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Sente falta de cultura? Então saia de casa

6 Apr 2017

 

Estar inserida no cenário cultural desta ilha chamada Florianópolis nos proporciona vivenciar muita coisa e ouvir muita coisa. Uma infinidade dessas coisas que ouvimos nos faz questionar por horas... Será que as pessoas têm ideia do que elas estão dizendo? Vamos lá.

 

O que mais se ouve quando você está organizando um evento, convida alguém e a pessoa já tem um compromisso marcado pra esse dia é: “Poxa, nunca tem nada nessa cidade não, é? E quando tem, é tudo no mesmo dia”. E essa ideia foi se propagando. Nunca tem nada pra fazer nessa cidade. Nunca. Nada? Nada! Precisamos ter mais eventos culturais na ilha, nunca tem nada aqui!

 

Mais uma: "Poxa, quando a banda X vai tocar? Amo o show dos caras!”. Aí a banda X toca, porque todo mundo quer saber quando terá show deles. E adivinha: Ninguém vai. Sim, eu também me pergunto diariamente o que acontece com as pessoas, mas isso é algo que nem o mais antigo pensador da humanidade saberia responder.

 

Viver de cultura é difícil pra caramba. Cultura ‘lado B’ então, é quase impossível. Os discos Lado A ainda têm consumidores, mas propagar o lado desconhecido é muito mais difícil. Vender o “gueto” ainda é difícil. (Ao menos, é claro, que se trate de uma coleção de roupas de uma loja de departamentos, aí vender gueto é fácil).

 

Um pouco de matemática básica para aqueles que ainda creem que a nossa cidade não possui um cenário cultural qualificado: quantos pubs você conhece que trazem bandas para tocar? Multiplique esse número por 3 dias da semana (quinta, sexta e sábado, desconsiderando aqueles que abrem aos domingos). Vocês percebem quantos eventos nossa cidade recebe por final de semana? Isso que só estou falando de bandas.

 

Agora mais uma para nos situarmos: o grupo de dança contemporânea Cena 11, conhece? É um grupo ilhéu, que já levou seu trabalho pra todos os cantos desse mundo e, nesse momento, está fazendo uma campanha no Catarse para conseguir sobreviver, pois sua verba está acabando e isso não está escrito em nenhum jornal ou em nenhum grande veículo de comunicação. Pois é, além de tudo, não existe incentivo cultural. E a falta de incentivo cultural, que deveria vir, no mínimo, dos nossos governantes, mata sonhos e mata aqueles que sobrevivem de cultura.

 

Agora, um apelo de quem (sobre)vive cultura e se depara com um cenário vazio de apoiadores: saiam de suas casas. Visitem exposições, compareçam ao teatro, apoiem causas (o Catarse, por exemplo, aceita valores mínimos, que são doses de esperança pra quem depende dele). Vá aos shows, compre os CD's, compre a camiseta. Divulgue até mesmo aquele evento que você não pode ir porque é aniversário da sua tia. Nós dependemos disso e a cultura também.

 

Neste Baixo Meretrício reunirei notas, cartazes, apelos e divulgações do que acontece do lado de cá da cena cultural da ilha. Não daquelas que aparecem na TV ou nos outdoors, mas aquelas que dependem e contam com o trabalho minucioso e sincero de gente como a gente (que é como eles, sacou?). Essa é a minha contribuição. Se você também faz esse apelo pela cultura local, faça a sua contribuição também.

 

Te vejo no próximo show.

 

 

Ilustração:

Javier Medellin Puyou

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