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Renovação Política entrevista Carla Ayres

7 Jun 2017

 

Neste mês de junho, mapeamos, selecionamos e queremos apresentar ao eleitor de Florianópolis jovens e novas lideranças políticas que devem figurar nos santinhos das eleições previstas, até o momento, para 2018. Alguns dos personagens que entrevistamos já disputaram e até conquistaram a preferência do eleitor nas urnas, outros não obtiveram êxito na empreitada, mas acumularam capital político e não escondem suas ambições.

 

Ao longo do mês, exibiremos entrevistas com eles e elas, fazendo a todos o mesmo roteiro de perguntas. No intuito de ouvir representantes das mais diversas ideologias, além dos nomes que a redação do Estopim convidou, pediremos indicações a todos os partidos que possuem representação na Câmara de Vereadores de Florianópolis, na Assembleia Legislativa de Santa Catarina e na Câmara dos Deputados.

 

Este recorte inicial prevê 15 entrevistas, mas não abrange a totalidade dos partidos existentes no país, até porque toda vez que você vai dormir, nasce um partido novo no Brasil. Tentando não sufocar os partidos menores, caso possuam uma liderança jovem e a sigla não tenha representação em nenhum dos espaços de poder acima citados, é possível participar da série ainda assim. Para isso, basta formalizar um pedido a nossa redação pelo e-mail: estopim.online@gmail.com

 

A série especial de entrevistas Renovação Política tem como gancho o anseio da população por caras novas e apresenta alternativas a partir da capital do nosso estado. Fora coronéis! Fora homens brancos, velhos e ricos!

 

Em continuidade a Série Renovação Política, Carla Ayres, do PT.

 

| A ENTREVISTA |

 

➤ Como despertou seu interesse por política?

 

Política é ter posição, é fazer escolhas. Muitas vezes não pensamos assim, pois somos induzidos a pensar que a política é ruim e nos afastamos. Mas, o fato é que todo cidadão é um ser político. Não saberia apontar um fato específico que tenha despertado meu interesse pela política em si. Há vários momentos na minha trajetória que me colocaram diante dela.

 

Quando eu tinha uns nove anos meu pai foi candidato a vereador na minha cidade - ainda que hoje eu compreenda que o fora em condições precárias dentro da lógica “laranja” – mas creio que aquele momento contribuiu para me colocar em contato com o universo da política (formal).

 

Aos 13 anos participei do Grêmio estudantil do meu colégio e entrei para o Movimento Estudantil da cidade. Durante toda adolescência fui me vinculando ao interesse pela coletividade, pela coisa pública, por questões sociais, logo me vinculei ao PT e depois fui fazer graduação em Ciências Sociais quase que “naturalmente”, a partir da graduação “descobri” e iniciei militância nos movimentos de mulheres e LGBT.

 

➤ Como conheceu o partido que está vinculada atualmente?

 

Segundo a lenda familiar, sou petista “desde criancinha”. Lá nos idos dos meus três anos, dizem que eu ficava extasiada pela figura de uma então candidata a vereadora de Jales - minha cidade natal - chamada Esmarlei. Dizem até que eu pedia sempre para que me levassem ao comício dela. Óbvio que, naquela altura, eu não compreendia nada, mas talvez o fato de ter uma mulher em meio a tantos homens, carregando uma estrela de cor vibrante no peito já chamava a atenção daquela pequena criança.

 

Eu conheci o PT mais diretamente naquele período em que meu pai concorreu à vereança. Era uma coligação entre PMN e PT, que se saiu vitoriosa. Meu pai concorria pelo PMN. Como disse, apesar de não ter uma trajetória familiar na política, sempre tive algum vínculo com ela.

 

Mas de fato, eu só pude compreender mesmo o que era o partido quando já estava na adolescência. A simpatia, que a princípio era motivada pelo simbolismo, foi ganhando corpo quando vi que pessoas que sempre foram referência em minha formação, agora estavam defendendo “algo” relacionado àquela legenda.

 

Em 2000, uma professora e amiga concorreu para vereadora e foi eleita na minha cidade. Chegou a cumprir três mandatos pelo PT. Mas, sem dúvida alguma, o ano de 2002 foi o marco da minha consciência partidária.

 

Ver o entusiasmo de tantos experientes políticos pela vitória do Lula, além de me emocionar, despertou o interesse mais efetivo sobre o que realmente significava o Partido dos Trabalhadores e, só então, pude começar a trilhar o que se chama de militância. Ingressei na militância interna da Juventude Petista e, em 2004, aos 16 anos, me filiei ao PT.

 

➤ Você se considera alinhada à ideologia do seu partido?

 

Meu partido está alinhado ideologicamente à esquerda, ao trabalhismo, à justiça social e na defesa de todas as minorias. É por isso que surgiu, é isso que diz seu estatuto, suas resoluções, é por isso que me filiei e é por tais princípios que me guio.

 

Dentro deste espectro ideológico há grandes debates e diferentes pensamentos. Não estou sempre em concordância com tudo, o que é natural da democracia, mas considero que os meus ideais de luta estão contemplados pela ideologia partidária.

 

Apesar disso, também entendo que os debates podem levar sempre a uma melhoria neste sentido, tornando o partido cada vez mais conectado com as reais demandas da sociedade e suas transformações, e é isso que sempre defendi.

 

➤ O que a faz ter certeza que está com o grupo certo? Seu partido tem uma causa que também é a sua?

 

Dentro da confusão que se tornou o sistema político partidário brasileiro, acredito que estar ao lado certo é estar em um partido e em um campo político em que se possa ter liberdade para lutar por aquilo que acreditamos. Como mencionei anteriormente, a defesa dos trabalhadores, da justiça social e das minorias em geral, em especial das Mulheres e da população LGBT são minhas causas diretas. Neste sentido meu partido as contempla.

 

O PT – ainda que busquem mostrar o contrário – é permeado pelas discussões latentes nos movimentos sociais e populares mais diversos. Ele tem nas suas fileiras organizativas, desde muito cedo, estruturas e debates do combate ao racismo, do movimento LGBT, dos direitos das mulheres – além de ter sido o pioneiro na instituição de cotas de gênero nas direções partidárias (1991), transformadas em resolução de paridade (2011), foi condutor da primeira Mulher Presidenta do país, e acabou de eleger em seu 6º Congresso uma mulher para lhe presidir. Quando falo que “o partido elegeu”, não se trata de uma estrutura amorfa...são as pessoas...os filiados...os militantes partidários.

 

O PT também foi o primeiro a ter um Setorial LGBT, que será transformado em Secretaria Nacional nesta nova gestão, e a incluir em suas resoluções, ainda nos anos 1980, a defesa pela liberdade sexual, contra os preconceitos. Foi na gestão nacional encabeçada pelo PT que realizamos no país avanços inéditos e importantes para ampliação da defesa dos Direitos Humanos, dos Direitos das Mulheres, do Combate ao Racismo, do respeito aos direitos das Pessoas com Deficiência, da População LGBT, entre outros.

 

Acho que a ordem lógica da questão poderia até ser invertida: na verdade, eu defendo causas que encontram respaldo, ecos e defesa dentro das fileiras e integrantes do meu partido. Por isso cá estou.

 

➤ Quais críticas você tem aos políticos expoentes do seu partido?

 

Quando se tem um partido com o tamanho e o enraizamento social e geográficoque o PT tem, é natural que se tenha críticas e divergências muito mais a posicionamentos que a nomes especificamente. Por isso sempre fiz a defesa do aprimoramento das instâncias partidárias como estruturas da democracia que são, para que cada vez mais estejam em ressonância com o que a sociedade espera de nossas práticas.

 

➤ Você já possui experiência em eleições? Considera o atual sistema corroído por práticas espúrias?

 

Concorri como candidata a vereadora em 2016. Considero que os erros que temos vêm de um sistema político e partidário que acaba sendo injusto em vários pontos. Desde a redemocratização, vemos proliferar partidos dos quais não há clareza sobre suas defesas e que, na prática, não ajudaram na melhora do sistema político, pelo contrário, enfraqueceram os partidos políticos, ou seja, o coletivo, em detrimento de projetos pessoais e personalistas.

 

As candidaturas ditas competitivas dependem de muito dinheiro. Todos os partidos que têm no horizonte a via eleitoral e a democracia representativa como alternativa para se implementar políticas e programas, por mais à esquerda e ideológicos que sejam, estão reféns deste sistema. É fato. Temos que ter clareza disso e verificar quais deles estão dispostos a pautar e defender uma Reforma Política profunda, que é urgente por sinal.

 

Entretanto, talvez eu seja até um pouco romântica neste ponto, mas ainda acredito na militância, na defesa séria e consciente das pautas e, principalmente, naqueles que se juntam voluntariamente durante a campanha por acreditar nelas. Foi assim na minha candidatura em 2016 e conseguimos um resultado que surpreendeu muita gente.

 

➤ Cogita ou tem convicção de que será candidata nas eleições de 2018? Se a resposta for sim, qual cargo? Se a resposta for não, por quê?

 

Nunca acreditei que ser candidata seja uma decisão pessoal. Não foi assim em 2016 quando concorri a vereadora e não vejo isso como cenário para 2018. É claro que junto com meu grupo dentro do partido, estamos sempre em debates sobre isso, mas deixo a decisão ao coletivo, do partido e dos movimentos sociais a que me vinculo.

 

O que sempre buscamos - e falo aqui do ponto de vista do meu vínculo nacional, estadual e local com a sociedade civil - , acima de uma candidatura, é que nossas pautas estejam representadas nas candidaturas. Essa é nossa análise. Assim, se for da vontade de meus companheiros de partidos meu nome estará à disposição para concorrer.

 

As eleições de 2018 serão gerais, com cargos majoritários e proporcionais, sendo assim, devido a minha idade e pela minha experiência em 2016, se concorrer será a um cargo de proporcional.

 

Agora, vamos listar alguns temas e sobre cada um deles, gostaria que você falasse a primeira palavra que vem a mente:

 

Política antidrogas

Seletiva e genocida da forma como tem sido conduzida no Brasil

 

Violência contra as mulheres

Mata todos os dias. Tem que acabar

 

Legalização da maconha

Urgente.

 

Racismo

É estrutural. Mata e tem que ser combatido.

 

Mobilidade

Direito básico. Em Floripa? Um caos.

 

Corrupção

Um câncer sob o qual o sistema político brasileiro se estruturou desde sempre.

 

 

Foto de abertura:

Lucas Gabriel Diniz/Agência AL 

 

Demais Fotos:

ONUMULHERES e Fundação Perseu Abramo

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