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5 letras de funk e de artistas das batalhas de rap de Florianópolis

28 Aug 2019

Música é organismo vivo. Artistas vêm e vão, explodem e desaparecem, agradam e desagradam, mas a força criativa da música, essa não para. Em Florianópolis não é diferente, em especial quando o assunto é hip hop. Com batalhas de rap acontecendo de segunda a segunda, jovens de todas as regiões da ilha e das vizinhas São José, Palhoça e Biguaçu se reúnem e, dessa efervescência, surgiram talentos que encaram a música como profissão.

 

Das batalhas de rap para o Youtube e tocadores de música

 

Nesse texto, o Estopim apresenta as histórias de 5 artistas locais que lançaram músicas com mensagens sobre representatividade, corpos, amor, auto-estima. São músicas em dois estilos: rap e funk. Com a palavra, Andressa Versa, Dre Araújo, Daniel Dekilograma (DKG), Suzi Oliveira (MC Clandestina), Johnny Beng e Ka Alves (K47).

 

Liberdade sem receio - Dre Alves e Versa
 

"Rebola a mente, rebobina toda a tua história, malandramente, um estupro acontece agora."

 

Liberdade sem receio é um grito de muitas mulheres contra o machismo e uma música de Dre Araújo, em parceria com Andressa Versa, figura cativa das batalhas de rap da ilha. O beat é de Daniel Marques, de Itajaí. O clip tem produção musical do DJ Cuco, de Santos, e foi gravado pela 99 possibilities, de Ubatuba. 

 

Dre Araújo: Criei essa letra fiz essa letra pensando no que a gente passa no dia a dia, nós mulheres, dentro e fora da cena hip hop. Acredito que a música e a poesia chegando nas pessoas certas consegue mudar muita coisa. Então, fiz a música pensando em tudo que atinge a gente de uma forma negativa.

 

 

Andressa Versa: Esse clip é uma conexão muito zica. Sou catarinense, a Dre é de Santos e mora aqui. Ela é a terceira mina a ir para o duelo nacional de MC e, quando me convidou, fiquei muito honrada, porque eu admiro muito o trabalho dela. 

 

A gente escreveu uma em cada canto e foi compartilhando. Me inspirei nas minhas amigas, no que a gente faz e vive e no que, infelizmente, temos que presenciar sendo mulheres independentes, que saem na rua sozinhas, que existem no mundo. 

 

A gente nem precisa fazer movimentos muito ousados para estar sujeita a violência. É um som que tem um beat descontraído, mas a mensagem pesada e é pra entrar na mente mesmo.

 

Dance - Daniel Dekilograma DKG

 

“Caído na apoteose, me ergui pela tua magia, me convida pra ver um filme, te levo a boemia. Nos encantos, mantenho a esperança, encontrei o estado de espírito na tua mão sou uma criança”.

 

O rapper Daniel Dekilograma, vulgo DKG, é outro que está em diversas batalhas de rap da ilha e também tem novidade. Ele acaba de lançar seu segundo disco, Estado de Espírito, e depois de ganhar uma premiação com o rap pode lançar o clip de uma música. A escolhida: Dance, faixa número 10 do seu novo disco.

 

 

DKG: O beat é do meu amigo Douglas, do Atitude Rap, e a gravação é do 8KM8. O clip foi uma premiação de um ano da Batalha da 196 e foi produzido pelo Morlock e tem a participação de vários amigos, incluindo a Moa MC que faz parte do clip comigo, além de poetas, MCs e dançarinos da cena local. O trabalho foi lançado dia 13 de agosto, todo de produção independente, no modelo Dekilo.

 

Encaixa bumbum - MC Clandestina
 

“Intima as amiga pra famosa sarração, encaixa bumbum, com o bucetão”

 

Outra que está sempre frequentando as batalhas de rap da ilha, em especial a batalha das mina, é a MC Clandestina. Ela convidou 5 amigas para rebolar e lançou Encaixa Bumbum, uma letra de funk que reclama a autonomia das mulheres sobre seus corpos. Em outras palavras, elas também podem se divertir quando e como quiserem.

 

 

MC Clandestina: Tenho essa letra há mais ou menos dois anos e a intenção, primeiramente, foi ter mais representatividade feminina no funk. Falando sobre nossos corpos, sobre as mulheres dançando, as amigas se divertindo na balada. Um som que representasse nossas vivências e vontades. Já que a maioria dos sons que escutamos não tem esse papel.

 

Para o clip, chamei o Highflashes e o beat foi feito pelo Fal. Gravamos em uma casa e chamei 5 amigas: Dandara, Versa, Ju Sofer, Zara e Carol. A gente soltou o som, comprou umas catuabas, começou a rebolar e foi isso. Falei para elas rebolarem do jeito de sempre, era isso que eu queria passar.

 

Vem - Johnny Beng
 

“Eu sei que tu gosta de sarrar, então vem encaixando devagar, vem dançando, se soltando,vem descendo até o chão.”

 

Johnny Beng se apresenta como artista independente, trans não-binário, negra e também é alguém da cena local com novidade no Youtube, o clip Vem. Suas vertentes são o funk, o reggaeton, o pop e o rap. Uma música dançante e, segundo Johnny, para fazer as pessoas saírem do sofá e darem ao menos uma mexidinha no ombro.

 

 

Johnny Beng: Foi um trabalho bastante independente, eu compus a letra, produzi o roteiro do clip e as pessoas que participaram eram todas minhas amigas e parentes. Quem produziu foi o Bruno Picasso, da Viajante Sul, que já vem fazendo meus trabalhos desde o primeiro clip.

 

O beat é de um argentino, Matias Villalobo, um beat da internet, de uso grátis. A música traz um duplo sentido bem sexual, um contexto bem sexual, mas também de amor próprio, de pegação e balada, que eu vejo que a galera jovem tem consumido muito. Gosto de escrever música com base nas minhas vivências e nos meus sonhos.

 

K47 - Sonhos sobrevivem ao caos

 

“Desacreditaram, pedras atiraram, dedos apontaram, só serviu pra fortalecer. Limites quebrados, tombos levantados, passa a passo vou seguir e eu vou vencer!”

 

E fechando a nossa com chave de ouro, K47, vulgo da Ka Alves, e o seu lançamento Sonhos Sobrevivem ao Caos. Se você está busca de um som capaz de inspirar, reanimar e enfrentar os mais perigosos inimigos, essa música vai ajudar.

 

 

O clip tem roteiro da própria Ka Alves e foi dirigido por Juliano Cortuah, com produção geral executiva de Ellen Soares. A edição e finalização é de Rafael Fernaz. O poderoso beat é do Maicon UmTeto e o som foi gravado, mixado e masterizado no Estudio Nave33.

 

Ka Alves: Essa música foi feita por algo bem maior também. Quem acredita e luta por um sonho sabe o quanto isso é difícil! Somos realmente desacreditados, julgados, apontados! Da vontade de desistir, muitos desistem, mas o sonho está ali, gritando dentro de você, basta uma faísca para reascender! Essa música é isso, aquela faísca pra queimar tudo, voltar a acreditar, retomar a fé!

 

 

Foto: Reprodução.

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