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Quem Vamos?

30 Nov 2017

 

A história de uma dissidência, somada ao embaralhado cenário eleitoral para 2018, temperam a vinda do líder do Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST), Guilherme Boulos, a Florianópolis. A visita também significou uma movimentação sutil - ou nem tanto - no que diz respeito às alianças eleitorais, à construção de projeto de governo e ao debate de ideias sobre os rumos da sociedade.

 

As relações entre PT e PSOL sempre doeram na carne. Os amarelos surgiram em 2004 como uma dissidência dos vermelhos. Eram os primeiros anos do governo Lula e o escândalo do mensalão estouraria no ano seguinte. Apesar de se apresentarem aos seus eleitores no campo da esquerda, PT e PSOL confrontam ideias em muitos debates. Combateram o impeachment contra Dilma Rousseff juntos, mas nunca foram aliados no governo e não costuraram nenhuma aliança eleitoral significativa nos estados e capitais.

 

Em função dessas escolhas, cada um no seu canto, sente as fortes dores da ascensão dos políticos conservadores do Oiapoque ao Chuí. A urna costuma não perdoar quem erra na costura. Dirigente do MTST, um dos principais movimentos sociais do Brasil, que completa 20 anos em dezembro e mantém relevantes ocupações de terra no país, especialmente em São Bernardo, Boulos está na linha tênue que separa o PT, o PSOL e suas histórias. Caso se mova bruscamente, a linha arrebenta.

 

Alianças paras as Eleições 2018

 

Conseguiria Boulos Boulos protagonizar a união das duas siglas e trazer os aliados históricos do PT, como o PCdoB e o PDT junto? Nesse momento, parece pouco provável. Todos esses partidos apresentaram suas pré-candidaturas. O PT ainda conta com Lula, o PDT tem Ciro Gomes, o PCdoB tem Manuela D'avila e uma corrente do PSOL está com Nildo Ouriques.

 

Enquanto a candidatura do ex-presidente Lula permanece incerta em função da sua situação na Lava Jato, o PSOL acaba de convidar Boulos para ser candidato a presidência com eles, depois que Chico Alencar declinou desta ideia e enquanto Nildo não formou consenso internamente. Apesar do convite, Boulos se mantém “parado”.

 

 

“Faço parte do movimento social, sou dirigente do MTST, tenho bom diálogo com dirigentes do PSOL, assim como tenho bom diálogo com dirigentes do PT. O que está colocado hoje para a direção do MTST e, para mim, como parte do movimento, é um debate sobre reorganização da esquerda brasileira. Nesse momento, nosso foco é construir luta social, fortalecer o processo de resistência e, ao mesmo tempo, debater projeto através da plataforma Vamos. É isso que a gente tem feito. O debate de 2018 tem que ser deixado para 2018”, disse Boulos.

 

Apesar da esquiva, o projeto de Boulos para 2018 tem ligação direta com o Vamos e a atividade da plataforma está a pleno vapor. Na escadaria da UBRO, quintal do diretório municipal do PSOL, Boulos falou aos militantes do partido durante aproximadamente 30 minutos. Apresentou o Vamos, falou em unidade e fez uma análise de conjuntura, criticando o nível da democracia brasileira.

 

“Temos uma regressão da democracia no Brasil, que nunca foi, é verdade, uma democracia plena. Aquele regime de transição que vem após o regime militar nos anos 1980 foi um grande acordo, um grande pacto e que não democratizou em conjunto a sociedade brasileira. Estabeleceu alguns parâmetros democráticos, mas manteve de maneira geral, um abismo, uma estrutura de desigualdade”, declarou Boulos.

 

Quem vai, quem fica?

 

Presentes no evento, além de parte da militância do PSOL, os principais quadros do partido em Florianópolis: o professor Elson Pereira, terceiro lugar nas eleições de 2016 para a prefeitura da capital, os vereadores Marquito e Afrânio, recordistas de voto nas últimas eleições, e outras lideranças. O vereador do PT, Lino Peres também assistiu o evento. Será que ele vai?

 

 

Crítico de Temer, Boulos apontou os retrocessos do atual governo, destacando as principais políticas implementadas no último um ano e seis meses, como a Reforma Trabalhista, a Lei da Terceirização e o congelamento dos investimentos sociais nos próximos 20 anos com a PEC do Teto de Gastos. Ele lembrou ainda que, na semana que vem, está pautada nova votação da Reforma da Previdência.

 

“Hoje, não há como fazer qualquer debate sem partir de uma constatação dura de que estamos vivendo um tempo de regressão. Se fizermos um balanços histórico, em um ano e meio, o que esse governo golpista do Temer impôs de agenda ao Brasil, significa um retrocesso de mais de 50 anos nas pautas históricas dos trabalhadores e da maioria do nosso povo”, lamentou Boulos.

 

Afrânio, o anfitrião

 

 

“Boulos faz parte de um evento que se chama Nacionalização das lutas do povo que nesse momento está recebendo uma carga muito negativa da crise e ele é um simbolismo dessa luta e também de unidade do povo sem medo. Foi muito positiva a vinda dele, sinceramente eu saio desse evento bastante convencido de que o caminho é organizar o povo”, disse Afrânio, anfitrião de Boulos na capital.

 

Questionado sobre a candidatura, Boulos novamente saiu pela tangente:

 

“Esse debate no MTST não está colocado nesse momento. Tenho discuto com dirigentes do PSOL, evidentemente existem conversas, elas sao públicas inclusive, mas nós achamos que antecipar esse debate não ajuda em nada. Esse é o momento para enfrentar a Reforma da Previdência, focar na luta social, discutir projeto de país, mas não é momento para antecipar o calendário eleitoral. Uma esquerda que de depois de tudo que aconteceu continuar pautando sua agenda unicamente pelo calendário eleitoral demonstram muita cegueira” defendeu Boulos.

 

 

Fotos:

Bianca Taranti / Estopim coletivo

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