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As bixa solta em Florianópolis

12 Jul 2017

 

Como foi o início de carreira? Como a banda se formou? Quem são As Bahias e a Cozinha Mineira? De onde vêm? O que cantam? Estas são perguntas que certamente um fã pode se fazer quando descobre e se encanta por uma novidade artística. As Bahias são a miscigenação brasileira refletida em música, a contestação traduzida em letras. Nas melodias, trazem arte para o debate de gênero. Tudo isso inspiradas na Tropicália e nos expoentes daquela geração, em especial Gal Costa.

 

“O início da banda foi por afinidade musical desenvolvida nos corredores da faculdade. Isso foi se constituindo gradativamente, incluindo nosso gosto maior pela obra de Gal Gosta. Ao passo que desenvolvemos o que acreditamos ser uma obra, ser um álbum, seguimos atrás desse sonho e concluímos nosso primeiro disco em Novembro de 2015. Nos consideramos uma banda de música popular brasileira”, diz Raquel Virgínia, uma das vocalistas.

 

Junto a música e a identidade, as Bahias fazem ativismo político de representatividade, de resistência e de poesia. E é representatividade LGBT. É música popular. É resistência feminista. É cultura. É resistência cultural. É arte.

 

“Somos ativistas de nossas existências; negra, mulher trans e em constante embate numa sociedade que tende ao não reconhecimento em determinados espaços. A afirmação é determinante no movimento ao redor e isso conta muito na vida de muita gente”, ressalta Raquel.

 

 

A formação do grupo se deu em 2011. O embrião foi no curso de História da USP, onde Assucena Assucena e Raquel Virgínia se encontraram. Elas, mulheres, trans, negras, paulistas e baianas: brasileiras, são as vocalistas e compositoras. Acompanhadas de Rafael Acerbi, na Guitarra e Violão; Deivid Santos, no Piano e no teclado; Vitor Coimbra, na bateria; Danilo Moura, na percussão; Rob Ashttofen, no baixo elétrico e fretless e Carlos Eduardo Samuel, na Eletroacústica vibram nos palcos do Brasil.

 

Eis os nomes daqueles e daquelas que possibilitam experiências musicais únicas, como a do álbum Mulher (2015), que será apresentado em Florianópolis no próximo sábado, 15 de julho, no Célula Showcase. Será a terceira visita das Bahias a ilha, dessa vez, a convite da Guerrilha Produtora e fechando a turnê do primeiro projeto que marca a estreia da banda nas paradas musicais.

 

 

O ativismo de gênero nas canções

 

Em Apologia às Virgens Mães, a banda lança sua imagem: mulher. Primeira música do álbum, a canção reflete perfeitamente o ser bordado pela natureza ganhando melodias, rimas e letras nas linhas do grupo. Mais que artistas da música, As bahias e os seus meninos representam o ativismo da causa LGBT. Essa tarefa também está presente e é marcante na websérie Nós Existimos! Visibilidade Trans, que possui cinco episódios e é veiculada no canal do Youtube da banda. Rompendo paradigmas, levando a causa trans a outro patamar na história, para elas, a causa, em geral, é extremamente mínima.

 

A visibilidade trans ainda está rompendo preconceitos, mas hoje é a bandeira de muitos artistas, como Pabllo Vittar e Mc Lin da Quebrada, que mesclam música e identidade de gênero. Neste cenário, as Bahias defendem a democratização da música brasileira: “Esperamos que a gente tenha mais pluralidade na música brasileira. É preciso mais espaço para que possamos conhecer nossas riquezas.”.

 

Enquanto isso, as Bahias compõem as cenas dos próximos capítulos e, em breve, trazem novidade aos seus fãs no mundo. O próximo álbum, intitulado #bicha, está em construção e já ganhou uma série de fotos na página oficial da banda no Facebook para divulgação. Qual mensagem ele vai passar? Com a palavra, elas: “Poesia e resistência com lirismo em primeiro plano como opção estética. É ousado e original, com vozes fortes, arranjos livres e jazzísticos... marcante”.

 

 

 

Ilustração:

G. Pawlick / Estopim Coletivo

Fotos:

Divulgação As Bahias e a Cozinha Mineira

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