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Renovação Política entrevista Juliano Souza

30 Jun 2017

 

Neste mês de junho, mapeamos, selecionamos e queremos apresentar ao eleitor de Florianópolis jovens e novas lideranças políticas que devem figurar nos santinhos das eleições previstas, até o momento, para 2018. Alguns dos personagens que entrevistamos já disputaram e até conquistaram a preferência do eleitor nas urnas, outros não obtiveram êxito na empreitada, mas acumularam capital político e não escondem suas ambições.

 

Ao longo do mês, exibiremos entrevistas com eles e elas, fazendo a todos o mesmo roteiro de perguntas. No intuito de ouvir representantes das mais diversas ideologias, além dos nomes que a redação do Estopim convidou, pediremos indicações a todos os partidos que possuem representação na Câmara de Vereadores de Florianópolis, na Assembleia Legislativa de Santa Catarina e na Câmara dos Deputados.

 

Este recorte inicial prevê 15 entrevistas, mas não abrange a totalidade dos partidos existentes no país, até porque toda vez que você vai dormir, nasce um partido novo no Brasil. Tentando não sufocar os partidos menores, caso possuam uma liderança jovem e a sigla não tenha representação em nenhum dos espaços de poder acima citados, é possível participar da série ainda assim. Para isso, basta formalizar um pedido a nossa redação pelo e-mail: estopim.online@gmail.com

 

A série especial de entrevistas Renovação Política tem como gancho o anseio da população por caras novas e apresenta alternativas a partir da capital do nosso estado. Fora coronéis! Fora homens brancos, velhos e ricos!

 

Em continuidade a Série Renovação Política, Juliano Souza do PPS.

 

| A ENTREVISTA |

 

➤Como despertou seu interesse por política?

 

Desde muito cedo eu já era envolvido nos movimentos sociais de Santo Amaro da Imperatriz. Meu pai sempre foi uma liderança comunitária ativa e chegou a ocupar a cadeira de vereador. Isso também ajudou a estimular minha participação na vida comunitária e social da cidade.

 

Mas o que me fez entrar definitivamente na política foi o amor que eu tenho pelo município de Santo Amaro e não conseguia mais aceitar os rumos que a cidade estava tomando. Mesmo sendo jovem, eu presenciei inúmeras e profundas mudanças em Santo Amaro, como a expansão urbana, as demolições de marcos históricos, o crescimento desordenado, enfim, uma série de transformações que alteraram a sensibilidade de interior e a identidade santoamarense, criando ao mesmo tempo uma euforia progressista e uma profunda sensação de perda. 

 

Foi esse sentimento de perda, gerado não só pelas transformações urbanas, mas também pela transformação do viver em Santo Amaro, o principal fator que faz com que eu me envolva diretamente com a política. Além disso, o município precisava que novas lideranças políticas surgissem, eram sempre os mesmos no comando da cidade, então em 2016 decidi criar coragem e juntamente com um grupo de sonhadores lançarmos uma pré-candidatura a prefeito de Santo Amaro, mas percebemos que era preciso manter os pés no chão e fazer um planejamento que fosse vitorioso, então recuamos um passo e lançamos minha candidatura a vereador.

 

➤ Como conheceu o partido que está vinculado atualmente?

 

O PPS em Santa Catarina e no Brasil é um partido que não tem se envolvido em escândalos, um dos poucos partidos que não tinha ninguém na lista da JBS, por exemplo, e que tem uma trajetória bonita. Meu pai foi um dos fundadores do PPS aqui em Santo Amaro em 2003.

 

Depois das eleições 2012, o partido por aqui tinha ficado esquecido, muitos filiados migraram para outros partidos e foi quando vi a chance de reorganizar o partido, em 2015, com pessoas novas, com jovens. Foi como fazer renascer o partido em Santo Amaro. Muita gente nova se integrou ao partido.

 

Desde 2014 eu vinha recebendo muitos convites para filiação em partidos políticos maiores no município. Participei de reuniões com os principais partidos, mas não conseguia me enxergar dentro deles. Os partidos não abrem espaço para o surgimento de novas lideranças e encontrei no PPS a possibilidade de fugir daquilo que já era comum na cidade e fazer um trabalho diferente.

 

A presidência estadual do partido também contou muito na minha escolha, a Deputada Federal Carmem Zanotto, que vem honrando o partido e o estado de Santa Catarina com um trabalho que sem sido destaque a nível nacional. A parceria dela para eu me filiar ao PPS e organizasse o partido em Santo Amaro foi essencial.

 

➤Você se considera alinhado à ideologia do seu partido?

 

Nos dias de hoje é muito difícil falar em ideologia partidária. A maioria dos partidos perderam esse viés ideológico e hoje, infelizmente, o que importa, muitas vezes, é estar no poder.

 

O PPS é um partido que tem história na luta pela democracia e que tem toda a disposição de se renovar. Na verdade, ele sabe se posicionar conforme o momento que o país vive, ele se adapta a realidade. Eu diria que o PPS é um partido oriundo da esquerda democrática que vem adotando uma postura mais central, um partido que vê fracassada a velha esquerda. O PPS se mostra como uma terceira via, uma proposta diferente. Considero que os ideais democráticos, da cidadania plena, da sustentabilidade e da justiça social do PPS, de certa forma, estão alinhados a minha ideologia e também deixo claro que estou pronto para questionar se o partido sair fora dos trilhos.

 

➤ O que o faz ter certeza que está com o grupo certo? Seu partido tem uma causa que também é a sua?

 

Como disse, eu fui sondado por inúmeros partidos e decidi ir para um partido que no meu município não tinha muita expressão política, justamente para não cair nos erros dos outros grandes partidos e poder assim construir na minha cidade um partido mais justo, sem os vícios e os velhos conhecidos da política que infestam alguns partidos.

 

As pessoas que me cercam carregam um sonho coletivo de mudança na política. São, na grande maioria, estreantes no meio político. Mas esse processo de construção do PPS em Santo Amaro ainda não terminou, não está o mar de rosas que esperávamos e, como novatos, aprendemos muito na última eleição e isso vai ajudar nessa construção. Estamos trabalhando para atrair mais jovens, pois o jovem é idealista por natureza e acho que é uma das soluções para a política.

 

➤ Quais críticas você tem aos políticos expoentes do seu partido?

 

No nosso Estado temos a Deputada Federal Carmem Zanotto, da qual tenho admiração pelo seu trabalho. Uma deputada federal que está sempre disposta a conversar com você e que realiza um trabalho muito bom, tanto que tem se destacado em alguns rankings políticos como a segunda melhor deputada federal do país.

 

A nível nacional temos o Senador Cristóvão Buarque, o qual já tive a oportunidade de conhecer e poder conversar com ele, outro político brasileiro reconhecido e do qual não tenho maiores críticas.

 

Acho que a minha crítica, com todo respeito ao PPS, é claro, vai para alguns expoentes do partido que não largaram do governo, mesmo depois das gravações do Temer, como fez Roberto Freire, que renunciou do seu cargo de Ministro da Cultura. Não sou a favor, por exemplo, que Raul Jungmann continue no Ministério da Defesa.

 

➤ Você já possui experiência em eleições? Considera o atual sistema corroído por práticas espúrias?

 

Minha primeira experiência em eleições foi em 2016. Foi um grande aprendizado e me mostrou que o atual sistema político é mais corroído do que eu pensava e corroído mesmo por práticas espúrias. O país está mudando, as pessoas estão mais conscientes e tudo, mas muitas práticas erradas nas eleições continuam acontecendo, como se fossem normal.

 

Eu confesso que, no meu caso, não me pediam algo em troca do voto. Acho que as pessoas já conheciam o meu perfil, mas andando pela cidade, a gente percebia o quanto a sociedade e os candidatos ainda estão viciados nas velhas práticas de se conseguir votos. Especialmente quando o assunto é saúde, se gerou um assistencialismo por parte de alguns políticos que é difícil quebrar.

 

A minha campanha foi uma das mais enxutas que tivemos na cidade. Gastei o mínimo com publicidade, tanto que eram poucos os adesivos em carros que se podia ver pelo município, o que para alguns demonstrava a fragilidade da minha eleição. Mesmo assim, consegui uma expressiva votação, ficando com a diferença de apenas 25 votos para o primeiro colocado. Acho que isso foi uma indicação de que devemos ter esperança e que as coisas podem mudar.

 

 

➤ Cogita ou tem convicção de que será candidato nas eleições de 2018? Se a resposta for sim, qual cargo? Se a resposta for não, por quê?

 

Olha, a Executiva estadual do meu partido tem levantado a ideia de que meu nome seja lançado como candidato a deputado estadual. Atualmente não temos um deputado estadual do PPS e será uma meta obter esses mandatos em 2018.

 

Além disso, acho que o Estado também está precisando de uma boa renovação política no quadro de deputados estaduais. Mas essa é uma situação que ainda será discutida, tanto com o partido a nível estadual e municipal, quanto com aqueles que sempre me apoiam e me ajudaram a chegar na Câmara de Vereadores. Eu também ainda devo fazer muita reflexão quanto a isso, mas é uma hipótese. Minha meta, no momento, é focar no trabalho dentro da Câmara Municipal.

 

 

Agora, vamos listar alguns temas e sobre cada um deles, gostaria que você falasse a primeira palavra ou um raciocínio bastante objetivo:

 

Política antidrogas

No Brasil é ineficaz

 

Violência contra as mulheres

Inadmissível

 

Legalização da maconha

Precisa de muita discussão e estudo

 

Racismo

Desumano. Um mal que precisa ser extirpado

 

Mobilidade

Atrasada no Brasil, no Estado e principalmente na grande Florianópolis.

 

Corrupção

O que destrói o nosso rico país.

 

 

Fotos:

Arquivo pessoal Juliano Souza

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