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A história de Antonieta de Barros

19 Mar 2018

Ela escolheu a sétima arte como ofício e o documentário como gênero para marcar a estreia. Inquieta com a falta de documentos e registros sobre os negros em Florianópolis, resolveu buscar vestígios e rastros de informação. Nesta empreitada, deparou-se com mais apagamento histórico, até que uma voz amiga - da moça que a atendeu na Casa da Memória - soprou-lhe uma sugestão: por que você não pesquisa sobre Antonieta de Barros? Taí!

 

Naturalmente, aquele nome não lhe era estranho. Lembrava desse nome em alguma avenida, ou seria em uma escola? Era isso e muito mais! Antonieta de Barros foi a primeira mulher negra a ser deputada estadual no Brasil e lutou a vida inteira por educação. Para ela, "Educação é ferramenta para todos e todos deveriam ter direito à Educação.”

 

Em entrevista ao Estopim, Flávia Person dá mais detalhes da sua atividade profissional na Magnolia Produções, onde é sócia de Gabriela Bresola. Além disso, atende nosso jogo de perguntas e respostas e discute temas como feminismo, mulheres, cultura em Florianópolis e muito mais. A cineasta relembra, ainda, sobre a produção do documentário Antonieta, premiado e exibido em festivais de curtas em mais de dez países. Com a palavra, Flávia Person!

 

A ENTREVISTA

 

 

➤ Para começar, fale de você. Quem é Flávia Person? Onde nasceu? Qual sua formação?

 

Sou natural de São Paulo. Me formei na Universidade Federal de São Carlos, no curso de Imagem e Som e vim para Florianópolis em 2008, quando terminei o curso, resolvi me mudar e tentar trabalhar com Cinema, mesmo sabendo que a cidade não é um polo cinematográfico. Sabia que enfrentaria dificuldades, mas vim mesmo assim.

 

Desde que eu cheguei aqui, sempre trabalhei com audiovisual. Eu tive muita sorte na vida de sempre poder estudar sem precisar trabalhar. Aqui trabalhei com Pena Filho, trabalhei na Cinemateca Catarinense, cheguei a ser diretora lá, trabalhei em alguns cursos, abri minha produtora, a Magnólia, junto com a Gabriela Bresola, que é artista visual e cineasta também, e estamos na lida. Agora, depois de lançar o filme da Antonieta estou fazendo Mestrado.

 

➤ O que te levou para essa formação? O que te fez despertar interesse pelo audiovisual?

 

O caminho foi levando a isso. Terminei o colegial me perguntando qual profissão seguiria. Me interessava em fazer produção cultural, mas, no Brasil, só existem dois ou três cursos especializados em Produção Cultural, então, procurei fazer um curso que fosse da área de Comunicação para me especializar em Produção.

 

Quando entrei no curso de Imagem e Som, percebi que era bem voltado para o Cinema e fui me encantando por documentário, por Cinema em si e fui caminhando para a produção audiovisual independente.

 

➤ Como foi a experiência do curso e todo esse período para ti? Foi nessa época que conheceu mais sobre o feminismo?

 

Meu curso é bem abrangente. As pessoas podem fazer de tudo. Tenho amigo que resolveu trabalhar com programa de TV, no Cinema Nacional, na internet, outros que aderiram a Mídia Ninja, ou seja, em diversos setores, além das pessoas que não se encontraram no audiovisual, porque não é uma profissão tão fácil. Requer muito trabalho. Não é todo mundo que abraça. Mas isso é como em toda profissão.

 

A universidade foi importante para além do conhecimento, porque me levou a morar sozinha. Eu morava na minha mãe e, para fazer o curso, precisei mudar de cidade, morar no interior e deixar uma vida mais estruturada, começar a me virar. Tive o apoio da família, mas foi um aprendizado. Aprendi a cozinhar, pagar conta, arrumar chuveiro, esse tipo de coisa.

 

O feminismo demorou um pouco, como boa parte das mulheres hoje estão engajadas no feminismo, porque ocorreu um despertar de uns anos para cá.

 

➤ Que outros trabalhos fizeram depois da criação da Magnolia?

 

Abri a produtora junto com a Gabi, em 2014, e com isso produzimos Antonieta e Larfiagem, que também é um documentário sobre uma língua que foi criada em Herval do Oeste, na década de 1950, por um grupo de meninos que trabalha na estação de trem. Para que houvesse uma comunicação sem que a polícia soubesse o que eles estavam falando, eles criaram uma língua e ela acabou se espalhando, tanto que pessoas da cidade começaram a falar e, até hoje, existem algumas palavras que, quase 70 anos depois, as pessoas ainda falam na cidade.

 

Fizemos também outro curta, que é do Fábio Brüggemann, Rio da Madre, e também outras exposições de arte, porque a Gabi é artista visual. Também foi por essa proximidade com ela e com um grupo de amigos das Artes Visuais que fiquei sabendo da seleção de Mestrado e, aqui em Florianópolis, não existe pós-graduação em Cinema.

 

➤ Fale sobre o Mestrado. O que você está pesquisando?

 

Estou no segundo semestre, o Mestrado é nas Artes Visuais e estou pesquisando o cineasta Harun Farocki, que só faz filmes com imagens de arquivo. É interessante porque ele usa não só imagens de arquivo que estão nos acervos públicos e ganham status de documento histórico.

 

Ele faz filmes, por exemplo, com imagens de câmeras de vigilância. Ele se apropria de imagens, questiona sobre as imagens que fazem parte do mundo e o quanto elas reproduzem essa sociedade disciplinar, o quanto elas são operações na sociedade em que a gente vive.

 

➤ Está conhecendo novas referências que serão úteis ao seu trabalho também, não é?

 

Sim. É muito puxado fazer produção independente. Para fazer um curta, é preciso ir atrás de recurso e, às vezes, o apoio de um edital, por exemplo, não é suficiente. Aí você pede apoio aqui, ali e a circulação é só nos meios alternativos. Então não é algo sustentável, ao menos para mim, no aspecto econômico, nesse momento.

 

Ainda mais por tudo isso que o país vem passando. Foi um momento de parar, olhar para a vida e falar: para onde que eu vou? Um momento de recuar e se abastecer de conhecimento, de estudo para fazer outras produções.

 

➤ E o que mais você vem fazendo na cidade?

 

Eu dei uma certa recuada de várias coisas. Mas eu continuo participando de várias instâncias de discussões políticas aqui do município e do estado relacionadas à Cultura. Eu fui diretora da Cinemateca Catarinense, hoje sou vice-presidente do Fundo Municipal de Cinema (Funcine) e participo do Fórum Setorial de Audiovisual, então, estou envolvida nessa briga. Acredito que a Cultura é uma dos eixos que estrutura uma sociedade mais justa, uma cidade que não se importa com a Cultura, tem muito a perder.

 

➤ E Florianópolis é uma cidade que se preocupa com a própria Cultura?

 

Existem muitos grupos e pessoas que são resistentes. Pessoas que gastam sábados, domingos, feriados e os dias que teriam livres para ensaiar.

 

Eu conheço várias iniciativas de pessoas na área da dança, da música, das artes visuais que tentam fazer acontecer e, graças a isso, existe uma cena cultural. Mas, infelizmente, o poder público deixa muito a desejar. Ficamos muito na mão das gestões. Tem algumas gestões que são um pouco melhores. A gestão do César Júnior foi um desastre. Nós, do Funcine, não conseguimos lançar edital de Cinema desde 2014, por conta de uma falta de preocupação com a Cultura e o orçamento que vai para o Cinema.

 

Eu sei que, no momento, o orçamento está apertado e, às vezes, não tem recurso para a Saúde, para a Educação e nem a população dá apoio para Cultura, porque acha que os recursos poderiam ir para outros fins, como acontece na época do carnaval. Existem esses discursos, mas não se dão conta que apoiar a Cultura é importante.

 

➤ E o feminismo, Flávia, acabamos de ver a realização do 8M, e Florianópolis tem uma militância feminista bastante atuante. Mas, por outro lado, vivenciamos muitos problemas. Qual o termômetro disso? O que você percebe como mulher?

 

Percebo que, por um lado, as pessoas se deram o direito de “sair do armário” fascista e do conservadorismo. É como se a gente vivesse um jogo de máscaras e elas, agora, estão caindo. As pessoas estão mais livres dos dois lados para dizer o que pensam.

 

Toda vez que existe esse movimento retrógrado, de conservadorismo, acredito que força o outro lado a falar: “não é por aí que a gente quer!” Ou seja, um lado vai forçando o outro. Vem uma desesperança, às vezes, porque a gente vê, por exemplo, possíveis candidatos à presidência do país com discurso reacionário recebendo apoio. Existe uma classe e um setor que já é privilegiado e se vê favorecido com esse discurso.

 

Mas, por outro lado, nós, mulheres, estamos avançando dentro do feminismo. As discussões estão avançando. Uma coisa que senti ao trabalhar no filme da Antonieta de Barros é que não se tinha em evidência essa posição das mulheres negras dentro do feminismo e isso foi muito importante. Nós, mulheres brancas, temos a consciência que o nosso feminismo não é o mesmo da mana negra, porque a mana negra sofre duplamente, em circunstâncias que as brancas não sofrem.

 

Existe um despertar das mulheres. Acredito que não ainda em larga escala, às vezes, eu fico pensando se não é uma coisa da bolha que eu vivo.

 

➤ Mas cada vez mais pessoas estão envolvidas no feminismo. A bolha parece estar crescendo, não é?

 

As tensões e conflitos estão acontecendo. Isso é muito positivo. Quando a gente sabe dialogar e não parte para a agressão e a violência, o diálogo leva… Sei lá, tenho que ser otimista e acreditar que isso vai melhorar. Mas eu vejo melhorias sim, até nas minhas relações pessoais. Dentro da minha casa, com meu marido, muitas coisas que ele não enxergava e nem eu, passamos a enxergar.

 

SEGUNDA PARTE - DOCUMENTÁRIO ANTONIETA

 

➤ Quando foi que você ouviu pela primeira vez o nome dela?

 

A primeira vez não sei dizer. Mas sempre me incomodou a questão das pessoas negras na cidade. A gente tem uma visão no Sudeste de que o Sul é branco. Inclusive uma ideia bem racista, de que é um povo mais civilizado e mais bonito.

 

Aí fiquei sabendo de algumas comunidades quilombolas e fui na Casa da Memória, um dos acervos públicos da cidade, localizado em frente à Câmara de Vereadores de Florianópolis. Fui dar uma olhada nas fotos do município, no intuito de encontrar algum vestígio.

 

Aí comentei que eu queria dar uma olhada nas fotos com a moça da recepção e, no dia, a pessoa responsável por mostrar o acervo não estava, mas ela me disse: “se você tem tanta vontade de saber sobre a história dos negros, por que não pesquisa sobre a história de Antonieta de Barros?”

 

Aí tinha um livrinho da Antonieta, porque no centenário de nascimento dela o gabinete da Ideli Salvatti fez uma comemoração e um livro de contos de outros autores sobre Antonieta por causa do centenário.

 

A recepcionista me perguntou se eu sabia quem era Antonieta e me lembro de ter sentido um pouco de vergonha, porque eu já tinho ouvido falar naquele nome, mas não fazia ideia de que era uma mulher negra. Aí fui para casa, pesquisei na internet e não acreditei.

 

Para tudo! Como é que e eu não sabia quem era uma mulher com uma história tão incrível dessas? E eu já morava há um tempo aqui. Mas daí fui pesquisar e vi que tinha encontrado o que estava procurando.

 

Se eu estava atrás da história dos negros, havia encontrado uma personalidade. Daí escrevi um projeto para participar do Edital Catarinense de cinema e passei.

 

➤ Nesse momento estava amadurecida a ideia do documentário então?

 

Sim. Porque é isso. Minha formação é Cinema e minha paixão é documentário e a minha pesquisa era isso, ir atrás de um tema para fazer um filme e encontrei. Eu já tinha trabalhado com imagem de arquivo, é algo que sempre me despertou curiosidade e fez parte do processo de descoberta da Antonieta, o quanto que se tem de memória dela, o quanto a cidade e o estado guardam da memória dela, quais são as imagens que temos da Antonieta.

 

➤ Você teve apoio de uma equipe, não é?

 

Filme não se faz sozinho. Tem gente que consegue, mas sempre precisamos de apoio. Por mais que eu tenha feito a pesquisa, a produção, a direção, contei com o apoio do Fausto Douglas Correia Junior, que é historiador e fez uma revisão histórica. A Gabi Bresola, minha sócia, também integrou a produção. A Yannet Briggiler fez a montagem. Um filme de arquivo, basicamente, é pesquisa e montagem. O Diogo de Haro fez a música e o Fábio Bruggemann fez a revisão do texto.

 

 

➤ E o resultado final, você melhoraria algo?

 

Essa é uma pergunta tensa para se fazer a qualquer cineasta, porque a gente sempre melhoraria. Parece que nunca tem fim. Tem um momento que você fala: chega, acabou, tá pronto, vamos botar no mundo.

 

Mas eu queria mais tempo para trabalhar o som. Hoje eu sinto que poderia ter cuidado mais disso. Mas, de maneira geral, eu queria fazer um filme que não fosse artístico demais a ponto de ninguém entender que era sobre Antonieta.

 

Eu queria que um jovem de 14 anos pudesse ver e entender que ela foi a primeira deputada estadual negra brasileira. Isso era o básico. Queria um filme que não fosse difícil de ser assimilado e que não fosse tão jornalístico. Esse foi o intuito.

 

Tem muita coisa das imagens, que se você tiver um pouco mais de cuidado de analisar, enxerga outros textos. Tem as sublinhas, as entrelinhas, que você vai tirando como conclusão, enfim...

 

O documentário foi lançado em um momento bem conturbado politicamente, o que gerou outras interpretações. Foi bem no ano do impeachment da Dilma. O filme circulou nos festivais e nós estávamos com isso na cabeça.

 

Para mim, na verdade, foi um golpe, um golpe misógino. Tem uma relação machista em tudo aquilo que aconteceu. Em diversos momentos da exibição do filme, senti que ele estava fazendo parte daquilo e gerando interpretações que, provavelmente, não viriam em outro momento.

 

➤ O que mais você conta no filme. Algum aspecto interessante a se destacar?

 

O filme mostra que quando a família Ramos saiu do poder, em 1951, e os Bornhausen, aquela altura na oposição, entram na Assembleia e no governo do estado, a Antonieta sofre uma grande derrota política

 

Os Ramos e os Bornhausen voltam a fazer aliança política depois que a Antonieta morre, mas, naquele momento, eles eram oposição e a Antonieta sofreu muito nos dois últimos anos de vida, porque viu alguns dos seus projetos indo por água abaixo por puro revanchismo político.

 

 

 

 

➤ Ela estava em exercício de mandato nesta época?

 

Não. Ela foi deputada até 1951. Ela morreu em 1952. Ela foi deputada duas vezes. A primeira foi de 1935 a 1937 e a segunda de 1948 a 1951.

 

No começo de 1951, a oposição toma o poder aqui no estado, então ela sai dessa vida política e começa a atuar nos jornais.

 

Ela escreve nos jornais até o momento da morte e também era diretora do então Instituto Dias Velho - que depois virou o Instituto de Educação - e foi exonerada do cargo quando passava férias. Então, houve uma perseguição política.

 

Depois, houve um embate político com um ex-deputado, Osvaldo Rodrigues Cabral, isso eu conto no filme. Quando começam a rolar esses atritos, a Antonieta, embora tenha tido essa vida política, sempre foi muito preocupada com a educação, que era a grande bandeira dela.

 

Não importava o que estava acontecendo, ela não queria que aqueles projetos voltados à emancipação feminina e às professoras, ficassem pra trás. Ela sofreu muito com isso. Além de ser exonerada, alguns dos seus projetos de lei foram revogados, houve essa perseguição, que a deixou doente e, através das crônicas do jornal, ela tinha voz e rebatia.

 

Teve um episódio que ela estava denunciando tudo aquilo contra os Bornhausen e esse deputado, Osvaldo Rodrigues Cabral, que era historiador, escreveu a história de Santa Catarina, portanto, alguém que conta a história, disse, nos jornais, que a Antonieta fazia intriga batata de senzala.

 

Aí ela responde, como eu falo no filme, que ela negra, brasileira e que se orgulha de ser, que nunca foi de outra cor e que ela chegou e foi educada por uma mulher também negra, a mãe dela, Catarina, que também é uma mulher incrível.

 

Esse último embate foi bem pesado e ela acaba falecendo por diabetes e passando dificuldades financeiras, porque tinha sido exonerada. Estava também muito abatida, por conta dessas brigas políticas.

 

➤ Você teve contato com os textos dela? Como é a Antonieta escritora?

 

Tem um livro chamado “Farrapos de Ideias”, que ela publicou ainda em vida, uma compilação das crônicas delas publicadas em jornais. Ela vendeu exemplares desse livro e reverteu o dinheiro para uma ação beneficente. Ela era muito religiosa. Fazia parte da irmandade. Ela tinha essa coisa da Educação religiosa e acreditava que a educação era a ocupação dela.

 

Eu li esse livro porque, através das crônicas, é que temos os rastros do que a Antonieta escreveu. Essa religiosidade dela é algo que se percebe claramente nas crônicas. Ela escrevia muito sobre o cotidiano da cidade, religiosidade e emancipação feminina através da educação.

 

Em nenhum texto ela erguia a bandeira da negritude, por exemplo, porque na época ainda não se tinha a consciência sobre isso. Mas ela sempre disse que a educação é ferramenta para todos e que todo mundo tem direito a educação. O pobre, o rico, a mulher, o homem, a criança.

 

Ela lutava por um mundo em que houvesse as mesmas oportunidades de educação para todas as pessoas, tanto que ela tinha escola particular - a Escola Antonieta de Barros, aberta em 1922 -, que a elite brigava para que seus filhos estudassem lá, era super disputado. Ela administrava junto da irmã, Leonor de Barros.

 

Depois, quando ela faleceu, a Leonor continuou com a escola por um tempo, tanto que o Espiridião Amin chegou a ter aula com a Leonor.

 

Antonieta tinha essas aulas particulares, mas ela também dava aulas gratuitas para quem não podia pagar. Ela tinha essa preocupação, esse lado humanitário muito forte.

 

➤ Essa escola que ela criou não é aquela que leva o nome dela e está abandonada?

 

Não, não! Não existe mais. Ficava aqui na Fernando Machado. Essa escola que leva o nome dela, na verdade, é uma tristeza, é um edifício abandonado perto do Museu Victor Meirelles, desde 2007.

 

➤ Flávia, agora, você está colhendo frutos da realização desse trabalho sobre Antonieta. Premiações e tudo mais. Como está sendo esse reconhecimento?

 

Curta-metragem, geralmente, tem dois anos de “vida”, porque é o tempo que a gente consegue escrever em mostras e festivais. A maioria dos festivais dão limite de data. O filme foi lançado em janeiro de 2016, então, esses dois anos já se passaram e a vida em mostras e festivais meio que acabou.

 

Mas foi muito positivo, porque o filme teve muita repercussão. Eu fiz o financiamento coletivo para fazer os DVDs. O filme ficou pronto e queria fazer DVD’s para distribuir em escolas.

 

Muitas pessoas até falaram: “pô, mas por que DVD, hoje em dia é tudo internet, bota no Youtube?” Eu não botei na internet logo de cara porque muitos festivais não autorizam. Teu filme já não passa porque tá na internet. Segundo porque tem muitos lugares que a internet não é boa. Muitas escolas, por exemplo, teriam dificuldades. Então pensei no quanto o DVD poderia ser útil nos locais onde não se tem um acesso a internet tão bom.

 

Preferi fazer os DVD’s e aí fiz o financiamento coletivo e deu certo. A gente conseguiu recursos para fazer os DVD’s e foi muito bom, porque ajudou a dar publicidade para o filme.

 

O lançamento foi em março, no mês da mulher. O filme passou em vários festivais importantes, como o Festival Internacional de Curtas de São Paulo; foi um dos oito curtas selecionados para o festival do Rio; foi exibido em mais de dez países, inclusive, no ano passado, ganhou um prêmio no festival “Obera en cortos” e parte do prêmio é exibir o filme em 30 salas digitais no Paraguai, Uruguai, Brasil e Argentina agora em 2018.

 

Depois que passou por esses festivais e mostras, ganhando alguns reconhecimentos, o filme foi para a internet e foi convidado pelo site Hysteria, que é o braço de uma produtora grande feita só por mulheres, e participará de um projeto que se chama mulheres 52.

 

Durante o ano, serão exibidos 52 curtas, um por semana, o Antonieta foi o segundo curta a ser lançado, no mês da Consciência Negra, em novembro. O filme agora está aí no mundão e eu fico pensando aqui em mais formas de fazer a história dela circular.

➤ Flávia, algo ainda a se destacar para encerrarmos?

 

Sim. Acredito que o filme foi importante, porque o audiovisual é uma ferramenta sucinta. Consegue transmitir a mensagem de uma maneira rápida e envolvente. Acredito que o filme ajudou, de certa maneira, a difundir a história dela.

 

Entretanto, eu acho que a Antonieta merece mais. Ela é uma figura muito importante para a história do Brasil. Uma figura muito importante para o estado de Santa Catarina. Acho que ela ainda não tem o devido reconhecimento.

 

Acho que deveria ter um dia dentro do calendário estadual para se comemorar Antonieta de Barros e a luta das mulheres nos espaços de poder e decisão. Ela merece mais reconhecimento e, no que eu puder, vou lutar para que Antonieta seja reconhecida para além do filme. Esse é só o começo, espero!

 

Fotos Flávia:

Arquivo pessoal Flávia Person

Fotos Antonieta:

Docmentário Antonieta; Acervo familiar; Acervo Casa da Memória; Acervo Mesc; Acervo Casa da Memória

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