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Rap Plus Size em Florianópolis

 

Elas estão na estrada há mais de 13 anos e, desde 2016, resolveram convergir o trabalho para uma experiência revolucionária no Brasil: cantar rap com o intuito de empoderar mulheres, em especial mulheres gordas. Esse é o conceito base do Rap Plus Size, que deu origem a músicas como “Toda Grandona”, “A Luta Continua” e o “Pano Rasga”.

 

Nessa entrevista ao Estopim, Issa Paz e Sara Donato falam sobre a expectativa para sua apresentação em Florianópolis nesta sexta-feira, 10 agosto, no Cabaret Club; os planos do projeto Rap Plus Size; os desafios do trabalho com foco no empoderamento dos corpos fora dos padrões e no feminista; o cenário do rap em São Paulo e no país. Siga a leitura!

 

➤ Para começar, gostaríamos de saber se já se apresentaram na ilha com o Rap Plus Size e como está a expectativa de vocês para esse show em Florianópolis, onde o rap feminista é bastante presente.

 

Rap Plus Size: Já cantamos em Floripa em um evento organizado pela Batalha das Minas, em 2016, e foi maravilhoso, casa lotada e uma energia incrível.

 

Mais que um show foi uma experiência de troca com as meninas e fizemos muitas amizades, que levamos pra vida.

 

A expectativa é ótima. Rever as parceiras, as fãs e fazer um show incrível.

 

➤ As batalhas de freestyle estão em uma crescente nos grandes centros do país, no entanto, ainda não têm a mesma força no interior. Quando vocês acreditam que isso ocorrerá? Como chegar no interior?

 

Rap Plus Size: Olha, pelo menos aqui em São Paulo, vemos uma força muito grande, pois as batalhas têm mantido a cultura viva em algumas cidades. Sabemos que estamos falando de SP e, fora desse eixo, tem lá suas problemáticas, porém, acredito que cada dia cresce mais e as batalhas têm muita importância pra cena.

 

 

➤ Vocês tiveram algum receio antes de começar a trabalhar o rap da forma como trabalham? Pensaram que haveria resistência? Vocês enfrentaram resistência e preconceito? Sim, ou sim?

 

Rap Plus Size: Quando nos unimos para trabalhar o Rap Plus Size, decidimos unir nossas coisas em comum e cada uma com suas particularidades. Foi algo natural, que vem se fundindo cada dia mais.

 

Resistência e preconceito sempre vai ter, né? Ainda mais quando se trata de duas minas gordas e periféricas, uma mulher negra e outra que não "performa" feminilidade.

 

Não foi e nem é nada fácil, porém, acreditamos que estamos no caminho certo e assim seguimos firme.

 

➤ Como é o processo criativo de vocês? Vocês compõem juntas? Quem faz o quê? Como funcionam?

 

Rap Plus Size: Normalmente escrevemos juntas, ou alguém tem alguma ideia ou escreveu algum verso e aí unimos nossas ideias e fechamos o som.

 

➤ O primeiro álbum de vocês contém diversas parcerias de trabalho e foi lançado em 2016. O que mais estão maturando nos últimos tempos, com quem estão criando e desenvolvendo parcerias?

 

Rap Plus Size: Sempre buscamos fazer música com pessoas que temos uma certa intimidade ou até  mesmo questões ideológicas parecidas. Estamos trabalhando no próximo disco, porém, não podemos ainda soltar nomes, mas acreditem: vão se surpreender...

 

 

➤ A carreira de vocês ainda está começando apesar dos altos números que já atingiram. Vocês têm uma meta com o trabalho? Algo como: queremos que o nosso trabalho empodere mais e mais mulheres… ou queremos que nossa mensagem chegue ao exterior…

 

Rap Plus Size: temos diversas metas com nosso trabalho, alcançar mais pessoas, com certeza, mas temos mais de 13 anos de caminhada cada uma, estamos buscando lançar o novo disco e propor novas perspectivas para além do que o sistema nos oferece. Espero que seja essa mensagem absorvida pelas pessoas que ouvirem nosso trabalho. O que a gente espera mesmo é uma revolução de fato, de mentes e espaços.

 

➤ Falando nisso, vocês conhecem outros grupos ou artistas que abordam as mesmas questões  que vocês - em especial o tema da gordofobia - em outros lugares, tanto no Brasil como no exterior?

 

Rap Plus Size: é raro ver pessoas que abordem esse tema de maneira objetiva e positiva. A primeira pessoa que abordou esse tema, no Brasil, foi o Markão Aborígene, ainda assim, sob uma perspectiva de homem gordo e tal.

 

Na América Latina, desde 2009, as Krudas Cubensi já faziam um som falando sobre empoderamento gordo! E a gente foi descobrir o trampo delas em 2016. Então ainda tem muita coisa pra ser debatida.

 

Esperamos que o rap plus size possa ser além de uma referência sobre o assunto, mas que nossas ideias possam agregar nesse debate de corpo gordo e gênero.

 

 

➤ Para encerrar, por que o público de Florianópolis deve prestigiar ou conhecer o trabalho de vocês? Façam uma espécie de convite ao show.

 

Rap Plus Size: Sabemos que em Floripa já tem muita gente que curte o nosso trampo e também acompanha o trabalho das minas no geral! Mas, gostaríamos de convidar especialmente mais mulheres cis e trans que não conhecem nosso trabalho para ouvir e assistir ao show!

 

 

Esperamos que gostem e possam levar algo da nossa mensagem para suas vidas e corações. Nos vemos amanhã Floripa!

 

 

Fotos:

Divulgação RAP Plus Size 

 

 

 

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