• Estopim Coletivo Facebook
  • Estopim Coletivo Instagram
Please reload

Ouça! Com a palavra, elas!

8 Mar 2018

 

O oitavo dia do mês de março é emblemático no Brasil e em diversos locais do mundo. Neste dia, uma série de mobilizações feministas ocorrem para registrar o Dia Internacional de Luta das Mulheres e evidenciar que elas ainda sofrem preconceito, são violentadas, desrespeitadas, oprimidas, depreciadas, silenciadas... TODOS OS DIAS e para lembrar que muitos hábitos precisam mudar em nossa sociedade e muitos privilégios precisam ser revistos se queremos um mundo em plena igualdade de gênero.

 

No intuito de conhecer e mostrar as lutas de diversas mulheres, percorremos a cidade e ouvimos suas histórias. Flávia Person nos contou sobre a experiência na direção de um documentário sobre Antonieta de Barros. Person é militante feminista - na cidade e na vida - e integra o bloco Cores de Aidê, onde mais de 100 mulheres batucam com maestria. A personagem, Antonieta de Barros, educadora florianopolitana e, nada mais, nada menos, do que a primeira mulher e a primeira negra a se tornar deputada no Brasil.

 

Também trocamos uma ideia para lá de interessante com Andressa Versa, rapper e também militante feminista. Integrante da Trama Feminina, da Dissemina produções e figura cativa nas batalhas de rap de Florianópolis, em especial as batalhas da Alfândega, da Costeira, da Beiranoia - na Beiramar de São José - e, naturalmente, da batalha das mina, que ocorre aos sábados no Terminal Velho.

 

Ao longo da edição, Person e Versa contarão mais detalhes das suas histórias e, além delas, nossa equipe realizará novas entrevistas e reportagens ouvindo mulheres de luta. São surpresas que habitam o futuro. Chegarão logo ali. Segura as pontas!

 

Gente, e o carnaval?

 

O carnaval acabou, mas a vida, ah... essa não. É uma engrenagem de movimento constante. Em Florianópolis, a Copa Lord sagrou-se campeã com o enredo Manjericão — Um banho de fé. A vida no barracão das escolas, entretanto, continua agitada. Quem pensa que carnaval é só em fevereiro está enganado. Por isso, a equipe de reportagem do Estopim visitou duas comunidades e conversou com matriarcas do samba.

 

A primeira, Uda Gonzaga, integrante da Copa Lord. Está felicíssima com o título daquela que chama de a mais querida, a sua escola do Morro da Caixa. Uda conversou com a nossa reportagem sobre a Copa Lord, o morro, a carreira como professora, o trabalho social e religioso. Emocionou-se em meio às recordações do marido, Armandino Gonzaga, que presidiu a Copa por 18 anos, e das batalhas por melhorias na sua comunidade.

 

A segunda, Valdeonira dos Anjos, da Dascuia. Está muito contente também com o terceiro lugar da sua escola e, apesar de reclamar de certo cansaço em função dos cuidados que o quadro de saúde do marido lhe exigem, disse que sabe que ele faria o mesmo caso ela estivesse enferma. Valdeonira é casada com Altamiro dos Anjos, o Dascuia, que dá nome a escola de samba deles e é um das mais queridas figuras do carnaval de Florianópolis. Durante uma tarde de emoções e risadas, Valdeonira falou sobre os problemas e alegrias do Morro do Céu, sua carreira como professora, sua ligação e motivação com o carnaval. Seu Dascuia, bastante debilitado depois de um acidente vascular cerebral, acompanhou nossa conversa de perto. De camarote.

 

Para os padrões do jornalismo, pode parecer carnaval fora de época. Mas, agora, quando as câmeras de televisão não se voltam para eles, ligamos nossos gravadores para ouvi-los conhecê-los e focamos nossas lentes naqueles que têm o carnaval nas veias e na vida. Estamos conhecendo gente muito simples, determinada e que receberia nota dez no quesito: amor pela comunidade.

 

Desculpas esfarrapadas e rotativas ligadas

 

Precisávamos faxinar a casa, arredar móveis, tirar os confetes das frestas, mudar algumas coisas de lugar e até encontrar alguns integrantes perdidos em meio ao pó, antes de nos apresentarmos de cara limpa em 2018. Não, caro leitor, o Estopim não está perdido no tempo, nem ficou em coma. A segunda parte do mês de fevereiro serviu para organizarmos a redação e darmos o primeiro grande fôlego de conteúdo para 2018.

 

Uma edição conjunta! Devido a essa de (des)organização, a revista Estopim intercalará os conteúdos de março com dois fios condutores: o carnaval, engatados nas escolas de samba e a vida nas comunidades em que estão inseridas, e a luta das mulheres, com gancho no 8m e nas histórias de mulheres que enfrentam o preconceito, combatem o machismo, alteram suas realidades...

 

Voltamos e, como diria um rei - de reinado muito duvidoso - agora é pra ficar. Após nos recuperarmos da ressaca de carnaval, colocamos o pé no acelerador, chutamos as cinzas da quarta-feira e saímos em disparada atrás do prejuízo e dos atrasos criados por nós mesmos.

 

Saindo do carnaval ainda mascarado, o Estopim não vai só misturar as temáticas de duas edições em um mês só, como vai confundir ainda mais. Se acaso o leitor queira, e clame, por organização, os textos referentes ao carnaval estarão catalogados no site como edição 10, enquanto aqueles com temática nas mulheres, estarão na edição 11.
 

Confira a programação do 8m em Florianópolis:

 

 

 

 

Ilustração: 

G. Pawlick / Estopim Coletivo

Share on Facebook
Share on Twitter
Please reload

Gostou da leitura?

Assine a revista Estopim Coletivo

e financie a produção de conteúdo independente

sobre política e cultura.

Please reload