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Ideli quebra o silêncio

A mudança nos ventos políticos do continente fez Ideli Salvatti pedir desligamento da Secretaria de Direitos Humanos da Organização dos Estados Americanos (OEA). Aposentada, desembarcou no Brasil há pouco mais de dois meses e retoma, aos poucos, suas atividades como militante petista. Ideli foi personagem central dos governos Lula e Dilma e ajuda o partido a se articular para 2018. Sua vontade pessoal, entretanto, é de não concorrer nas eleições.

 

Líder sindical, duas vezes Deputada Estadual em Santa Catarina, Senadora e Ministra de Estado nos governos petistas, Ideli é um dos nomes fortes do partido no estado e enfrenta pressão de Lula para ser candidata. O ex-presidente quer os caciques do partido disputando vaga na Câmara.

 

Nesta entrevista exclusiva concedida ao Estopim, Ideli Salvatti falou sobre a perda do companheiro petista e pai dos seus dois filhos, Eurides Mescolotto; as atividades com as quais se comprometeu depois do retorno ao Brasil; a relação com companheiros históricos de partido, como José Dirceu e Dilma Rousseff; a situação das delações em que foi citada na Lava Jato e outros assuntos quentes sobre os quais jamais conversaria com a imprensa nesse momento porque, segundo ela, “não há necessidade.”

 

 

| A ENTREVISTA |

 

➤ Recentemente tivemos a perda de Eurides Mescolotto, que foi primeiro candidato a governador do PT aqui em Santa Catarina. Qual a dimensão dessa perda para o partido? E pessoalmente para a senhora, já que ele é pai dos seus filhos?

 

Pessoalmente, indiscutivelmente foi uma perda, pelo que ele representou na minha vida, pelo tempo que estivemos casados, os dois filhos e quatro netos que temos, então, em termos familiares, principalmente meus filhos, ficaram muito abalados, por conta da perda, mas também pela maneira, porque foi um câncer extremamente agressivo, que quando se confirmou, na sequência, ele já faleceu.

 

Em termos políticos, o Eurides é uma perda indiscutível para o nosso partido. Ele é fundador do PT, foi da direção nacional, teve participação muito ativa na construção do PT não somente aqui no estado, como também nacionalmente. Foi candidato e manteve durante o período que esteve à frente do Besc e da Eletrosul duas administrações extremamente exitosas nesses órgãos tão importantes para o desenvolvimento de Santa Catarina.

 

Ele tinha algumas características muito diferentes das minhas. Eu sou mais impulsiva, mais apaixonada e ele uma pessoa mais ponderada e que era fundamental em termos de reflexão, desenhar cenários e definir rumos. Então, indiscutivelmente, fará falta, ainda mais no período em que estamos, quando pessoas que ajudam a fazer a boa reflexão e a boa análise são fundamentais.

 

➤ Como está sua militância no PT catarinense? Vem participado das reuniões de articulação do partido ou está retornando aos poucos?

 

Estou aterrisando ainda, porque fiquei esses dois anos e três meses nos Estados Unidos, na OEA. O retorno definitivo ao Brasil foi no dia 29 de setembro, não estou nem há dois meses aqui. E estou numa situação assim: meu marido é militar e ele está trabalhando em Brasília, então fico um tempo lá, um tempo aqui. Mais lá, do que aqui.

 

Nacionalmente já me coloquei à disposição, tive diversas conversas com a Gleisi [Presidente Nacional do PT] e com Gilberto Carvalho, então tem algumas tarefas que eu me prontifiquei a desenvolver.

 

A primeira delas um evento que ocorreu no Senado, um debate no Plenário do Senado com ex-senadores e senadoras que tiveram atuação no tema da soberania nacional. A ideia foi trazer essas personalidades que marcaram os grandes debates, as grandes ações do Senado para poder trazer um pouco o conselho dos anciãos, os que têm uma larga experiência, visão e militância na defesa do patrimônio e da soberania nacional, que possam ajudar.

 

➤ Fontes do PT afirmam que a senhora não tem vontade pessoal de ser candidata em 2018…

 

Estão cheios de razão. Minha vontade é zero.

 

 

➤ No entanto, o ex-presidente Lula...

 

Ah, eu tô fugindo dele como o diabo foge da cruz. Ele já mandou alguns recados e eu digo: não quero te ver.

 

➤ Então, ele quer os caciques do partido na Câmara, não é? Como a senhora vai lidar com essa questão?

 

Eu vou ajudar o partido a ter uma boa bancada, mas candidata não tenho essa disposição. Dizem que, na política, a gente nunca deve dizer nunca, mas como eu já disse. Acho que tenho um trabalho realizado e dei minha contribuição. Eu fiquei afastada do estado. Diferentemente dos anos como Senadora, que eu ficava lá três dias e nos demais ficava aqui, circulando e atuando, no período dos três ministérios ai ja reduzi bastante, porque ficava a semana toda lá e ainda mais quando tinha alguma emergência ficava também sábado e domingo. então eu fui diminuindo minha presença no estado e, depois na OEA, aí fiquei ausente. Então é difícil, acho que nem é justo com quem está aí com a perspectiva de candidatura.

 

➤ Quais as demais missões que cumprirá no seu retorno?

 

Estou me colocando à disposição para ajudar na organização das caravanas e viagens. Não estou vinculada a nenhuma tarefa profissional, estou aposentada, felizmente, então posso ajudar.

 

Aqui no estado não vou ficar com tanta frequência. Vou participar quando possível, como participei agora do debate do programa de governo do PT, então vou ajudar de acordo com as minhas possibilidades de tempo. Uma das coisas que é muito importante fazer, para mim, é resgatar algumas coisas que foram muito fortes e têm ligação com meu mandato e com políticas públicas do presidente Lula e da presidente Dilma, sendo a mais importante a expansão do ensino federal no estado.

 

Quando o Lula assumiu tínhamos a Universidade Federal somente aqui em Florianópolis. Hoje temos uma segunda universidade em Chapecó, a Fronteira Sul, e a Universidade Federal está em Araranguá, Curitibanos, Blumenau e em Joinville. Então temos ensino superior federal em todas as macrorregiões do estado, uma ampliação de acesso muito importante.

 

E com relação aos institutos federais, aí foi de lavada, porque quando o Lula assumiu tínhamos a Escola Técnica, na Mauro Ramos, a Escola Técnica, em São José, e um arremedo, uma escola adaptada em Jaraguá do Sul e um curso de enfermagem, numa sala cedida pelo Sindicato dos Mecânicos, em Joinville. Essa era a rede de ensino técnico. Além disso, tínhamos escolas agrícolas em Sombrio, Concórdia e Rio do Sul e a Universidade Federal tinha um colégio agrícola em Camboriú. Esse era o ensino profissionalizante. Quatro unidades voltadas para o mundo rural e duas e meia, posso dizer assim, voltadas para o ensino tecnológico.

 

 

Hoje, além de termos dois institutos, o Instituto Federal Catarinense e o IFSC, estamos com unidades em aproximadamente 40 cidades, multiplicando por seis. Hoje, seja a presença das duas universidades, ou dos dois institutos, estamos em Santa Catarina, com ensino federal em praticamente todas as grandes e médias cidades, uma ocupação e acesso extremamente significativos.

 

Por isso, estamos fazendo contatos. Ontem [20/11] estive na UFSC. É importante voltar, porque tem muita gente nova, que não sabe, acha que é cogumelo que brota depois da chuva. Não entende qual foi o processo, a política, o esforço, o que envolveu para, hoje, termos essa realidade tão ampla de oferta de ensino federal.

 

➤ A senhora entende então que esse trabalho voltado a educação é o que deve ser resgatado pelo PT catarinense?

 

Não digo que deva ser resgatado pelo PT, mas pelo próprio estado de Santa Catarina. Inclusive porque teremos tempos muito difíceis, porque com a regra do Teto de Gastos, congelando investimentos na educação por 20 anos, nesses primeiros contatos que comecei a fazer nos institutos, o pessoal já me relatou situações do seguinte tipo: foi aberto um plano de demissão voluntária (PDV) e a pessoa que adere ao PDV, quando sai, o cargo é extinto. Então, se em algum curso ocorrer uma baixa de três professores, por exemplo, o que deve acontecer, na sequência, é o fechamento do curso, porque não terá professores suficientes já que não se pode mais ocupar um cargo que deixa de existir.

 

É uma política de extinção que já está desenhada. As pessoas e a comunidade têm que entender a importância de se mobilizar e fazer a defesa desses instrumentos tão importante de desenvolvimento que são o ensino superior e o ensino profissionalizante gratuito e de altíssima qualidade que nós temos.

 

➤ O pré-candidato à presidência da República de extrema direita, Jair Bolsonaro, tem grande aceitação em Santa Catarina. qual o desafio do PT nas eleições catarinenses? Como driblar o conservadorismo?

 

Santa Catarina é um estado muito interessante. Em 2002, nós fomos, no primeiro turno, o estado que deu maior percentual de votos ao Lula. Tivemos também, ainda na época do MDB e da Arena, vitórias importantes do MDB. Santa Catarina tem essa tendência de polarizar, vai para um lado para o outro, porque é um estado que indiscutivelmente tem uma das maiores diversidades em termos étnicos, culturais, coloniais, então, isso tudo, quando fica na balança, faz oscilações às vezes interessantes, às vezes preocupantes.

 

Acho que todos nós temos que ter o devido cuidado de abrir o debate. Quero dizer o seguinte: se hoje temos, segundo as pesquisas, um Bolsonaro com percentual que, eu diria assustador, em Santa Catarina, mas temos também um histórico de poder, com o debate, e com a própria condução política, de mudar.

 

 

➤ Mas a senhora faz uma leitura positiva em relação a eleição aqui?

 

Eu acredito que, havendo eleições, não havendo a fraude da eleição sem o Lula, acho que vamos ter um momento extremamente intenso de debate e está muito recente no cotidiano das pessoas o que foi o período do Lula e da Dilma para o que está sendo agora, em termos de desmonte, de perda de direito, de piora das condições de vida, de piora da perspectiva, de desesperança. Então a minha preocupação são essas movimentações, que você vê no Judiciário.

 

O tal do Alexandre de Morais desenterrando um pedido para análise da história do parlamentarismo, que está há décadas numa gaveta. Tivemos também a negativa do recurso do Zé Dirceu contra o aumento da pena dele; o mesmo TRF negando a absolvição sumária da Marisa, que é legal, está na lei: se a pessoa morre, extingue a punibilidade, porque ninguém que está morto pode ser preso. E ao extinguir a punibilidade, você declara a inocência. E tem uma operação da Lava Jato novamente, com prisão de um ex-diretor da Transpetro, porque numa das delações, sem nenhuma prova, se fala de propina para alguém do PT.

 

E no mesmo dia, o mesmo TRF que confirmou aumento da pena do Zé Dirceu, que negou a absolvição sumária da Marisa LEtícia, reduziu a pena do Cunha, de 15 para 14 anos. Então o Cunha tem uma redução de pena e o Zé Dirceu, que não tem conta na Suíça, não tem mala, vai para 30 anos. Está escancarada a parcialidade do Judiciário. Uma parcela significativa do Judiciário tem partido, eles atuam politicamente, querem interferir. Esse mesmo TRF vai julgar a história do triplex que não é do Lula, mas que a rapaziada de Curitiba tem convicção que é, não precisa provar.

 

➤ A senhora tem contato com o Zé Dirceu? Como ele está?

 

Estive contato com o Zé Dirceu na metade do ano. Eu o visitei lá em Brasília. A pessoa que tem o histórico do Zé Dirceu, de compromisso e fidelidade aos seus princípios, ideias e com o povo, ele tem clareza do porque está lá sofrendo isso tudo. Ele encara isso como já encarou na época que foi preso político e quando foi expulso do Brasil, voltou clandestino e teve que fazer uma cirurgia plástica para isso, ou seja, uma pessoa que tem um histórico de fortaleza. Eu não tenho dúvida. Toda perseguição ao Zé Dirceu se deve pelo líder que é e pelos seus compromissos. É como a gente costuma dizer: é pelas qualidades, não pelos defeitos.

 

 

➤ Quando foi a última vez que conversou com ex-presidente Dilma?

 

Estive com a presidenta quando ela esteve em Washington, fazendo agenda lá. Tivemos oportunidade de estar juntas, eu acompanhei a agenda. Inclusive foi interessante porque não tinha estrutura, então foi o nosso carro que a levou para os compromissos. Foi bastante interessante a retomada da convivência. E assim, tem os contatos online, nos zaps da vida, mas pessoalmente a última vez que estive com ela foi em Washington em maio.

 

➤ Como foi a experiência de trabalho em Washington? O que foi possível realizar à frente daquele cargo?

 

A OEA é uma organização muito complexa, porque ela tem um conflito permanente de interesses, que é definido no Conselho Permanente onde participam com igualdade de voto uma ilha que tem 150 mil habitantes, no Caribe, e países como o Brasil e os Estados Unidos. A OEA avança ou retrocede dependendo da resultante das posições dos países. Quando eu fui para a OEA, fui dentro de um contexto.

 

Era 2015, tinha recém-assumido o novo Secretário-Geral, o Almagro, que tinha sido Ministro de Relações exteriores do Mujica, no Uruguai, e com um posicionamento muito claro. O lema dele de campanha foi: mais direitos para mais pessoas e muito focado na história da inclusão social.

 

Dentro deste contexto é que recebi o convite para incorporar a equipe e numa situação diferenciada, porque seria para uma nova secretaria, que não tinha na estrutura da administração da OEA, que é a Secretaria de Acesso a Direitos e Equidade, então fui dentro deste contexto: organizar uma Secretaria nova, com uma visão mais de promoção dos direitos, de trabalho em conjunto com os países, que teriam mais disposição e necessidade de desenvolver essas políticas.

 

 

Com o passar do tempo, as coisas mudaram de maneira significativa. A gente teve a mudança de diretriz em vários países, depois aconteceu o golpe aqui no Brasil e a eleição do Trump, então a OEA ficou uma coisa que, para o contexto que eu fui, totalmente impossível para a minha dedicação. Por conta disso, renunciei, meu marido voltou para o Brasil e fiquei sozinha lá. Então o que eu ficaria fazendo sozinha numa organização em Washington onde eu não posso desenvolver nenhum trabalho que tenha resultado?

 

Apesar de o Secretário-Geral ser eleito e ele tem uma plataforma, numa organização multilateral como essa, como é a ONU, você só faz o que os países autorizam a fazer. Ficou inviável, sem razão de ser. Então achei melhor voltar e me colocar à disposição para ajudar aqui no que eu posso.

 

➤ Sua saída da OEA está relacionada às eleições de 2018?

 

Não. A decisão foi fundamentalmente essa mesmo, de falta de perspectiva e espaço. Não tinha mais espaço para fazer nada de importante. A pessoa que foi para o meu lugar, para felicidade da minha equipe, foi o ex-deputado Maurício Rands, que foi deputado pelo PT de Pernambuco, depois ele teve uma desavença na eleição municipal de 2012, na prefeitura de Recife, acabou se desfiliando do PT, renunciou o mandato, por entender que o mandato não era dele, era do partido e só por aí já se tem uma radiografia de uma pessoa muito correta, muito integra. Eu tive uma excelente relação com ele, porque fomos parlamentares na mesma época, ele deputado e eu senadora, tivemos muita atuação conjunta em vários temas, então ficou legal, porque não estou mais lá, mas estou integrada.

 

➤ A senhora tem uma longa trajetória na política, qual foi a atividade mais instigante?

 

De todas as minhas atividades, a que eu mais aprendi e foi mais gratificante para mim, foi algo que inclusive não é muito realçado, o meu trabalho na área de movimento popular, tanto em Curitiba, quanto em Joinville na década de 1970. Era um trabalho diretamente ligado ao bairro, a própria comunidade, associação dos moradores, centro de defesa dos direitos humanos, pastoral operária, foi onde eu tive um verdadeiro doutorado em relacionamento e entendi um pouco melhor a lógica do povo, principalmente o povo mais sofrido.

 

 

Muita gente reclama que o povo não vai para a rua. Fique três horas para ir e mais três para voltar num ônibus. Depois trabalhe não sei quantas horas, desvalorizado, submetido. Aí depois você chega em casa e não tem os equipamentos e serviços públicos de água, luz adequado. Não é chegar, abrir a geladeira e ter o congeladinho pronto… Exija desta população que, depois de tudo isso, ela tenha disposição para algo. Só quando você convive, consegue entender a lógica da população trabalhadora, que é muito diferente, porque as condições são diferentes.

 

Depois teve o movimento sindical. Acho que fiz as maiores greves de professores aqui do estado. A gente chegou a botar 20 mil pessoas, fechar pontes, acampar. Outro dia encontrei o Paulo Bauer [Senador do PSDB] no restaurante da Câmara e brinquei com ele que eu tinha saudades dos “Bailões do Paulo Bauer”. É que a gente acampava na Secretaria de Educação e, na sala dele, que era mais espaçosa, fazíamos os bailes. Ele ria que se acabava. [da piada].

 

➤ Sente alguma preocupação em relação às delações que citam seu nome na operação Lava Jato?

 

Tenho tranquilidade total. Tenho muita convicção do que eu fiz, porque fiz, como fiz e com quem fiz, tanto que já tive delação arquivada, aquela que envolvia o Dalçoquio. A outra que veio para cá, que envolvia a história da Odebrecht, que é uma coisa maluca, que alguém em meu nome foi lá, pediu, mas eles não me conheciam, não sabiam, não tinham nada a ver com Santa Catarina, nem comigo. Essa também já sumiu do penal, como na delação aparece como caixa dois, parece que vai para o eleitoral e como não fui, não mandei, não deleguei, tenho tranquilidade de absolvição.

 

Tem a outra que está em Curitiba, que é a história da contribuição da Camargo. Mas a Camargo teve contribuição oficial e declarada na minha campanha. Inclusive num valor superior, o que demonstra, de forma clara, que aquela história de que eu precisava do Sérgio Machado para obter doação não se sustenta.

 

E a última, que foi divulgada recentemente no Jornal Nacional, de que a Dilma me mandou fazer as relações das brigas internas do PP com o Paulo Roberto Costa, eu nunca falei com o Paulo Roberto Costa. Aliás, a minha orientação era muito clara da presidenta, durante todo o período que fiquei na Secretaria de Relações Institucionais era de não ter qualquer tipo de envolvimento, porque o sistema de indicação e aprovação dos cargos, pelo conselho da Petrobras, não permitia envolvimento.

 

 

Só quem não conhece a Dilma ou tem má-fé para imaginar que ela daria uma ordem dessas. Estou tranquila. Todas as outras acusações, e olha que eu fui bombardeada, tive que responder por coisas de administrações anteriores, Ministério da Pesca, até a história do famoso helicóptero, que eu utilizei o helicóptero da Polícia Federal e que isso estava prejudicando o atendimento das vítimas de acidente.

 

Um dos poucos estados que tem helicóptero do SAMU no Brasil é Santa Catarina e quem conseguiu o dinheiro para o helicóptero fui eu, no Ministério da Saúde, quando eu tinha condições de fazer esse tipo de negociação. Foi engraçado, porque o Ministério Público que me acusava de estar desviando, o próprio Ministério Público utilizou o mesmo helicóptero e por isso foi arquivada a ação. Ficou tão escancarado que era uma ação política, porque eles utilizaram o helicóptero também em deslocamentos que tinham fortes características de turismo, sobrevoando o litoral de Santa Catarina.

 

 

➤ Recentemente o escândalo das Letras, que quase levou o governador Paulo Afonso ao impeachment completou 20 anos. A senhora era da oposição do governador e teve atuação destacada parlamentar neste processo. Como foi?

 

Foi um momento muito difícil aqui no estado por conta do que significava aquilo em termos de endividamento e uma operação que tinha fortes indícios de falcatrua. Então tivemos uma atuação, CPI, todo um tensionamento na época. Deu no que deu, então a justiça é que tem que responder, porque as investigações e os trabalhos das Comissões Parlamentares de Inquérito apenas encaminham ao Poder Judiciário as suas conclusões. Quem tem a tarefa e obrigação de tomar as devidas providências legais de absolvição ou condenação é o Judiciário.

 

 

Ilustração:

G. Pawlick / Estopim Coletivo

Fotos:

Bianca Taranti / Estopim Coletivo

 

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