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Nove audiovisuais sobre democracia

20 Jul 2017

 

Um ano depois da consolidação daquele processo que parte dos brasileiros chama de impeachment e parte chama de golpe, ou seja, daquele processo que defenestrou Dilma Rousseff do Palácio do Planalto, estamos num país onde paira um alarmante clima de instabilidade e de testes ao ainda jovem sistema de governo que adotamos: a democracia.

 

O comando da nação deixamos à disposição do vice eleito com Dilma Rousseff em 2014, Michel Temer. Naquelas eleições, às custas de alguns avanços sociais, maioria do eleitorado manteve o grupo político que governa o país desde 2003, ignorando o fato de que a permanência no poder - assim como a chegada - exigia uma coligação partidária um tanto temerária.

 

Distintas forças políticas do país se misturaram, depois se desentenderam, se traíram e, atualmente, Michel Temer, a eminência parda de comando de uma equipe de governo que idealiza reformas catastróficas, herdou a faixa presidencial.

 

Diante deste cenário, e como gostamos de um videozinho como forma de entretenimento, reunimos sugestões de documentários, programas televisivos e webséries disponíveis no Youtube, que discutem essa tal democracia. Visitando o passado, as revoluções, os golpes, as repressões sangrentas e letais, são vídeos capazes de gerar reflexão sobre o tempo presente e, em alguns casos, explicá-lo.

 

1. Why democracy?

 

Irônico, didático, artesanal. Why Democracy? é de 2016 e se divide em duas partes complementares. Narrados em espanhol, os vídeos traçam uma genealogia do sistema de governo praticado na maioria dos países do mundo há 200 anos, a democracia. Enfatiza a dimensão discursiva da ideia compartilhada de democracia, identificando as diferenças entre governos ocidentais contemporâneos e a democracia ateniense (seu suposto modelo), para concluir que se tratam de pares opostos. Aponta para a criação dos medíocres nos partidos políticos e aborda o conceito de polarização das linhas ideologias das minorias envolvidas na vida partidária. Why Democracy foi produzida pela Whymaps.

 

 

2. Requiem for the american dream

 

Em Requiem for the american dream, o linguista Noam Chomsky, um dos mais influentes intelectuais da atualidade, explica como a desigualdade fragiliza a democracia. Sua análise parte do modelo americano, o autodeclarado foco irradiador de liberdade do nosso tempo. Chomsky localiza, desde o momento da fundação dos EUA como nação independente, as incompatibilidades entre as bases ideológicas dos ditos fundadores e a democracia. Mais uma vez, opõe-se democracia e governo representativo. Entre outras noções de abalo à democracia, o linguista questiona a supremacia do capital nas eleições e a falsa representatividade dos políticos em relação ao povo.

 

 

3. Chumbo Quente


A série de programas Chumbo Quente, do Observatório da Imprensa, tem foco na ditadura de 1964 no Brasil. Dividida em quatro programas e conduzida pelo jornalista Alberto Dines, a série ouve intelectuais e pesquisadores sobre o regime militar e tem como pano de fundo a atuação da imprensa na conspiração do golpe de estado contra João Goulart desde a renúncia de Jânio Quadros.

 

 

4. Como lidar com os efeitos psicossociais da violência?

 

Organizada pelo Centro de Estudos em Reparação Psíquica de Santa Catarina (CERP-SC),  a terceira aula do curso “Como lidar com os efeitos psicossociais da violência?” aborda a temática da violência policial. Não é fortuita a seleção do tema e sua presença nesta lista! O CERP-SC é uma realização da Comissão de Anistia do Ministério da Justiça, no âmbito do Projeto Clínicas do Testemunho, orientado ao aprofundamento da Política Nacional de Promoção da Justiça de Transição e da Anistia Política.

 

A aula que destacamos é ministrada por Dario de Negreiros e Elisandro Lotin, desde os seus lugares de fala enquanto acadêmicos e também a partir da vivência de Lotin como cabo da Polícia Militar e presidente da Associação Nacional de Praças (Anaspra). O vídeo carece de recursos gráficos animados e trilhas engrandecedoras, mas oferece toda a emoção de uma sala de aula comum, que hospeda discussões sobre o autoritarismo encarniçado na sociedade brasileira e a tensão entre controle social e segurança pública.

 

Sumariamente, questiona a manutenção de um estado oligárquico de direito sob fachada democrática. Uma excelente contribuição para a análise crítica das nossas polícias, partindo de um desenho institucional da segurança pública legatário da ditadura e, ainda mais grave, endossado pela Constituinte de 1988, no momento paradigmático da chamada transição democrática.

 

 

5. Greg News

 

O Programa GregNews vai ao ar toda sexta-feira na HBO e tem muitas edições recomendáveis. Destacamos o episódio sobre Eleições onde se questiona a eficácia do nosso sistema eleitoral e os limites da representatividade. Novamente, elementos comumente associados à democracia são identificados com práticas aristocráticas, plutocráticas.

 

Começar pelo começo, no episódio de estreia do programa, e assistir tudinho, até chegar ao mais recente, também seria uma ótima maneira de acompanhar esse conteúdo. Gregório Duvivier é um dos humoristas mais lúcidos em atividade no país. Em vez de fazer reverberar preconceitos, como se mantêm alguns comediantes por aqui, Gregório aborda com maestria os acontecimentos recentes da política brasileira, em que algumas piadas já vêm prontas.

 

 

6. Resistir é preciso

 

 

Exibida pela TV Brasil, a série Resistir é preciso narra em 10 episódios a trajetória de jornais e revistas da imprensa alternativa e clandestina, que surgiram em oposição à ditadura militar brasileira, como O Pasquim, Opinião, Pif-Paf e O Movimento. Uma série fundamental, que relata a resistência dos jornalistas contra os abusos da tortura, da censura e do silenciamento da ditadura militar. A série também conta a história de jornalistas de resistência de outras épocas, como Cypriano Barata, Frei Caneca e Libero Badaró.

 

 

7. Tempo de resistência


O gancho do documentário Tempo de resistência também é a ditadura militar iniciada em 1964. Nos primeiros minutos, Jango fala aos trabalhadores no comício pelas reformas de base, no Rio de Janeiro, em 13 de março de 1964. O foco do documentário, entretanto, está nos movimentos sociais e grupos de guerrilha que combateram o regime instaurado naquele ano e retrata o período de repressão com depoimentos de Franklin Martins (MR-8), Teresa Jemma (AP) entre outros.

 

 

8. Era das utopias

 

Era das utopias é uma série dirigida por Silvio Tendler e exibida na TV Brasil em 2009. A série se divide em seis episódios. No primeiro, Novas utopias: o futuro nos espera, Edgar Morin abre-alas dizendo algo mais ou menos assim: “O século XXI é a crise da modernidade, é a crise da razão, é a crise do progresso, é a crise da democracia, é a crise generalizada da humanidade” e encerra com Eduardo Galeano esperançoso:

 

“Em todo caso é certo, que por pior que estejamos, não estamos acabados. E que se não estamos acabados, podemos reinventar-nos, fazer-nos de novo, fazer-nos de outra maneira. Para que o mundo seja a casa de todos e não um campo de concentração para a maioria dos habitantes. E para que sejamos capazes de recuperar a visão do outro, do próximo. Desse que passa pela rua. Desse homem, ou dessa mulher desconhecidos, que andam por aí, e deixar de vê-los como uma ameaça, para começar a vê-los como uma promessa.” 

 

Era das Utopias tem ainda depoimentos de Noam Chomsky, Leonardo Boff e mais um calhau de gente fina pra caramba. Aliás, recomendamos o consumo da obra documental de Silvio Tendler sem moderação. Seu trabalho aborda a história do Brasil perpassando as trajetórias de brasileiros, como Getúlio Vargas, João Goulart e Juscelino Kubistchek. Em Os anos JK, o político mineiro é o centro da narrativa, mas o documentário aborda acontecimentos históricos do Brasil desde o retorno de Getúlio Vargas ao poder em 1950, o golpe de 1964, a tentativa de impedir a posse de Juscelino, seu governo e sua morte. Todos esses documentários também estão disponíveis no canal da Caliban filmes no Youtube.

 

 

9. Estado, democracia e capitalismo

 

Em junho deste ano o programa Justificando, da revista CartaCapital, entrevistou o professor de Filosofia Camilo Caldas. Nos primeiros minutos Caldas responde a seguinte questão: “O povo não vota mal, não vota bem, aliás, o povo não faz diferença na nossa estrutura democrática.” Segundo o professor, existe um mito em torno da responsabilidade do eleitor sobre o mau funcionamento da democracia no Brasil.

 

 

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Ilustração:

4-designer

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