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A explosiva poética esférica de 2017

29 Jan 2018

 

Na condição de autores desta bagaça, detemos uma pérola, uma preciosidade, neurótica ou egótica, esférica pupila específica e (por quê não?) bela da nossa própria trajetória errática. Munidos de um detonador poético e a despeito da negatividade hiperbólica que dirigiu os (des)ânimos da trupe, queremos, à revelia de retóricas, apresentar os causos exitosos que levamos nestas pusilânimes garupas. Trazemos nosso galhardo, impreciso produto de industriosidade ou incompetência, mas, enfim, o que permitiu nossa ciência: o fardo de um ano (in?)fausto. Infausto!!!

 

 

Em outras palavras, essa é a máxima síntese do que fizemos em 2017, mas se ainda não entendeste, vamos dar um reset, só queremos dizer que, entre merdas e glórias, suportando a peste e os infortúnios das horas, não demos à luz apenas príncipes e condes. Também parimos coisas doentes, crias de feras cheias de dentes, torres a se derrubar a golpes de aríete.

 

Dentre os causos, o primeiro que nos azeda: logo em Abril, Bianca Queda, que caiu n’algum momento do último quadriênio passado, ex-alta cúpula estopiniana e integrante pioneira da bagaça, faz uma investida através de Leonardo Contin, antecipando o fim do cavalheiro citado, para voltar ao Coletivo Estopim. Leonardo, sem poder algum, argumento de vala comum, informa as intenções a Nícolas Horácio que, a última flor do Lácio, difunde a informação aos demais dirigentes dessa época: Gessony Pawlick e Rafaela Bernardino - presidenta emérita. No primeiro momento há um pequeno rebuliço, junto a crença de que nada sairá do lugar.

 

“Segura o lirismo” Gessony, virginiano e ascendente em câncer de pulmão, blatera durante a produção do texto.

 

Eis que em uma tarde qualquer, G. Pawlick (é o Gessony, mas ele ficou assim agora, cheio dos mimimi) recebe a visita de Bianca Queda e Adilson Costa Jr. em sua caverna. Sobre esse tema, vale lembrar que eles não se viam há mais de três anos. Era Bianca Queda tentando influenciar por uma nova frente, e G. não espera nem dois minutos após a saída do casal para entrar em contato com Horácio. Prós e contras são levantados e Nícolas leva as considerações a Rafaela. Ninguém se resolve e todos ficam em cima do muro esperando que algo aconteça ou alguém tome a iniciativa…

 

No mesmo ímpeto que surgiu, tudo desaparece. Nícolas mantém contato pela insistência de Queda, porém ela viaja para a Índia e tudo fica no mesmo vácuo de sempre. Reza a lenda que ela mandará algum conteúdo do oriente mais que médio, bem distante. Segundo as mais recentes informações de sua timeline, pode vir coisa até do Nepal, do Chipre.

 

Entre as Biancas, vale falar de Taranti, e a diferenciação entre o número de Biancas é bom que se atente. Bianca Bianca e Bianca Bianca Bianca. Evitemos o que atravanca o sentido. Bem, o que temos que contar é que Bianca Bianca, vulgo Bianca Taranti, ingressou em janeiro no Estopim e, desde então, contribuiu bastante com o crescimento da revista.

 

Ela começou como repórter e produtora, a corrente condutora do nosso duvidoso festim, participando das habituais reuniões de pauta semanais do Estopim e preenchendo, mais do que seu espaço. Veja só: logo na sua entrada, construiu o mito da matéria da farra do boi, deu o passo, apresentando ao coletivo uma ideia de pauta e alarmando a alta infâmia que continua sendo o que foi. A ideia era ouvir várias fontes e produzir uma reportagem fodona para questionar a tradição, problema seríssimo, que relega bovinos à tortura e à morte nos municípios de colonização açoriana do litoral catarinense.

 

A produção demorou a se desenrolar, a ponto de G. fazer diversas cobranças a Horácio, chamar a pauta de um mito e o editor de nécio (chegou a latir o Nemésio!). Depois de cinco, meses o texto finalmente foi ao ar, dividido em três partes e, como de praxe, o Estopim resolveu engabelar o leitor arriscando um encaixe, denominando-a uma reportagem especial. Que sucesso! Que furor! Depois disso, Bianca Bianca (Bianca Taranti) colaborou intensamente com o coletivo e, na virada do ano, estava cotada para vestir o distintivo e assumir algum cargo na direção.

 

“Já tem o boitatá, o boi de mamão… o próximo a entrar pro folclore vai ser o boi estopim” G. fala a Horácio sobre a reportagem da farra do boi

 

Estudante do 3º ciclo de Jornalismo, Bianca Bianca precisou produzir um trabalho acadêmico e viajou à Videira para gravar a rotina dos produtores rurais Waldemar e Ires Piasson. Sozinha, passado o frisson, dirigiu, produziu, capotou e captou imagens, sugou ao máximo a bateria dos equipamentos que tinha em mãos e deu no couro para realizar o documentário Sagrado Solo que é nada mais, nada menos, que a capa de janeiro no site. Por fim, cabe dizer, que nos primeiros dias deste 2018, o flerte com um cargo de alto escalão se concretizou e ela assumiu a direção comercial do Estopim.

 

Façamos agora uma conexão que, mais do que falar em matéria de edição, é cair em repetição. Da arte, na direção, operou-se uma mudança de layout, tão importante quanto a preferência funcional da destilação à fermentação e ao malte, no organismo do nosso ilustre ilustrador! A revista, que desde sua concepção, passou por mais de quatro alterações estéticas, com a criação do site encontrou suas formas heréticas. Claro, passando por seus habituais problemas… Gente que trabalhe de graça, em ermas madrugadas a dentro! Material autoral é um problema a ser sanado. E não só: lutado! para conquistar seu espaço preferivelmente estético, com: ilustradores, fotógrafos e esse calhau de arrombados que tentam conseguir seu lugar ao sol e vender algo com pouco lastro.

 

Para nosso pesar, as poucas conquistas que tivemos nesse terreno, nos abandonaram sem deixar rastro, todos antes do ano acabar. Ramiro Furquim (fotógrafo); Duda Secco (ilustradora); Lucas Rover (ilustrador) e Afonso Bueno (câmera e editor de vídeo), foragidos do astro Estopim. Eis alguns dos tantos nomes que escapuliram da órbita... Curiosa força centrífuga que manifesta nossa nau insólita. É um sem número de desgarrados que dela sempre entram e saem, sejam defenestrados, ou distanciados por vontade própria. Estopinianos têm vida curta, até a materialidade impor a labuta.

 

“Mas afinal, o que é o Estopim?” Pergunta Ramiro depois de dois meses no coletivo.

 

Pois que se dane a cronologia! Pulemos para agosto, quando Nícolas assume as vendas do Estopim. Sendo já o editor, o organizador, o motivador, ele segue atrás de mais desgosto e, com o afastamento de alguns estopinianos, o site vira o coletivo de um homem só. Com metade do bando proscrito, Horácio, tenha dó!, tenta dar conta do conteúdo escrito. Nessa fase de baixa gerada pelo mês do cachorro louco, a presença de um velho amigo, mas que tampouco do Estopim já participou, se torna decisiva nas conversas da alta cúpula. Lucas Silochi - como sempre se chamou - sem compromisso e na camaradagem, se agrega a Horácio e G. discutindo pautas, temas e a abordagem.

 

Em outubro ainda sentíamos a ressaca de agosto, quando o Estopim completou seu sétimo aniversário e quem ganhou o bolo foram os leitores. As edições de setembro e outubro se condensaram na tentativa de aliviar a barra para o coletivo de um homem só. Essa mesma tentativa se mostra frustrada, pois a série especial Vozes Alternativas nunca ganhou desfecho e permanece aberta para novas inserções.

 

Fim do ano veio com ar de reorganização. Sentimos o agridoce cheiro de esperanças meio murchas brotando dentro do coletivo e, assim como todo final de ano, nós, como seres humanos, empurramos com a barriga até bem depois da virada.

 

“Não falei com ela ainda” Relato do Nícolas sobre a morena cheirosa do forró

 

 

Ilustração:

G. Pawlick / Estopim Coletivo

 

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