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Renovação Política entrevista Matheus Haddad

12 Jun 2017

 

 

Neste mês de junho, mapeamos, selecionamos e queremos apresentar ao eleitor de Florianópolis jovens e novas lideranças políticas que devem figurar nos santinhos das eleições previstas, até o momento, para 2018. Alguns dos personagens que entrevistamos já disputaram e até conquistaram a preferência do eleitor nas urnas, outros não obtiveram êxito na empreitada, mas acumularam capital político e não escondem suas ambições.

 

Ao longo do mês, exibiremos entrevistas com eles e elas, fazendo a todos o mesmo roteiro de perguntas. No intuito de ouvir representantes das mais diversas ideologias, além dos nomes que a redação do Estopim convidou, pediremos indicações a todos os partidos que possuem representação na Câmara de Vereadores de Florianópolis, na Assembleia Legislativa de Santa Catarina e na Câmara dos Deputados.

 

Este recorte inicial prevê 15 entrevistas, mas não abrange a totalidade dos partidos existentes no país, até porque toda vez que você vai dormir, nasce um partido novo no Brasil. Tentando não sufocar os partidos menores, caso possuam uma liderança jovem e a sigla não tenha representação em nenhum dos espaços de poder acima citados, é possível participar da série ainda assim. Para isso, basta formalizar um pedido a nossa redação pelo e-mail: estopim.online@gmail.com

 

A série especial de entrevistas Renovação Política tem como gancho o anseio da população por caras novas e apresenta alternativas a partir da capital do nosso estado. Fora coronéis! Fora homens brancos, velhos e ricos!

 

Em continuidade a Série Renovação Política, Matheus Haddad, da Rede.

 

| A ENTREVISTA |

 

➤ Como despertou seu interesse por política?

 

É difícil falar de um start. Nunca teve um momento que acordei e pensei em entrar na política. Assim que me mudei de Campinas, em São Paulo, aqui para Florianópolis e fui estudar Biologia, ingressei no movimento estudantil, participando do Centro Acadêmico. Depois, saí da bolha universitária e comecei a entrar em outros espaços. Atualmente estou trabalhando com direitos humanos. Trabalhamos junto também da população do movimento nacional de rua, enfim, são diversos âmbitos políticos e não partidários.

 

Mas em 2016 surgiu a necessidade de entrar num viés político-partidário, por linhas ideológicas que eu acreditava e, a partir disso, entrei na Rede.

 

Isso tudo foi antes do impeachment, ou melhor, do golpe. Quando isso aconteceu, resolvi entrar na Rede, porque percebi a necessidade e a vontade de mudança. Todo mundo estava insatisfeito com o sistema político, mas era aquela insatisfação de colocar frases no Facebook.

 

Eu não consigo agir assim. Eu tento resolver o problema. Logicamente não se consegue resolver o problema do Brasil, do dia para a noite, e nem uma pessoa sozinha, mas fazendo sua parte e batalhando por isso, é o que me motivou a entrar para as questões partidárias.

 

➤ Como conheceu o partido que está vinculado atualmente?

 

O atual porta voz estadual da Rede é professor da Biologia na UFSC. Certa vez ele me convidou a ir em uma reunião da Rede. Fui, passei a acompanhar e até ajudei na eleição, mas não tinha um vínculo formal com o partido.

 

Depois da eleição mudou bastante coisa e entrei mais a fundo no partido. Em maio de 2016 surgiu o convite para isso.

 

➤ Você se considera aliado com a ideologia do seu partido?

 

Totalmente. Mesmo tendo algumas críticas a alguns posicionamentos da nossa principal porta-voz, que é a Marina Silva, me considero alinhado. A rede vem com uma mudança no Brasil. Isso não sou eu quem está dizendo. Você pode olhar em qualquer veículo de comunicação que a Rede se mostra independente a todo esse processo político e tudo que acontece agora a Rede já vem falando desde 2014, como esse processo de cassação da chapa Dilma-Temer.

 

A Rede também se posiciona contra esse maniqueísmo de que as pessoas são PT, ou PSDB. A Rede sempre se posicionou como uma via alternativa, não uma terceira via. Isso até causa críticas a nós mas, dentro do processo democrático, até considero críticas boas.

 

Tem gente que fala que a Rede é de direita, mas também dizem que a Rede é de esquerda. Na verdade temos uma pauta muito firme em cima de pautas sociais. e tem um projeto econômico diferente.

 

➤ O que o faz ter certeza que está com o grupo certo? Seu partido tem uma causa que também é a sua?

 

Como vim da Biologia, sempre vim pela pauta ambiental. Não a pauta ambiental pura, porque entendo que a pauta ambiental é social também. Hoje em dia tem poucas coisas que você não consegue resolver pela ciência nessas questões ambientais. Só que poucas coisas são realmente resolvidas numa questão política. A Rede se posiciona diretamente em cima de pautas ambientais e isso me fez acreditar no partido, porque é uma pauta que defendo muito.

 

A Rede também defende um processo de radicalização da democracia, ou democratizar a democracia, que se traduz na ideia do mandato compartilhado, que consiste em candidaturas que consigam atender e ouvir e não apenas ouvir, mas ser popular.

 

Não será apenas um representante, mas diversos, permitindo diversidade de vozes. Desde populações indígenas, quilombolas e até grandes empresários. Se a gente trabalha por um processo democrático, temos que ouvir todos os lados.

 

➤ Quais críticas você tem aos políticos expoentes do seu partido?

 

Essa tentativa de inovação e algumas vezes vindo de cabeças velhas do partido, se prendem a algumas práticas partidárias conservadoras, mesmo tentando ser progressista. Vejo que algumas decisões da Rede, bem no seu começo, por exemplo, o apoio da Marina ao Aécio [no 2º turno das eleições de 2014] não compatibilizou com o ideal da Rede.

 

Ademais a Rede vem se fortalecendo. Ela vem sofrendo severas perdas em termos nacionais. Agora com a cláusula de barreira, que querem aprovar, partidos pequenos e ideológicos como a Rede, até o próprio partido Novo, o Livres, o PSOL, vão acabar tendo complicações. Isso, na minha visão, mostra que a Rede está fazendo bem, porque está incomodando quem tem poder.

 

As principais críticas são em cima de uma velha política que ainda ronda no partido. Acredito que muito menos do que em outros partidos, mas é algo que temos que trabalhar e que lutar constantemente contra isso.

 

 

➤ Você já possui experiência em eleições? Considera o atual sistema corroído por práticas espúrias?

 

Estive com o partido nas eleições de 2016, mas não como candidato. Em 2018 o intuito é uma nova experiência.

 

O sistema eleitoral como um todo favorece quem está no poder. É o que comumente chamam de ter a máquina. Eles conseguem se eleger porque têm a máquina. Novamente preciso falar da ideia do mandato compartilhado, que é exatamente para desconsiderar esse sistema de representação por meio de uma pessoa.

 

É impossível que um Deputado Federal que recebeu 80 mil votos, por exemplo, represente cada um dos indivíduos que o elegeram. Nossa ideia com o mandato compartilhado na Rede é devolver ao povo o poder que ele pode ter.

 

Como isso funcionaria? Vamos pegar uma pauta importante, como a legalização da maconha. Dentro desse grupo de duas, três ou quatro mil pessoas, todas debateriam, problematizariam e votariam e daí por maioria simples esse seria o voto a qual deveria pertencer de representatividade.

 

Não vejo o sistema atual como representativo. Ele representa pequenas oligarquias. Pequenos grupos que estão no poder, muitas vezes, há muito tempo. Existem pessoas muito boas trabalhando para não ser assim, existem, mas ainda são uma minoria.

 

➤ Cogita ou tem convicção de que será candidato nas eleições de 2018? Se a resposta for sim, qual cargo? Se a resposta for não, por quê?

 

Cogito a ideia da candidatura para Deputado Federal. mas desde o começo sempre me pautei pela construção do mandato compartilhado. Então o grupo decide quem seria o representante. e a exposição do partido tbm. Por mais que na rede não existe aquilo de “Ah, você vai, você não vai”, esse jogo político, existe também um pensamento futuro.

 

Atualmente temos duas pessoas na Rede pensando no mandato compartilhado e podemos unir forças, ou lançar dois mandatos diferentes, mas a principal razão para “impedir” minha candidatura seria o grupo decidir que não seria o momento, ou que outra pessoa seria ideal. Não estou preso a um cargo, penso no coletivo.

 

A vontade pessoal existe. Quem me conhece sabe que falo bastante sobre isso, sobre sair candidato a vereador, a deputado, porque tenho vontade de mudança. Sei que lá não é o único espaço de mudança, mas é um espaço que precisa de pessoas adeptas a procurar essa nova política.

 

Agora, vamos listar alguns temas e sobre cada um deles, gostaria que você falasse a primeira palavra que vem a mente:

 

Racismo

É um absurdo que ainda hoje exista isso. É um tema fundamental a ser tratado no âmbito social.

 

Política antidrogas

A guerra às drogas já se mostrou ineficiente. Ou a política atual muda, ou vamos continuar nesse sistema ineficiente.

 

Violência contra mulheres

Uma questão estrutural e o estado tem que trabalhar em cima disso.

 

Corrupção

É reflexo da sociedade atual, mas isso não exime a necessidade de um combate severo.

 

Mobilidade

Temos que parar de pensar em mobilidade como o carro vai o carro vem. A mobilidade tem que ser um conjunto de ônibus, metrô, bike e carro também. Tem que ser pensada como uma malha.

 

Legalização da maconha

Acredito ser um caminho muito bom para iniciar o fim da criminalização da pobreza. Poderia abrir portas para isso.

 

 

Fotos:

Arquivo Pessoal Matheus Haddad

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