de junho, mapeamos, selecionamos e queremos apresentar ao eleitor de Florianópolis jovens e novas lideranças políticas que devem figurar nos santinhos das eleições previstas, até o momento, para 2018. Alguns dos personagens que entrevistamos já disputaram e até conquistaram a preferência do eleitor nas urnas, outros não obtiveram êxito na empreitada, mas acumularam capital político e não escondem suas ambições.

 

Ao longo do mês, exibiremos entrevistas com eles e elas, fazendo a todos o mesmo roteiro de perguntas. No intuito de ouvir representantes das mais diversas ideologias, além dos nomes que a redação do Estopim convidou, pediremos indicações a todos os partidos que possuem representação na Câmara de Vereadores de Florianópolis, na Assembleia Legislativa de Santa Catarina e na Câmara dos Deputados.

 

Este recorte inicial prevê 15 entrevistas, mas não abrange a totalidade dos partidos existentes no país, até porque toda vez que você vai dormir, nasce um partido novo no Brasil. Tentando não sufocar os partidos menores, caso possuam uma liderança jovem e a sigla não tenha representação em nenhum dos espaços de poder acima citados, é possível participar da série ainda assim. Para isso, basta formalizar um pedido a nossa redação pelo e-mail: estopim.online@gmail.com

 

A série especial de entrevistas Renovação Política tem como gancho o anseio da população por caras novas e apresenta alternativas a partir da capital do nosso estado. Fora coronéis! Fora homens brancos, velhos e ricos!

 

No encerramento da Série Renovação Política, Paulinha, do PDT.

 

| A ENTREVISTA |

 

➤ Como despertou seu interesse por política?

 

Desde menina sempre me senti atraída por causas coletivas e situações de preconceito e injustiça me despertavam os ânimos. A participação na política foi uma consequência natural.

 

➤ Como conheceu o partido que está vinculada atualmente?

 

Aos 14 anos de idade, por conta do movimento estudantil, conheci a Juventude Socialista do PDT. Foi uma paixão instantânea .

 

➤ Você se considera alinhada à ideologia do seu partido?

 

Totalmente alinhada. Tenho mais de 25 anos de filiação partidária e a ideologia pedetista contribuiu muito na formação do meu caráter. Em nossos estatutos, evidenciamos a luta pelos direitos dos trabalhadores e temos a educação como único caminho para a verdadeira revolução de uma nação. Esses são alguns dos princípios que carrego comigo até hoje.

 

➤ O que a faz ter certeza que está com o grupo certo? Seu partido tem uma causa que também é a sua?

 

Nos tempos atuais, falar de filiação partidária ideologizada até parece um antagonismo social, uma aberração. A maioria das pessoas se filia por conta da conveniência eleitoral, por vantagens, ou então por afinidade pessoal com algum grupo, ou com um líder. A convicção da minha filiação não está pautada nessas questões, embora tenha em meu partido muitas pessoas que amo e admiro, como nosso Presidente Estadual, Manoel Dias.

 

Estou filiada ao PDT fundamentalmente porque, em primeiro lugar, é um partido que enaltece em grande escala as políticas públicas de educação, e isso, pra mim, faz todo o sentido. O PDT também é um partido que permite a ascensão de qualquer pessoa, independentemente da sua origem. No meu caso, sou de uma família simples, sem tradição na política, e mesmo assim tenho meu trabalho reconhecido pelo PDT.

 

➤ Quais críticas você tem aos políticos expoentes do seu partido?

 

Nem todos os pontos de vista reúnem consenso, mas, no geral, sinto-me bem representada. Tenho orgulho dos nossos líderes. O PDT não tem histórico de corrupção, não temos deputados envolvidos em escândalos e isso já é muito legal. Quanto a críticas, quando sinto necessidade de expô-las, faço sempre em local e momento oportuno, diretamente a quem devo dirigir. Sem meias palavras e sem constrangimento, mas sem demagogia e oportunismo também. Tudo dentro do seu espaço e de seu tempo.

 

➤ Você já possui experiência em eleições? Considera o atual sistema corroído por práticas espúrias?

 

Participo de eleições direta ou indiretamente desde menina e já vi um pouco de tudo. Não me considero uma pessoa necessariamente experiente, até porque cada eleição é uma nova escola. Mas, indiscutivelmente, temos muito o que melhorar nesse país. Ainda há muita corrupção, patrocinada principalmente pela própria população. É impressionante, mas as pessoas ainda pedem pra serem corrompidas numa eleição.

 

Procuro praticar o bem diariamente, faço tudo o que está em meu alcance para auxiliar a quem quer que seja, individualmente ou coletivamente. Mas tem certas coisas que eu simplesmente me nego. Não me sujeito e pronto. O sistema atual é um escândalo e quem o renega tem que lutar muito para sobreviver na política.

 

Por outro lado, me sinto realizada por ter chegado onde cheguei. Posso afirmar categoricamente que tive o privilégio de viver os meus sonhos de juventude e viver uma política diferente, ao lado do meu companheiro e amigo Paulinho, vice prefeito, e de toda a equipe que formamos.

 

Em Bombinhas não temos nenhum cargo em comissão indicado por partido ou grupo político por exemplo. Não recebemos dinheiro de empreiteiros que ganham licitações, sob o pretexto de ter recursos para campanha. E também não negociamos benefícios em troca de mudanças de leis, em nenhuma circunstância. São escolhas que o gestor tem que fazer desde o início, mas se ele acerta o passo é maravilhoso, porque os servidores vêm junto e a população reconhece. A gente trabalha aqui sob a tônica do coração, com muita coragem, e com muita fé em Deus. Conheço alguns políticos assim por aí, e, olhe, tem mais gente boa do que se imagina. Ocorre que não temos a cultura de apreciar bons exemplos.

 

➤ Cogita ou tem convicção de que será candidata nas eleições de 2018? Se a resposta for sim, qual cargo? Se a resposta for não, por quê?

 

Sou uma dessas pessoas que se sente inspirada pelas causas, pela vontade intransigente de ver o nosso Estado e o nosso País muito melhor. Às vezes, quando olho pra dentro de mim, sinto uma força interna gritando no meu peito, querendo que eu continue a lutar pelo que é certo, pelo que é justo, pelo que é decente. Estamos presos num emaranhado de burocratismos que tem atrasado o Brasil, perdemos o senso de urgência das pessoas.

 

Chega a ser estúpido o que as pessoas têm que se submeter para ter acesso a saúde por exemplo. Precisamos fazer grandes reformas e acredito sinceramente que se tem algo de bom em toda essa sacanagem que a gente assiste na televisão é a oportunidade de mudar. As pessoas estão querendo essa mudança. E se eu puder ajudar, com certeza estarei na primeira fila.

 

É claro que o meu primeiro compromisso atualmente é com o povo de Bombinhas, a quem amo tanto e dedico a minha vida. As pessoas que moram aqui sabem disso. Mas também sinto vontade de dar amplitude a esses sonhos todos que me corroem a alma. Objetivamente? Sim, é provável que eu me candidate em 2018.

 

Agora, vamos listar alguns temas e sobre cada um deles, gostaria que você falasse a primeira palavra ou um raciocínio bastante objetivo:

 

Política antidrogas

Complexa, permanente e multisetorial. Não dá pra combater a criminalidade apenas com repressão. E também não dá pra se restringir a ações isoladas. É preciso ter investimentos articulados e programas permanentes.

 

Violência contra as mulheres

Simplesmente inaceitável. Intolerável, em todos os seus aspectos e formas. Mas, no meu ponto de vista, a violência contra a mulher mais aterrorizante nos tempos contemporâneos é a psicológica. Esta compromete a alma do ser humano, liquida com a auto-estima, às vezes de forma irreversível até.

 

Legalização da maconha

Não acho que estejamos preparados para a legalização, mas a descriminalização do usuário é algo a se pensar. Tema de muita polêmica, mas temos que estar abertos a discussão, sem dúvida alguma.

 

Racismo

O quê? Racismo? Chega a ser uma afronta termos que conviver com casos de racismo nos tempos atuais. Essa é uma das vergonhas que o homem ainda se impõe. Crimes de racismo deveriam ser punidos exemplarmente, sempre. Mas torço que possamos se livrar desse mal nas próximas décadas. Acredito sinceramente que as futuras gerações vão acabar com isso para sempre.

 

Mobilidade

Na grande maioria dos pequenos e médios territórios, a ocupação se deu de forma improvisada. Estamos aprendendo a planejar há pouco tempo. E, claro, nesse cenário, temos que correr contra o tempo para corrigir problemas criados no passado. Por outro lado, percebo que soluções para atenuar grandes problemas já existem e quem tem o poder para decidir às vezes se perde e não faz o que é preciso ser feito. Uma boa dose de coragem, humildade para buscar soluções pactuadas com a sociedade, e investimentos tecnológicos no lugar certo melhorariam bruscamente a vida das pessoas.

 

Corrupção

Francamente, a corrupção está muito além do ambiente político. É quase uma cultura institucionalizada no Brasil. Mas penso que enaltece-la dessa forma também não é o caminho. Uma coisa é dar acesso a informação, apresentar denúncias e provas, tomar providências legais. Outra coisa é submeter toda uma nação a apenas isso. Em termos midiáticos, parece que nos resumimos a um país de corruptos e isso me enoja. Estou ansiosa pelas próximas eleições e esperançosa que a população entenda que não será um salvador da pátria, um herói, que vai nos tirar do buraco. Precisamos de um novo senso de coletividade, de uma verdadeira rede social que incorpore valores nas escolas, nas igrejas, nas famílias, nas empresas. E precisamos que muitas pessoas que tenham esse espírito assumam cargos públicos também. A corrupção sempre vai existir, mas podemos ser muito melhores enquanto sociedade. Eu acredito de todo o meu coração que podemos mudar esses paradigmas ultrapassados e luto por isso a cada dia, com toda a minha força e energia.

 

 

Foto:

Acervo pessoal Ana Paula da Silva

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