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Cuidado, o Cubatão pode engolir

Localizado na Guarda do Cubatão, em Palhoça, o rio Cubatão tem passado por deslizamentos de terra, colocando em risco famílias ribeirinhas e o tráfego na rua Santo Anjo da Guarda

 

Muitas famílias habitavam as proximidades do Rio Cubatão, em Palhoça, até meados da década de 1990. Entre eles, pescadores, que deixavam suas embarcações nos ranchos. Havia também uma pequena praia, onde os trabalhadores depositavam a areia extraída até a chegada dos caminhões.  A enchente de 1995, entretanto, mudou para sempre a história do Cubatão e dos moradores de seu entorno. 

 

Severino Lino de Campos, mais conhecido como Bino, mora há 73 anos próximo ao rio Cubatão e narra com certo espanto as lembranças do passado. “Esse rio era estreito, os terrenos da margem eram do meu pai na época, hoje em dia, a água levou tudo.”

 

As margens do Cubatão nunca foram motivo de preocupação, até que começaram a ceder por problemas na estrutura. O deslizamento de terra causou rachaduras e buracos no asfalto recém-colocado.

 

 

“E as autoridades? O que dizem?”

 

O secretário de infraestrutura de Palhoça, Eduardo Freccia, prefere nem responder entrevistas sobre o assunto. Durante duas semanas fizemos inúmeras ligações tentando esclarecimentos sobre a situação no Rio Cubatão. O seu Leonel, funcionário da Secretaria, chegou a deixar recadinho na mesa do chefe, outra funcionária avisou sobre nosso e-mail com o roteiro de perguntas referentes às ações sobre o Rio Cubatão, mas não teve jeito.

Talvez Freccia não tenha explicações, mesmo sendo o titular da Secretaria que deveria cuidar do assunto. Talvez esteja correndo atrás das soluções e não tenha tempo para nos responder. É importante alimentar o pensamento positivo.

 

Noberto Lincoti mora há 37 anos na Guarda do Cubatão. Segundo ele, a grande cratera existente no asfalto se deu pelo rompimento de um cano da antiga CASAN, o reparo necessário foi feito, mas o buraco foi deixado e, cada vez que chove, aumenta. 

 

 

"Ainda bem que não tem chovido muito nos últimos dias por aqui, né?"

 

Sem ações definitivas da prefeitura, os moradores se mobilizam e colocam bambus enrolados com camisetas para chamar a atenção dos diferentes motoristas que trafegam na Rua Santo Anjo da Guarda. As pessoas da região mais afetada temem que aconteça uma tragédia, pois ônibus, carros, motos e ciclistas passam constantemente na via.

 

A incompetência dos responsáveis pelo reparo no asfalto revolta seu Bino. Indignado ele se pergunta: “Eu nunca vi fazerem primeiro o asfalto para depois a contenção de pedras”. Obrigado a recorrer à fé, Bino diz que reza todos os dias para não ver uma pessoa perdendo a vida no Rio Cubatão.

 

Assim seja, seu Bino. Assim, seja!

 

Ilustração: 
Manoela Passos / Estopim Coletivo

Fotos:

Maria Luiza de Sousa / Estopim Coletivo

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