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A origem do mal

28 Apr 2017

 

 

O crime, uma vez caracterizado como base constitutiva de um sistema, se transforma em engrenagem necessária para seu funcionamento. Assim como um carro que depende de sua roda, uma bicicleta de seu freio, uma vez instituído, o “mal” se faz necessário para a movimentação da máquina pública por meio de seus atos licitatórios, na contratação de empresas de construção civil, entre outros, ou no cotidiano de um cidadão mediano.

 

A operação Lava jato, dessa forma denominada por iniciar na investigação e denúncia pelo Ministério Público Federal em um esquema que usava postos de combustíveis e lava jatos na lavagem de dinheiro público, tomou enormes proporções, tornando-se a maior operação contra corrupção que o Brasil já teve.

 

Lembremos também a busca pela satisfação de nossas necessidades por meios ilícitos. A compra de um baseado nos torna peça de um quebra-cabeça. Há de se considerar a inexistência de dolo do indivíduo quando ocorre um homicídio praticado por terceiros, usando uma arma financiada pelo tráfico, tanto quanto qualquer abalo em sua moral.

 

Usando-se da filosofia para tentar entender, mas não justificar, Hanna Arendt trata da banalização do mal em seu livro "A Condição Humana". Quando existe uma dissociação do conhecimento e o pensamento, nos tornamos escravos das necessidades, do discurso, este o que faz o homem um “animal” político. Perdemos a capacidade de fazer julgamentos morais com a massificação social.

 

Trazemos também à luz deste artigo a filosofia nietzschiana, onde se busca dissociar a origem do mal como um fator metafísico, natural do homem, a partir do emprego da palavra por tipos psicológicos: Forte e fraco, senhor e escravo, doentes e sadios, contrapondo Kant, Descartes e a filosofia canônica.

 

Os fortes usam a palavra “bom” como antônimo de “ruim”, já os fracos usam o “bom” como antônimo de “mal”. Os fracos fazem um julgamento moral em relação ao forte, pois este tem o conhecimento e a força para definir suas atitudes. Já os fortes julgam tecnicamente, estratégia, ferramentes de luta. Sendo assim, a ideia de “mal” e “bom” é uma invenção, não existe a opção de transcender. A maldade é uma invenção dos fracos.

 

É perceptível tanto nas audiências quanto no dia a dia, que o agente causador da conduta ilícita não possui o sentimento de ter cometido algo que veio a prejudicar um terceiro. Temos aí uma condição, um comportamento, na maioria das vezes, uma necessidade advinda das circunstâncias que nosso modelo social organizacional nos proporciona. Podemos assim, dizer: “ O inferno são os outros, esquecendo que os outros somos nós aos olhos de quem vê”.

 

 

Ilustração:

Julian Callos

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