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Ferida a liberdade de imprensa

 

Dedo em riste, cabo da PM tenta intimidar jornalistas do Estopim e agride nossa equipe de reportagem por registrar sua ação truculenta

 

O recente episódio de violência policial na realização da Marcha da Maconha em Florianópolis em 2017 está carregado de sintomas negativos sobre os tenebrosos tempos que vivemos. Há, nesta ocorrência, sinais de fascismo que afetam algumas das nossas mais caras liberdades, como o direito à livre manifestação de pensamento e a liberdade de imprensa. São elementos suficientes para não silenciarmos e não nos intimidarmos. Explico:

 

Descontente com o curso pacífico de uma manifestação que carregava uma pauta legítima e seríssima, a do avanço no debate sobre a legalização da maconha, que já é realidade em outros países, a Polícia Militar de Santa Catarina resolveu encerrar a passeata utilizando seu tradicional modus operandi: bala de borracha - contra uma multidão que não ofereceu resistência -, spray de pimenta e bombas de efeito moral.

 

Também é preciso ressaltar que, no momento da repressão, a marcha seguia pela rua Felipe Schmidt, num sábado, às 19h, ou seja, não prejudicava o trânsito e o comércio da região. Mesmo assim, diante de um impasse sobre o roteiro da marcha - que via de regra desencadeia a abertura de negociação entre militares e manifestantes -, a polícia se aproveitou da ausência da grande mídia e da baixa circulação de pessoas naquele horário no Centro para agredir cidadãos covardemente, fato este que evidencia outro problema estrutural desta instituição, que é a atuação da proteção do Estado em face da Sociedade Civil organizada.

 

Ataque à imprensa

 

Não bastasse isso, a Polícia Militar de Santa Catarina resolveu também agredir nossa equipe de reportagem, porque não queria que registrássemos sua ação violenta. Foi, então, que policiais desferiram socos em nossas cabeças, chutes no saco escrotal, golpes de cassetete, spray de pimenta nos olhos e chegaram ao disparate de pegar o material de trabalho dos nossos profissionais, que foi recolhido logo depois. Muito provavelmente tinham a intenção de apagar os registros e imagens da sua ação irresponsável.

 

Caso semelhante de ataque à liberdade de imprensa por parte da PMSC também ocorreu neste ano, em pleno Carnaval, quando Jornalistas registravam a ação truculenta da Polícia, que resolveu dispersar os foliões em Santo Antônio de Lisboa. Tais Jornalistas do Daqui na Rede foram intimidados e agredidos também no exercício da profissão.

 

Por tudo isso, não silenciaremos.

 

A Polícia Militar agiu arbitrariamente no último sábado contra o livre direito a manifestação. Os policiais estavam sem identificação desde o início da sua operação, às 15h, quando se aproximaram das lideranças do movimento para saber sobre o roteiro da marcha e o horário de início do ato. Este fato nos dá pistas de que agiram de maneira premeditada, pois sem a obrigatória identificação em suas fardas, dificultam a responsabilização sobre sua ação truculenta.
 

A corajosa atuação jornalística do nosso repórter fotográfico Ramiro Furquim, que conseguiu excelentes registros fotográficos de toda a manifestação e da violência policial, ensejou um ataque fascista e irresponsável ao livre exercício da imprensa. Revoltada com a agressão ao colega, nossa produtora Bianca Taranti, tentou interceder e foi covardemente agredida na sequência. Como pode atuar na Polícia Militar de Santa Catarina, um estado com altos índices de violência contra mulheres, um policial que ousou agredir uma mulher no rosto? Como pode?

 

 

Depois de presenciar tais cenas, corri ao encontro dos colegas e dos agressores militares para perguntar porque estavam agindo daquela maneira. Não deu outra, fui o próximo a receber bofetadas e cacetadas. Se agiram assim diante de câmeras e profissionais de imprensa, imagino como devem operar nas favelas, onde atuam no apagar das luzes, portando suas armas letais, seu preconceito e estigmas institucionais e livres do testemunho jornalístico.

 

Como se verifica no relato, nesse sábado, nós, os jornalistas do Estopim, fomos vítimas da violência policial e do abuso de autoridade. Temos plena ciência de que não fomos os primeiros, mas lutaremos para sermos os últimos.

 

Recorreremos a todas as instâncias necessárias para, no mínimo, proteger os nossos direitos e os dos nossos colegas de imprensa, que certamente estarão expostos a situações semelhantes nas manifestações que se avizinham, com suas mais diversas pautas e que parecem, cada vez mais, indispensáveis.

 

E, no que depender de nós, a imprensa nunca mais será calada.

 

 

Fotos:

Ramiro Furquim / Estopim Coletivo

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