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Finalistas do FAM 2019 abordam questões ambientais e de gênero

7 Aug 2019

Agora apenas seis longas-metragens, entre os mais de 100 inscritos, concorrem ao troféu Panvision e aos prêmios do FAM 2019 na Mostra competitiva Longas Ficção. Os vencedores dessa categoria e das demais serão conhecidos na cerimônia de encerramento do Festival, 2 de outubro, no Teatro Álvaro de Carvalho (TAC).

 

Até o ano passado, a Mostra Longas Ficção Mercosul do FAM exibia somente filmes convidados. Nesta edição, a categoria também passa a premiar vencedores. Entre os finalistas, apenas uma produção nacional, Pacarrete. 

 

Questões ambientais são panos de fundo da maioria dos filmes, assim como gênero e conflitos familiares. Todos serão exibidos em sessões no CineShow, no Beiramar Shopping. Veja os finalistas!

 

Finalistas da Mostra competitiva Longas Ficção do FAM 2019

 

Pacarrete, de Allan Deberton, é o representante brasileiro na mostra e trata das autodescobertas femininas, mas em uma idade madura. O filme do Ceará estreia no Brasil no 47º Festival de Gramado, em agosto.

 

 

Na história, Pacarrete - que significa margarida em francês -, é uma bailarina clássica e, depois de uma carreira em Fortaleza, retorna à sua cidade no interior, Russas. Em vez de admiração, conhece o desprezo da população e passa a ser considerada louca. 

 

O filme é protagonizado por Marcélia Cartaxo, atriz da Paraíba, e discute sonhos, loucura, velhice. O elenco tem ainda Zezita Matos (Onde Nascem os Fortes), Soia Lira (Central do Brasil), João Miguel (Estômago) e Débora Ingrid (A História da Eternidade). O diretor Allan Deberton é também produtor e roteirista do filme. Dirigiu os premiados Doce de Côco, O Melhor Amigo e Os Olhos de Arthur.

Cenizas, de Juan Sebastian Jacome, uma coprodução Equador/Uruguai, foi exibido no Festival do Rio 2018, se passa nos Andes Equatorianos, onde um vulcão inativo dá sinais que vai entrar em erupção.

 

 

Na região vive Caridad, que não fala com seu pai desde que ele abandonou a família. Diante da ameaça do desastre com o vulcão, ela procura pelo pai e os dois se veem diante de antigos e novos conflitos. Este é o segundo longa do diretor equatoriano, depois de Ruta de la Luna (2012). 

El Río, de Juan Pablo Richter, da Bolívia, tem como cenário o Rio Mamoré, a fronteira natural com o Brasil, na bacia do Amazonas, região onde o desmatamento cresce. A história também trata de reencontro entre pais e filhos.

 

 

Sebastián, de 16 anos, de La Paz, vai morar com o pai que o abandonou quando criança. O pai, um pecuarista e madeireiro, vive com uma mulher muito mais jovem que ele, e repete comportamentos machistas naturalizados, em um lugar onde a violência com as mulheres é uma constante.

 

Sebastián acaba por se apaixonar pela mulher do pai, ao mesmo tempo em que o desmatamento o angustia e que uma amiga de escola o ajuda a entender o mundo feminino.

Em meio à monocultura de soja na zona rural de Entre Ríos, na Argentina, uma menina adoece por causa dos agrotóxicos na lavoura. Na trama do filme El Rocio, de Emiliano Grieco, a mãe Sara é orientada por um médico a ir para Buenos Aires em busca de tratamento da filha Olívia.

 

 

Sem recursos para a viagem, ela recorre a um traficante e aceita servir de mula para transportar drogas até a capital. Este é o terceiro longa do diretor Grieco, o anterior, La Huella en la Niebla (2014), ganhou o prêmio de melhor ficção do TIFF Torino Film Festival, na Itália.

O outro representante argentino, Yo Niña, de Natural Arpajou, é o único dirigido por uma mulher. Primeiro longa desta premiada diretora de curtas-metragens, é baseado em episódios e personagens de sua infância. Narra a história da menina Armonía, de 6 anos, que vive com os pais, um casal avesso à sociedade contemporânea, em uma cabana sem nenhuma estrutura, na paisagem impressionante e rude da Patagônia argentina.

 

 

A menina tem que lidar com o isolamento e problemas de autoestima e, para isso, pede ajuda aos marcianos. Um incidente os força a deixar a Patagônia e ir para a cidade. 

 

A pequena protagonista Huenu Paz Paredes, que não tinha experiências como atriz e vivia no interior, em uma casa sem televisão, foi escolhida entre 600 meninas. O filme fez parte do 14ª Festival de Cinema Latino-Americano de São Paulo em julho.

Mais um filme tem uma protagonista feminina, porém adolescente, o road movie intimista Niña Errante, de Rubén Mendoza. Quatro meias-irmãs se conhecem após a morte do pai. Ángela, de 12 anos, vivia com o pai, e não conheceu a mãe, que morreu no parto. Para não ser entregue aos cuidados do Estado, as mais velhas decidem levá-la para uma tia. Para isso, as quatro atravessam o país.

 

 

Na jornada, enquanto compartilham quartos de hotéis, Angela vai reconhecer em si mesma e em cada uma de suas irmãs a feminilidade, a sensualidade e o desafio de ser mulher na Colômbia.

 

Entre os prêmios, recebeu os de melhor filme de ficção do Festival de Cine Colombiano de Nova Iorque 2019, melhor atriz coadjuvante (Carolina Ramírez) do Festival de Málaga/Espanha 2019 e o Prêmio Únete da ONU no Festival Internacional del Nuevo Cine Latinoamericano de La Habana, Cuba, 2018. Foi indicado como melhor filme colombiano no Cartagena Film Festival de 2019.

 

O FAM 2019 é organizado pela Associação Cultural Panvision e Muringa Produções Audiovisuais.

 

 

Fotos:

Divulgação.

 

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