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Renovação Política entrevista Fafá Capela

19 Jun 2017

 

Neste mês de junho, mapeamos, selecionamos e queremos apresentar ao eleitor de Florianópolis jovens e novas lideranças políticas que devem figurar nos santinhos das eleições previstas, até o momento, para 2018. Alguns dos personagens que entrevistamos já disputaram e até conquistaram a preferência do eleitor nas urnas, outros não obtiveram êxito na empreitada, mas acumularam capital político e não escondem suas ambições.

 

Ao longo do mês, exibiremos entrevistas com eles e elas, fazendo a todos o mesmo roteiro de perguntas. No intuito de ouvir representantes das mais diversas ideologias, além dos nomes que a redação do Estopim convidou, pediremos indicações a todos os partidos que possuem representação na Câmara de Vereadores de Florianópolis, na Assembleia Legislativa de Santa Catarina e na Câmara dos Deputados.

 

Este recorte inicial prevê 15 entrevistas, mas não abrange a totalidade dos partidos existentes no país, até porque toda vez que você vai dormir, nasce um partido novo no Brasil. Tentando não sufocar os partidos menores, caso possuam uma liderança jovem e a sigla não tenha representação em nenhum dos espaços de poder acima citados, é possível participar da série ainda assim. Para isso, basta formalizar um pedido a nossa redação pelo e-mail: estopim.online@gmail.com

 

A série especial de entrevistas Renovação Política tem como gancho o anseio da população por caras novas e apresenta alternativas a partir da capital do nosso estado. Fora coronéis! Fora homens brancos, velhos e ricos!

 

Em continuidade à Série Renovação Política, Fafá Capela, do PCdoB.

 

| A ENTREVISTA |

 

➤ Como despertou seu interesse por política?

 

Eu não consigo dizer exatamente o momento em que despertei para a política. Desde pequena eu sempre tive muito interesse e o contato com meu pai em casa sempre fez com que eu tivesse essa proximidade com os assuntos políticos. Não apenas meu pai, como também minha tia-avó e o meu próprio avô. O ambiente político sempre fez parte da minha casa.

 

Consigo lembrar alguns momentos que foram marcantes, como quando eu estava no ensino médio e, num debate com o professor, na sala de aula, ele me estimulou a falar sobre os assuntos que faziam parte da aula e eu perguntei: “mas como a gente faz para mudar?” E ele me apontou o caminho da política, dizendo: “Tu quer mudar mesmo? Tu quer fazer parte de algo? Faça parte da político!”

 

Logo depois, veio a campanha para a prefeitura, em 2008, na qual eu tive contato com a Angela Albino. Não foi ainda um contato próximo, mas ver uma mulher candidata e, logo em seguida, ver a candidatura da Dilma à presidência, reforçou que a política poderia ser um espaço para mim também.

 

➤ Como conheceu o partido que está vinculado atualmente?

 

Quando o professor me despertou o interesse por política, ele pertencia a um partido e tentou me aproximar do partido dele, só que eu sempre fui muito clara, que o dia que entrasse num partido, gostaria de permanecer nele, de não ficar trocando, até por uma questão de referência. Meu pai foi a vida inteira de um partido, então eu sempre tive isso muito claro, de ter uma linha política e que não fosse um partido que eu apenas faria parte sem ter uma conexão ideológica.

 

Daí entrei nas Ciências Sociais e, como debatemos muitas coisas pertinentes a sociedade no curso, acabei conhecendo outros partidos. Durante a campanha de 2012 eu tive a oportunidade de conhecer o PCdoB através da candidatura da Angela Albino à prefeitura da cidade. Então o meu processo de aproximação com o PCdoB começou aí.

 

Daquele processo até a minha filiação demorou quase dois anos até eu ter certeza de que era aquilo mesmo que eu queria, de que era naquele local que eu queria estar. Foi todo um processo e hoje vejo que foi um processo muito importante, porque estou no PCdoB convicta de que é aqui que deveria estar.

 

➤ Você se considera alinhada à ideologia do seu partido?

 

Sim. Tenho convicção dos ideais que o partido defende. O que me fez entrar no PCdoB é o fato de que incentivam a participação da mulher na política. A forma como tratam a valorização do emprego e renda, a retomada e o fortalecimento da economia nacional, a forma como combatem a desigualdade.

 

➤ O que a faz ter certeza que está com o grupo certo? Seu partido tem uma causa que também é a sua?

 

Nesse momento político, que é difícil, o PCdoB foi um dos primeiros partidos a apontar que era um golpe que estava sendo instituído no Brasil e não se tratava única e exclusivamente de um caso de impeachment. A forma como o meu partido é contra a Reforma Trabalhista, a Reforma da Previdência e a Reforma do Ensino Médio, isso faz com que eu esteja alinhada ao PCdoB, porque também sou contra essas reformas e acho que de reforma não têm nada, porque não melhoram a vida do brasileiro. Pelo contrário.

 

➤ Quais críticas você tem aos políticos expoentes do seu partido?

 

Eu acredito que quando você tem um partido que promove o debate e que tem uma democracia interna, que propicia fazer a crítica no ambiente que é o ideal, dentro do partido, isso dá liberdade para as críticas, mas sempre de maneira construtiva. A princípio não tenho uma crítica em especial.

 

O PCdoB disponibiliza tanto internamente esses espaços democráticos, que a gente consegue resolver promovendo um bom debate político. Uma pessoa que é filiada há um dia e uma pessoa que é filiada há 20 anos, todos estão em pé de igualdade. Isso acaba cerceando as críticas, porque temos a possibilidade de fazer isso no cotidiano do partido.

 

Nem mesmo a questão da aliança com o governo Raimundo Colombo aqui no estado, que muitos criticam, vejo como um problema. O momento em que foi feita a aliança era outro. O Colombo fazia parte da aliança com a Dilma, fez campanha para a Dilma e como o PCdoB é um partido que debate política a nível nacional, o partido aqui em Santa Catarina optou por coligar com ele pelo fato de que estava na base da Dilma. Isso para nós era muito valoroso, em virtude do contexto de Santa Catarina.

 

Naquele momento político era importante apoiar um governador que também fazia menção e defendia o legado do primeiro mandato da presidenta Dilma. Dentro dessa lógica política o PCdoB apoiou sim o Colombo, mas no atual momento não fazemos mais parte do governo, o que também resultou em críticas. Quero frisar: o PCdoB debate política e, naquele momento, estávamos centrados na importância de reeleger a presidenta Dilma.

 

 

➤ Você já possui experiência em eleições? Considera o atual sistema corroído por práticas espúrias?

 

Como candidata, ainda não, mas contribuindo nas eleições, sim. Contribuí em algumas eleições no partido e isso também é uma experiência bastante positiva. Em termos de outras campanhas, que não do espaço político, eu tenho mais experiência, porque milito no movimento estudantil. Já participei de eleições no Diretório Central da universidade, nos Centros Acadêmicos.

 

Sobre o sistema eleitoral, é importante ressaltar que a democracia no Brasil é recente. O nosso modelo precisa ser repensado. Temos um sistema que acaba privilegiando quem possui dinheiro. Isso coloca em desigualdade um candidato que não tem recurso para estar concorrendo. Isso é um fator apenas, existem outros.

 

Não acho que o sistema está todo corrompido. Acho que precisam ser feitas mudanças que melhorem as eleições e consigam colocar as pessoas em igualdade na disputa. Existem muitas pessoas boas na política e a gente precisa combater a criminalização que é feita.

 

Existem pessoas que de fato defendem o programa para o qual foram eleitas. Não acho que o sistema esteja todo corrompido. Acho que são pessoas que atuam com uma velha política, que é corrompida, mas não são todas. E também não necessariamente isso tem a ver com a idade. Conheço jovens que atuam de forma parecida com a velha política, da mesma forma que existem pessoas com mais idade que atuam numa política super coerente.

 

➤ Cogita ou tem convicção de que será candidata nas eleições de 2018? Se a resposta for sim, qual cargo? Se a resposta for não, por quê?

 

Esse é um debate que não é só meu. É fruto de um projeto. Se eu estiver dentro e tiver perfil para conseguir responder às necessidades políticas que a nossa quadra histórica pede, com certeza serei candidata. sempre me coloquei à disposição para cumprir todas as tarefas. Não acho que seja menor entregar um panfleto, nem contribuir de outras formas durante a campanha. Também não acho que seja maior sair candidata.

 

Debatendo o projeto e como posso contribuir nele em 2018 é a forma como vou contribuir. Se for como candidata, ótimo, porque quero isso. Agora, se for de outra forma, contribuirei também. Acredito que a política precisa de pessoas que queiram contribuir e construir, acima de tudo, uma alternativa ao que está posto.

 

Minha vontade pessoal é ser candidata, mas tem outras coisas que influem. A gente não pode partir de um projeto personalista. Se o meu nome estiver dentro do projeto, com certeza me colocarei à disposição.

 

Agora, vamos listar alguns temas e sobre cada um deles, gostaria que você falasse a primeira palavra que vem a mente:

 

Política antidrogas

 

É um debate complexo, que não é feito e que as pessoas precisam se desafiar a fazer. Eu pessoalmente sou disposta, porque estudo segurança pública e formulação de política pública e entendo que o poder público tem que comprar esse debate.

 

Violência contra as mulheres

 

É inadmissível que mulheres morram pelo fato de serem mulheres. O combate ao machismo e principalmente a violência precisa ser tema central para todos.

 

Legalização da maconha

 

Acho que podemos legalizar, mas é um debate que precisa ser feito profundamente. Não se trata apenas de legalizar, essa questão envolve o tráfico, o crime organizado, é um debate que puxa outros.

 

Racismo

 

É revoltante perceber a condição dos negros e negras no Brasil. Não tem como ficar de fora desse debate, que é central. É também inadmissível que ainda exista preconceito na nossa sociedade.

 

Mobilidade

 

Imobilidade né? As pessoas não têm o direito de ir e vir.

 

Corrupção

 

É muito entristecedor ver pessoas que se utilizam do público para se privilegiar. Quem é corrupto tem que pagar por seus crimes, mas temos que fazer isso com certo cuidado. As pessoas se apropriam do debate da corrupção para criminalizar a política e isso me preocupa um pouco.

 

 

Fotos:

Luiz Modesto/PCdoB

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