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Neste gabinete, trabalha uma mulher feminista e lésbica

12 Jun 2018

Ela entrou na política pela porta do movimento LGBT. Diz-se petista desde criancinha, quando pedia para ir aos comícios de Esmarlei, a primeira mulher que viu disputando um espaço de poder entre tantos homens. A eleição de Lula em 2002 foi arrebatadora e Carla Ayres decidiu se filiar ao Partido dos Trabalhadores naquele ano.

 

Terceira suplente do PT na Câmara de Vereadores da Ilha de Santa Catarina, Carla participa de um rodízio do exercício do mandato do PT na capital. Nesta entrevista, descubra quais são as intenções dela a frente do mandato e como tentará marcar sua passagem na Câmara em pleno mês do orgulho LGBT.

 

 

| A ENTREVISTA |

 

➤ Explique como vai funcionar esse mandato?

 

De fato, só para os nossos leitores entenderem esse sistema de rodízio, foi uma decisão coletiva entre o mandato do Lino, os suplentes do Partido dos Trabalhadores e a própria executiva do PT de que a gente se revezasse neste mandato porque faz parte de um projeto coletivo.

 

O mandato do Lino vai abrir esse espaço por 2 meses a cada ano de modo que esses dois meses vão ser ocupados por um suplente do Partido dos Trabalhadores. Eu sou na verdade a terceira suplente, mas pela situação que o país está passando, a questão da Democracia, a retirada de direitos e a necessidade de reafirmar algumas defesas e, além disso, porque o junho, é o mês do orgulho LGBT, seria interessante eu assumir. Então o primeiro e o segundo suplente, o Nildão e o Cadu, abriram mão nesse primeiro momento para que eu assumisse agora. Em agosto, o Cadu vai assumir também por um mês.

 

➤ Será um período curto, mas imagino que você está determinada a marcar esse período. O que você pretende deixar?

 

A ideia é marcar posição de fato, mas como falei na posse, a gente não precisa reinventar a roda. Os mandatos do PT têm uma característica de valorizar a participação social acima de tudo.

 

Então, nesse mês, quero pegar as decisões e as discussões das conferências públicas, os relatórios das conferências, os Planos Municipais de Política que já existem, tanto na questão das mulheres, como na da juventude e da população LGBT e apresentar Projetos de Lei, iniciativas e resoluções que atendam a esses planos.

 

De fato, não vou tirar de cartola nada, mas tirar do papel políticas que foram discutidas por essas populações. É dessa forma que eu pretendo marcar esse mês. 

 

É importante dizer também que o vereador Lino presidia a Comissão em Defesa dos Direitos das Mulheres aqui da Câmara e eu assumo essa presidência. É a primeira vez que uma mulher assume, porque a Vereadora Maria da Graça, no início desta Legislatura, abriu mão.

 

Nós teremos três reuniões ampliadas do Conselho e a ideia é que o nosso Conselho possa ser acolhedor ao movimento social. Fizemos uma reunião dia 11 no Jardim Atlântico e, no dia 18 de junho, vamos fazer uma reunião ampliada da Comissão para discutir o Plano Municipal de Política para as mulheres.

 

No dia 28 de junho, que é o dia do Orgulho LGBT, vamos fazer uma reunião ampliada para discutir o Plano Municipal de Política LGBT. Então será um mês intenso de participação social e é assim que vamos mexer com as estruturas aqui da casa.

 

➤ Como é que você sentiu sua recepção? Você acha que conseguirá fazer um trabalho bacana. Vai ter alguma amarra pelo fato de ser mulher feminista e lésbica?

 

Se a gente for pensar, tivemos poucas mulheres na história da Câmara. A Angela Albino estava na minha posse e lembrou que apenas oito mulheres tiveram mandato, contando com a Maria da Graça. Mas, no coletivo, eram mulheres de luta.

 

Nós tivemos mulheres de esquerda que assumiram, quando o PMDB ainda era um partido progressista e não golpista. No início dos anos 1980, tivemos a Clair Castilhos, tivermos a própria Angela Albino, mas, independentemente de ser mulher de esquerda ou de direita, a política é sempre hostil para as mulheres, porque é um espaço historicamente ocupado pelos homens, que veem sempre uma ameaça na ocupação desse espaço por mulheres.

 

Na posse de fato tinham alguns vereadores que prestigiaram e se colocaram à disposição e abertos, mas a gente vai ver como isso vai se dar de fato no plenário. Alguns vereadores que nós sabemos que têm alguns posicionamentos mais polêmicos em relação às nossas pautas não foram na posse e vamos lidar com eles diretamente no Plenário.

 

Independentemente disso, penso que é importante enfrentar e demarcar posição. Se vai ser hostil ou não, o movimento social de mulheres espera que tenha esse enfrentamento. O Partido dos Trabalhadores também espera essa defesa segura do nosso legado, da Democracia, então é um desafio, inclusive, enfrentar essas utilidades.

 

➤ Ano passado a gente conversou e você demonstrou interesse em ser candidato a deputado estadual. Essa pretensão permanece firme?

 

Essa pretensão continua. No dia 25 de maio, houve um lançamento da pré-candidatura Nós ainda estamos trabalhando com a pré-candidatura esse mês aqui vai dar um stand by na vação direta, mas estou pré-candidata a deputada estadual pelo PT.

 

Temos ainda poucas pré-candidaturas de mulheres colocadas no cenário, mas estou firme o Partido dos Trabalhadores encampando esse desafio também e espero que assim como aquela candidatura em 2016 para vereador apareceu uma utopia e estamos aqui hoje tomando posse, que agora na Assembleia, tenha o mesmo resultado feliz.


➤ Estou vendo que você está com semblante animada mas também com os olhos cansados. Como é que está o coração e a mente nesses dias com essa experiência nova?

 

É uma experiência nova e acho que o que mais me deixa com esse semblante de preocupação é saber da responsabilidade que é assumir esse espaço. É uma expectativa tanto para o partido, como para as mulheres do partido.

 

É uma expectativa de todas as companheiras por esse momento, mas eu acho que também é uma expectativa da oposição em relação a isso. Há olhares esperançosos de que seja um sucesso e penso que também há olhares esperançosos de que seja um desastre.

 

Lidar com essa dupla expectativa que eu sei que há, coloca uma responsabilidade nesse momento, até porque é muito pouco tempo. Eu sei que eu tenho não que mostrar serviço, mas ser coerente com aquilo que eu tenho defendido. Essa expectativa dá um pouco de cansaço, não a ponto de esmorecer ou desistir, mas é essa coisa de saber da responsabilidade mesmo.

 

➤ Carla, o que você gostaria de dizer para encerrar?

 

Gostaria de reafirmar que o espaço do mandato do vereador Lino Peres continua aqui. Estou ocupando o mesmo espaço que o vereador. As pautas prioritárias do gabinete do mandato não serão paradas. Nós acrescentaremos as nossas pautas nesse momento, entretanto é o meu mandato.

 

Estou trazendo algumas pessoas da equipe, mas majoritariamente, fica a equipe do vereador. O espaço do vereador continua aberto aos movimentos sociais, que é uma característica não só do mandato do Lino, mas uma proposta dos mandatos populares do PT. E eu gostaria de reafirmar que o gabinete aqui no quinto andar está aberto.

 

 

Foto de Destaque:

Jeane André

Foto do matéria:

Jeronimo Coelho/Câmara de Vereadores

 

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