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Dossiê Estopim - Derrubamos o terceiro ombudsman

17 May 2017

Não vivemos tempos lá muito fáceis. Realizamos neste 13 de maio uma reunião crucial. A primeira que discute financiamento coletivo. As ideias iniciais estremeceram e o coletivo deve deliberar em conjunto o que faremos com o quanto que queremos.

 

Manter vivo um coletivo de mídia alternativa não é lá missão muito fácil, mas a gente não mede esforços e dá o sangue para fazer com que tudo dê certo. As matérias são planejadas, as entrevistas discutidas e as colunas livres. Não, pera. É quase assim. Acho que a palavra aqui talvez fosse “incipiente”.

 

Afinal, depois de Antunes Severo e Gabriel Henrique Collaço, o Estopim acaba de aposentar seu terceiro ombudsman. Desta vez, na verdade, uma ombudswoman, a Doutora em Jornalismo Raquel Wandelli.

 

Descrita nas páginas do site do Estopim como defensora do leitor e convidada a criticar, positiva ou negativamente, a qualidade do nosso conteúdo, Wandelli alegou que nossa atividade no novo site ainda é muito incipiente. A professora nem sequer desceu para o ringue e pediu demissão.

 

Ficamos tristes? Talvez. Afinal, nem sabemos como seriam suas críticas e não podemos ficar tristes com algo que nem chegamos a ter. Nossa certeza é que gostaríamos muito de ouvir o que os especialistas têm a nos dizer. Além disso, Raquel usou o termo errado ao nos comunicar sua saída, afinal, do Estopim ninguém se demite.

 

O termo deste desenlace deveria ser outro. O Estopim não contrata, o Estopim convida e desafia. Uns vêm e ficam, outros vêm e vão, outros se vão e pedem pra voltar, alguns vêm mas nunca estão, outros vêm e voltam, alguns vão e voltam, ficam e vão, outros, também ficam em vão.

 

A questão é que motivos para nos criticar, sabemos que não faltam. Um exemplo é a reportagem sobre o depoimento de Lula ao juiz Sérgio Moro, em que o autor se perdeu entre a terceira e a primeira pessoa, extraviando a própria sensatez. Um desequilibrado passional.

 

O repórter misturou emoções pessoais com texto jornalístico e conduziu boa parte da narrativa em primeira pessoa. Erro fatal. Espanta, inclusive, que tenha conseguido enganar tantos leitores que acharam aquilo tudo imparcial. Imparcial nada. O texto é totalmente parcial!

 

Este é apenas um dos problemas. Tem mais, sim! Precisão é algo caríssimo em jornalismo. Sem ela, a credibilidade do veículo vai para as cucuias e não adianta ponderar. Um centímetro ou um hectare têm a mesma importância. Também na reportagem “Lula vs. Moro”, agora corrigida, informamos que a militância de Lula havia desembarcado 700 ônibus em Curitiba. Mais tarde, descobriu-se que eram 120.

 

Sabemos, portanto, que matéria-prima para uma coluna de crítica de mídia, por aqui, tem de monte. E diante dessa baixa, a patota do Estopim se arrisca a fazer o papel de Wandelli em um editorial, além de, nesse final de texto, anunciar que vamos ao mercado procurar o quarto guerreiro ou a quarta guerreira, insistindo na importância da missão.

 

A Raquel, nossos mais singelos agradecimentos. Mas de todo modo, queremos seguir. Sabemos que não fomos nós, foi você. Mas terminamos assim, sem receios, e espero que possamos continuar sendo amigos.

 

Com carinho, da sua querida Patota

 

 

Foto manipulada:

Estopim Coletivo

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