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Trabalhadores com Lula no 1º de maio

3 May 2018

 

Na véspera de 1º de maio, às 9h, os apoiadores do ex-presidente Lula presentes há mais de 20 dias na vigília Lula Livre em Curitiba, acampamento estruturado nas proximidades de onde o petista está preso, bradaram: “Bom dia, presidente Lula!”. A saudação é repetida todos os turnos e muitos dos que se reuniram no ato político realizado na Praça Santos Andrade no dia do trabalhador garantiram que são ouvidos por ele.

 

A mobilização nacional trouxe sindicalistas, políticos, estudantes, militantes dos movimentos sociais, artistas do quilate de Beth Carvalho e da ousadia de Ana Cañas para Curitiba. Famílias humildes, pessoas sem teto, trabalhadores rurais, professores e curiosos.

 

O ex-presidente mobiliza uma porrada de gente, como um jovem do movimento estudantil de São Paulo que discute com a mãe coxinha e alckmista sobre a importância das ocupações contra a tentativa do governador tucano de fechar escolas no estado. Haja paciência! O país está repleto de Tatianes dos Santos Davids.

 

Esta reportagem também capturou uma ex-militante do MR-8, de Goiás, e uma professora de história, de Pernambuco, para quem atos como esse realizado no 1º de maio não surtem muito efeito. Servem para animar os mais jovens, mas o momento demanda radicalismo. De coquetel molotov a sequestro de embaixador.

 

Diante desse mar vermelho em Curitiba, nossa equipe estabeleceu uma meta difícil, para não impossível: encontrar um brasileiro de cada estado do país na Santos Andrade. Naturalmente, não conseguimos. Vamos ficar devendo dez personagens, mas 17 estados brasileiros estão devidamente representados. Tem relato do Norte ao Sul. Mas não espere encontrar um amazonense, muito menos um acriano.

 

Veja, agora, o semi-mapa quase completo do Brasil de simpatizantes de Luiz Inácio!

 

Marli Mattos, Rio Grande do Sul

 Foto: Bianca Taranti

 

“Nós vamos até o último minuto para ver se conseguimos Lula Livre.”

 

Marli Mattos (do lar) e o marido Ivaldo Sousa de Oliveira (servente) são beneficiários do programa Minha Casa, Minha Vida e há cinco anos conseguiram a casa própria e escola para os filhos.

 

“Acompanhamos o presidente há muito tempo. Inclusive somos filiados ao partido no Rio Grande do Sul. Onde ele estiver, estaremos juntos para apoiá-lo e para que um dia ele esteja conosco de novo.

 

Para nós, não importa o sacrifício, nós estamos aqui para ajudar um homem que sempre nos ajudou e sempre está ajudando”.

 

Ilário Marques, Ceará

 Foto: Bianca Taranti

 

Ilário Marques é o prefeito de Quixadá, cidade de 86 mil habitantes localizada no sertão do Ceará. Advogado sindicalista, duas vezes deputado estadual e no quarto mandato como prefeito, Ilário se orgulha de ter recebido o ex-presidente quatro vezes quando estava à frente do executivo nacional.

 

“Nossa cidade tem um grande movimento sindical e também uma cidade universitária, com mais de cinco mil estudantes e uma história de luta. Estiveram em Quixadá, no início do século passado, os anarco sindicalistas italianos que fundaram a aliança artística e proletária. O ex-presidente gosta muito de Quixadá. Nós até brincamos que vivemos na República Livre do Quixadá.”

 

Roberto Leite, Paraná

Foto: Grasieli Felix

 

“Estou aqui porque nós, pessoas com deficiência, passamos a ter direitos fundamentais a partir da Convenção Internacional sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência, tratado que o Brasil assinou em 2007 com o Lula e, depois, com a Lei Brasileira de Inclusão, do senador Paulo Paim. Com isso, passamos a ter direitos e a sermos incluídos na sociedade. Agradeço muito os governos progressistas desde 2002 até a presidenta Dilma, base que havia no Congresso e que trouxe a nós, pessoas com deficiência, dignidade, que é o eixo principal da Constituição Brasileira.”

 

Roberto Leite estava eufórico na companhia da cunhada Christiane Barros. Ele lembrou ainda do trabalho pioneiro do Instituto Federal de Santa Catarina, o primeiro centro de formação de instrutores de cão-guia da América Latina. Para ele, iniciativas como essa começaram a saldar a dívida social e histórica com os deficientes visuais.

 

Roniy da Silva Santos, Piauí

Foto: Grasieli Felix

 

Roniy é trabalhador da construção civil. Um lobo solitário de camisa azul, ele se destacava na multidão vermelha.

 

“Vim para dar um apoio ao ex-presidente Lula, que se encontra preso. Não sou do partido, mas trabalho no que for possível por Lula. A maioria de nós, nordestinos, votamos no Lula. Queremos Lula livre. Ele, no meu entendimento, foi o melhor presidente da história do Brasil.”

 

Segundo Roniy, a vida piorou nos últimos tempos, e na época em que Lula era presidente o país tinha mais desenvolvimento.

 

Shedd Pegaz, Mato Grosso do Sul

Foto: Grasieli Felix

 

Líder sindical em Diadema, a cidade dormitório do ABC paulista, Shedd Pegaz é filiado ao Partido dos Trabalhadores desde a sua fundação. Ele saiu aos seis meses da sua terra natal e sua família se espalhou por Goiás, Rio de Janeiro e outros estados brasileiros. Para ele, o PT cometeu um grande erro fazendo alianças estranhas para governar.

 

“A gente questionava muito essa questão dos governos do PT fazerem alianças abertas e não fazerem alianças voltadas, por exemplo, para correntes que tenham simpatia com a esquerda. O resultado disso foi um golpe.”

 

Militante da corrente petista Articulação de Esquerda (AE), Shedd Pegaz diz que o PT tem apenas o plano A para as eleições de outubro: Lula presidente!

 

Eliete Pereira da Silva, Bahia

Foto: Grasieli Felix

 

Babá em São Paulo, a baiana Eliete Pereira da Silva não tem filhos, mas garante que já cuidou de mais de 50 crianças ao longo da vida. Aos 10 anos de idade, Eliete saiu da Bahia a caminho da Paraíba, onde se alfabetizou. Aos 22, mudou-se para São Paulo. Sua motivação para a vinda a Curitiba é uma só: Lula.

 

“A prisão dele é uma prisão de classes e eu não posso ficar omissa. Lula é o meu herói. Eu comecei a acompanhá-lo desde que abriu o partido na década de 80, quando morava na Paraíba. Se existisse Justiça neste país, Lula estaria solto.”

 

Carlos Alberto Pereira Duarte, Pará

Foto: Grasieli Felix

 

“Segundo Fernando Henrique, sou um cabra sem ocupação, um vagabundo. Na verdade, eu sou aposentado. Fui bancário por muito tempo e me aposentei em 2016. O que me motiva a estar aqui hoje, primeiramente, é a situação do país que, pela minha experiência, acho de uma gravidade sem tamanho. Como brasileiro e pai de família, me sinto na responsabilidade de participar e tentar mudar o destino do nosso país.”

 

Carlos saiu de Belém aos 18 anos para servir ao exército. Abandonou a carreira militar depois 13 anos porque se sentia um peixe fora d’água.

 

“Foi um aprendizado para mim porque participei dos dois lados. Desde aquela época eu já tinha um sentimento libertário. O exército não foi um tempo perdido, mas chegou um dia que eu achei que aquele não era meu lugar.”

 

Wesley Resende, Mato Grosso

Foto: Grasieli Felix

 

“Vim apoiar o Lula porque tem 10 anos que eu moro aqui em Curitiba e consegui conquistar minha coisas no governo dele. Fui beneficiário do Minha Casa Minha Vida e hoje faço faculdade utilizando o sistema de cotas.

 

Wesley estava vendendo água, cerveja e refrigerante no 1 de maio em Curitiba. Estudante de novas tecnologias para o agronegócio na Unicesumar.

 

“Cota nunca foi vitimismo, mas sim a garantia de que o povo mais pobre tenha acesso à educação. Vitimismo é pessoas com o poder aquisitivo melhor acharem que estão perdendo com isso.”

 

Alice Maria, Goiás

 Foto: Bianca Taranti

 

Alice Maria está na porta dos 70 e atua na esquerda há 54 anos. Integrou o MR-8 e está um pouco saturada de mobilizações pacíficas.

 

“Isso aqui não resolve. Eu quero perder sangue para os mísseis americanos e não para os filhos da puta e os ladrões da direita que estão roubando o povo no Planalto. Passeata não vai resolver. Tem que partir para o radicalismo, sequestrar uns 10 embaixadores e fazer moeda de troca. Foi a partir daí que, na ditadura militar, nós conseguimos mostrar para o mundo o que estava acontecendo”

 

Segundo ela, Lula não vai registrar a candidatura. Se registrar e for eleito, não governa.

 

Maria Solange de Mello Lins, Pernambuco

 Foto: Bianca Taranti

 

“Eu vim de Caruaru aos 10 anos e fui morar no Rio de Janeiro. O Rio me deu tudo que eu tenho de bom: minha formação, dois filhos e minha consciência política. Isso foi na época da Anistia, na volta dos exilados.”

 

Professora de História no bairro de Santa Tereza, Maria Solange diz que vivencia agora um momento de retrocesso e luta na Educação no Rio de Janeiro. O 13º salário de 2017 foi pago há menos de uma semana. Segundo a professora, o prefeito do Rio quer acabar com a integralidade da aposentadoria, com a paridade e aumentar de 11% para 14% a contribuição com a Previdência. Ela também está cansada de passeatas e se filiou ao PT há 20 dias.

 

“O PT teve seus erros. Quando subiu ao poder, por exemplo, a gente abandonou as bases Eu acho que isso foi um pecadinho do PT. Mas vou dizer uma coisa: eu tô cansada de passeata. Isso, para mim, tá virando evento. Sou mais da ação, por mim a gente parte é para brigar sério. Entendeu?”

 

Simão Ramos de Almeida, Paraíba

Foto: Grasieli Felix

 

Simão nasceu em Juru, cidade localizada no sertão da Paraíba a 400 km de João Pessoa, a capital. Aos 21 anos, mudou-se para São Paulo buscando melhorar a condição de vida.

 

“A vida lá na Paraíba era bem precária. É um lugar bastante seco, sem saneamento básico. Água, luz e energia praticamente não tinha por lá. Lula, para nós, foi um pai. Estamos aqui lutando para que o Lula volte, para que a gente consiga a nossa democracia de novo.”

 

Operador de máquinas, Simão é metalúrgico e sindicalista em Sorocaba.

 

Zenilda Miranda, Santa Catarina

Foto: Grasieli Felix

 

Membro do PT de Bela Vista, cidade do interior de Santa Catarina com aproximadamente 6 mil habitantes, Zenilda e os filhos Valéria e Leandro querem Lula livre.

 

“Viemos apoiar o Lula para ele sair da cadeia e queremos Lula presidente de novo. A gente participa das atividades políticas na cidade há muito tempo e toda vida nós apoiamos o Lula. Agora estamos juntos de novo e lutando pela liberdade dele.”

 

Para Zenilda, a prisão do ex-presidente foi injusta. A agricultora diz que está triste com o atual momento, mas que tem esperança de que ele saia da prisão.

 

Gabriel Rodrigues dos Santos, São Paulo

Foto: Grasieli Felix

 

“Acompanho o PT desde quando eu tinha 8 anos de idade e vi um caminhão do PT passando no meu bairro. Acredito que o projeto político do PT é o que mais olha para a classe trabalhadora e não para a elite desse país.”

 

Assim como muitos jovens brasileiros, Gabriel tem uma mãe que não simpatiza com suas posições políticas.

 

“Minha mãe é coxinha. É uma convivência muito boa, mas às vezes o clima pesa e sai xingamento. Ela apoia o Alckimin e quando falo das ocupações ela não gosta, mas foi lindo derrotar o Geraldo Alckmin em São Paulo com as ocupações.”

 

Para Gabriel, a militância é uma escola, onde aprende a dividir tarefas e conviver em coletivo.

 

Leonor Vieira Motta, Rio de Janeiro

Foto: Bianca Taranti

 

A dentista Leonor é especialista em saúde coletiva e sempre trabalhou no serviço público.

 

“De 2016 para cá estou militando mais. Me filiei ao partido dos trabalhadores por volta de 1988, mas nunca fui muito militante. Só que agora não tem como a gente fugir à luta em função do golpe que, para mim, começou desde o mensalão, com a condenação de José Dirceu.”

 

Membro da Frente Brasil Popular em Volta Redonda, Leonor lamenta o fato de sua cidade estar tomada por coxinhas. Uma sensação partilhada por muitos brasileiros da região sul e sudeste.

 

Marcelo Araújo Marques, Maranhão

Foto: Bianca Taranti

 

“Quando o estado avança repelindo uma manifestação livre e democrática, onde não há baderna e destruição do patrimônio público, está cometendo um retrocesso em relação às garantias de liberdade de expressão.”

 

Cabo da Polícia Militar, no Maranhão e bacharel em Direito, Marcelo se soma ao coro daqueles que consideram a prisão de Lula inconstitucional. Ele fez um comparativo da forma de governar de Flávio Dino e de Roseana Sarney.

 

“Meu estado é governado pelo Flávio Dino, do PCdoB. Ele está com 90% de aprovação e realmente olha para a população. Antes dele era a Roseana Sarney do MDB. A liberdade, nessa época, era sempre repelida com muita força.”

 

Ruth Brochado, Distrito Federal

 

Professora da Escola de Jovens e Adultos há dois anos em Brasília, Ruth se aproximou da militância nas greves. Segundo ela, cada centavo do plano de carreira dos professores de Brasília foi adquirido com greve e com luta.

 

“No governo atual, do Rodrigo Rollemberg, a nossa luta é para não  perder direitos, porque não conseguimos avançar em nada e o governador queria mais retrocessos para a educação. A luta é essa, e contra nós muito gás de pimenta, muita bomba de efeito moral, muito BOPE. Eu me sinto muito triste e angustiada de saber onde a gente chegou.  Tenho uma sobrinha pequena, tenho meus alunos e olhar para eles sabendo que o futuro deles está em jogo é muito triste.”

 

Foto: Bianca Taranti

Bernardo Fernandes Távora, Minas Gerais

 

Professor de Educação Física há 11 anos, Bernardo atua na Educação de Jovens e Adultos (EJA) em Brasília.

 

“Temos que engrossar esse movimento, porque tem muita gente que apoia o presidente Lula e inclusive com intenção de voto, mas tem vindo pouco para a rua. Acho que se a gente aumentar a quantidade de pessoas que compõem o movimento, é possível convencer ainda mais gente.”

 

Segundo Bernardo, cerca de 200 pessoas vieram do Distrito Federal na mobilização do 1º de maio em Curitiba.

 

Seu estado não está representado nesse post e você estava em Curitiba no 1º de maio? Entre em contato com a nossa reportagem pelo e-mail: estopim.online@gmail.com e bora aumentar essa lista!

 

Foto em destaque:

Bianca Taranti

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